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Posted Junho 19, 2017 by António de Sousa Pereira in |Notícias
 
 

Renault-Nissan quer fornecer energia ao mercado doméstico



A Aliança Renault-Nissan tem em marcha diversos projectos destinados permitir-lhe entrar no sector do fornecimento de electricidade a clientes domésticos. E que, ao mesmo tempo, servirão para reaproveitar as baterias dos seus modelos eléctricos, as quais, por via dos sucessivos recarregamentos, em especial os rápidos de alta tensão, têm um prazo de utilização limitado nessa sua principal função, mas assim poderão evitar a reciclagem imediata.

Uma dessas iniciativas foi estabelecida entre a Renault e a Powervault, arranca já em Julho próximo e terá a duração um ano, por forma a aferir da respectiva viabilidade. A meta é transformar as baterias usadas dos veículos eléctricos em unidades de armazenamento de energia domésticas, depois de desmanteladas e transformadas em unidades mais pequena, reduzindo em 30% os custos das baterias da empresa britânica e estimulando o desenvolvimento de um sistema energético doméstico no Reino Unido.

O projecto arranca com um programa piloto, para testar 50 unidades destas unidades de armazenamento de energia domésticas, instaladas em casas de clientes da eléctrica M&S Energy que já possuam painéis fotovoltaicos. O objectivo, nesta fase, é avaliar a eficácia das baterias, na sua nova função, bem como a reacção dos utilizadores ao armazenamento de energia em casa.

O sistema de baterias domésticas da Powervault destina-se a permitir aos utilizadores armazenar a energia gerada pelos painéis solares, tanto para uma utilização posterior, como para fornecimento à rede nos horários em que a utilização em casa seja menos necessária, ou mesmo nula. O recurso às baterias usadas da Renault, além da redução de custos, permite prolongar o respectivo ciclo de vida, em média de 5 a 10 anos quando exclusivamente utilizadas nos automóveis, antes de serem, efectivamente, recicladas.

Por outro lado, e um pouco à semelhança do que fez a  Tesla com a SolarCity, a Renault-Nissan estará a planear uma entrada mais directa no mercado de fornecimento de energia eléctrica para uso doméstico e, assim, contribuir também para o desenvolvimento da infraestrurura de carregamento de veículos eléctricos – além de poder concorrer com os operadores tradicionais do sector. Segundo a agência Reuters, a fábrica do consórcio franco-nipónico terá capacidade para alimentar 120 mil lares, mas, ao invés de gerar electricidade, acumulará energia, por via eólica e fotovoltaica, nas horas de menor consumo e maior produção, voltando a disponibilizá-la à rede nos picos de maior procura.

Ao que tudo indica, a Renault-Nissan está a trabalhar com os especialistas da The Mobility House no desenvolvimento de um mega-acumulador construído a partir de baterias de automóveis eléctricos, novas e usadas. Um porta-voz da Renault já confirmou ter em marcha vários projectos com a empresa germânica, incluindo um projecto de armazenamento massivo de energia, que para já está ainda em fase de estudo.


António de Sousa Pereira