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Seat Arona: o grande companheiro das férias!

Artigo
Seat Arona: o grande companheiro das férias!

Este é um texto sobre férias de Verão, e sobre quem, e o quê!, nas mesmas nos acompanha. Férias essas que, para a maioria de nós já terão passado. Mas que não deixará de valer e pena relatar, até porque pode bem servir como sugestão para uma visita futura para quem ler as linhas que se seguem.

Mas vamos por partes. Quando vamos de férias, sobretudo no Verão, queremos bons hotéis, boa comida, boas praias, bons sítios para sair à noite, tudo do melhor. A cereja no topo do bolo é tudo isto poder ser conseguido por uma pechincha. Ou seja, queremos sempre um cenário que, normalmente, é impossível de concretizar.

Mas temos o direito de querer. √Č o nosso t√£o querido per√≠odo de descanso que sempre nos sabe a pouco.

Uma das melhores formas de alcan√ßar esta perfei√ß√£o √© viajar para s√≠tios ainda desconhecidos; e, se poss√≠vel, com planos abertos a mudan√ßas de √ļltima hora. Assim sendo, nada melhor do que viajar de autom√≥vel, porque significa liberdade, autonomia e permite, sempre que se queira, alterar os planos iniciais. No fundo, por grande que tenha sido (e foi!) a sua evolu√ß√£o ao longo de mais de um s√©culo, essa liberdade de movimentos ainda continua a ser um dos maiores atributos dessa magn√≠fica inven√ß√£o que veio substituir as carruagens puxadas por cavalos.

De regresso √†s f√©rias‚Ķ Desta feita, a rota escolhida ditava partir de Barcelona e ir subindo devagarinho at√© entrar em Fran√ßa, e seguir pela costa do Mediterr√Ęneo at√© S√®te. Tudo isto de autom√≥vel. Tudo isto com muitas refer√™ncias e poucas marca√ß√Ķes.

E come√ßou em plena esta√ß√£o do estio, com a simp√°tica temperatura de 39¬į C √† nossa espera no aeroporto de Barcelona‚Ķ e ainda era de manh√£! E l√° estava ‚Äúele‚ÄĚ tamb√©m. O nosso companheiro de viagem, do qual s√≥ esper√°vamos o melhor. O Seat Arona vermelho, lindo e reluzente, na vers√£o 1.6 TDI FR. Primeira nota digna de registo: uma mala de viagem grande, um tr√≥lei e duas mochilas entraram porta-bagagens dentro, e ainda sobrou espa√ßo! Nada mau para um pequeno SUV desenvolvido com base na plataforma de um utilit√°rio, como √© o Ibiza.

Dia 1
Barcelona ‚Äď Badalona (13 km)
Badalona ‚Äď Girona (99 km)

Grande curiosidade para conhecer esta primeira localidade, que s√≥ ao longe haviamos visto uma vez, quando nos aventur√°mos a sair at√© aos limites da cidade de Gaudi. √Č um percurso muito curto, que se faz num instante. Assim que come√ß√°mos a andar, e gra√ßas ao eficiente ar condicionado do ‚Äúnosso‚ÄĚ Arona, lig√°mos, enfim, tamb√©m o bot√£o ‚Äúf√©rias‚ÄĚ.

Chegados a Badalona, fomos direitinhos ao mar, de uma forma instintiva, sem consultar nada do que t√≠nhamos anotado ‚Äď e fic√°mos de frente para a Playa de La Estaci√≥n, cheia, como se esperava num dia t√£o quente. Assim que abrimos a porta, volt√°mos a entrar, pois o calor era dif√≠cil de suportar, e decidimos dar uma volta pelas imedia√ß√Ķes, mas de‚Ķ autom√≥vel! Foi assim que vi que est√°vamos ao lado da Pont del Petroli (incontorn√°vel), muito perto da f√°brica do Anis del Mono e da marina. Por ali mesmo, no passeio mar√≠timo, decidimos almo√ßar. Fic√°mos numa esplanada muito perto da praia, mas nem mesmo isso acalmou o calor intenso que se fazia sentir.

Ainda fomos dar uma pequena volta pela Rambla, e aí rumámos à nossa próxima paragem, Girona, onde iríamos pernoitar.

Badalona não é uma cidade impressionante, mas é muito agradável e simpática, tendo, de facto, nas suas praias o motivo de atracção principal nesta época do ano.

Assim que voltámos ao Arona sentimo-nos outros. Para além do conforto que oferece, na realidade, o ar condicionado fazia-nos ficar de novo com boa disposição.

E seguimos pela AP 7, uma via com portagens, mas que nos proporcionou uma viagem r√°pida e, felizmente, com pouco tr√Ęnsito.

