Ainda jovem ensinaram-me que sobre uma mesma coisa (ação, substantivo, intenção ou numa simples frase) é possível ver diferentes realidades. Quer isto portanto dizer que, no limite, não há uma realidade.
Esta é aliás uma máxima para o sucesso em certas áreas de negócio, como os grandes escritórios de advogados que habilmente se sobrepõem a outros, em todo o mundo. Desmontar e remontar, mutando uma subtil premissa ou interpretação sobre a mesma é também um exercício de masturbação intelectual para alguns.
Assim parece ser o que se passa relativamente ao 4 de Outubro 2015. Ainda anteontem necessitei voltar a consultar os resultados oficiais da contagem de votos e fiquei [...]
É impossível resistir à tentação de falar sobre o recente “sismo” que se abateu sobre a indústria automóvel com a alegada manipulação dos testes de medição de emissões. Apesar de os dados concretos apontarem, até à data, para uma única série de um modelo de motor que equipa vários veículos das marcas do Grupo VW, é inevitável que o seu impacto ultrapasse largamente esse universo circunscrito e se expanda a todas as marcas do Grupo VW, à indústria automóvel alemã e mesmo europeia, com suspeitas que vão sendo noticiadas diariamente.
A questão que se me coloca é: “Como foi isto possível?”. Como é que um grupo de responsáveis, obviamente que um caso destes não pode ter uma única [...]
As reais consequências do caso VW, muito bem dissecado de um ponto de vista técnico pelo Doutor Gonçalo Duarte, ainda não são de todo claras, seja para a própria VW, para os consumidores, para os reguladores ou para a indústria automóvel como um todo. Enquanto aguardamos gostaria de partilhar algumas reflexões sobre o tema.
A primeira é o uso pouco claro que se faz do termo poluente, que é aplicado indiscriminadamente quer ao NOx que despoletou o caso quer ao CO2 muito mais conhecido. Este caso diz respeito a um dos quatro poluentes controlados: NOx (óxidos de azoto), HC (hidrocarbonetos não queimados), CO (monóxido de carbono) e partículas. Para estes quatro há um limite [...]
Motivado pela discussão recente das acusações à Volkswagen, vale a pena olharmos para um estudo recente da Federação Europeia para os Transportes e Ambiente (T&E) [1] [2] que mostra que alguns modelos das marcas Mercedes, BMW e Peugeot têm consumos de combustível cerca de 50% superiores aos valores oficiais fornecidos pelas marcas. Os novos modelos destas marcas, incluindo o Mercedes A, C e Classe E, BMW Série 5 e Peugeot 308, consomem cerca de 50% mais combustível em condições reais de condução do que os consumos oficiais obtidos a partir de testes de laboratório.
A diferença entre os consumos em estrada e em testes de laboratório em muitos modelos de automóveis tem [...]