Quando avistámos Girona, ainda ao longe, percebemos que muito provavelmente não sairíamos dali no dia seguinte. Este primeiro dia estava no fim, e já pouco podíamos fazer senão instalarmo-nos, jantar e conhecer um pouco da noite desta cidade. Agora confirma-se: acabámos por ficar mais uma noite…

Jantar no Vadevins: ador√°mos! Tudo excelente e muito acess√≠vel, jant√°mos por ‚ā¨20 com vinho inclu√≠do.

Dormida no B&B. Muito pr√°tico, moderno, sem luxos, mas com tudo o que √© necess√°rio. Dormir em plena √©poca alta por ‚ā¨70 noite √© excelente. Pessoal muito simp√°tico. Prolongar a estadia mais um dia n√£o foi um problema apenas por sorte, pois estava quase lotado¬†‚Ästa op√ß√£o foi tomada a meio do nosso segundo dia de viagem, ao vermos a quantidade de coisas que ainda quer√≠amos conhecer‚Ķ e as horas a ‚Äúvoar‚ÄĚ!

Dia 2
Girona
Girona ‚Äď Figueres (43 km)

Na manhã seguinte fomos para o centro histórico e não podia ser mais deslumbrante.

A n√£o perder… As margens do Onyar (com as casas mesmo √† beira rio); o Call Jueu, ou bairro judeu, um dos mais bem conservados de Espanha; a Calle de la For√ßa; a Catedral de Girona (aten√ß√£o f√£s do Game of Thrones!); as muralhas e a vista deslumbrante de todos os locais altos da cidade; a Universidade; o Mosteiro de Sant Pere de Gallingants; as ru√≠nas, pra√ßas e conflu√™ncias de v√°rias culturas, √©pocas!

Muito bem conservada, limpa, cheia de gente simp√°tica ‚Äď uma cidade que nos surpreendeu, e como, pela positiva. Agora j√° a posso recomendar a quem viaje por aqueles lados, isso sem d√ļvida alguma.

No final do nosso segundo dia, rum√°mos a Figueres, onde jant√°mos no Bocam ‚Äď muito, mas mesmo muito, bom, sobretudo impressionante para quem gosta de pratos bem apresentados! Aqui pag√°mos um bocado mais, mas era compreens√≠vel. Ficou a refei√ß√£o por cerca de ‚ā¨70. Dormida no Plaza Inn, mesmo no centro, e vale bem a pena ficar neste hotel, que est√° quase sempre cheio: fic√°mos com a sensa√ß√£o que est√°vamos a dormir num museu e por aqui pag√°mos exactamente o mesmo que no B&B.

 

Dia 3
Figueres
Figueres ‚Äď Cadaqu√©s (37 km)

Dali foi o respons√°vel por querermos conhecer esta cidade. E ainda bem. Mais um dia em cheio. ¬†O calor, esse, tamb√©m estava instalado e parecia para ficar ‚Äď √© que o Ver√£o, nalgumas paragens, parece que ainda √© mesmo Ver√£o, como antigamente‚Ķ

A não perder Teatro Museu Dali (espantoso); as muralhas medievais e o enorme Castelo de San Ferran, que domina a cidade do alto de uma colina; a casa natal de Dali; o casino; a igreja de San Pere; o antigo Matadero; as praças (todas e mais algumas!); La Rambla (como não podia deixar de ser…); todos os edifícios modernistas; as capelas; os conventos. Tudo maravilhoso!

Mas a refer√™ncia incontorn√°vel √©, sem d√ļvida, o Teatro Museu Dali, dif√≠cil de descrever por palavras, e que apenas digo que √© quase criminoso n√£o o conhecer.

Já a tarde ia adiantada quando decidimos ir jantar e conhecer Cadaqués, que ficava perto e tratava-se de um local relativamente ao qual tínhamos ouvido os maiores elogios.

Dia 4
Cadaqués
Cadaqu√©s ‚Äď Narbonne (155 km)

Pensem l√° num para√≠so, num peda√ßo de um sonho bom… √Č Cadaqu√©s!

Continuando com Dali presente, o Arona (que tem o nome de uma vila da ilha de Tenerife com extensas praias e temperaturas cálidas) deve ter-se sentido em casa neste local plantado à beira mar. De origem piscatória, apesar de ter bastantes turistas, não se deixa beliscar por isso.

Neste ponto, já tínhamos uma noção dos consumos do nosso companheiro de rota. Outra belíssima notícia, pois são muito comedidos, não ultrapassando os 4,5l 100/km num percurso combinado entre auto-estrada e cidade.  Pessoalmente, fiquei radiante…

A n√£o perder… A Igreja de Santa Maria; todo aquele casario branco; as galerias de arte; os caf√©s; as esplanadas; a tranquilidade; as pessoas que habitam esta localidade; a ba√≠a maravilhosa cheia de barcos. E, como se n√£o bastasse, a casa em PortLligat que serviu de morada a Dali e Gala desde os anos de 1930¬†‚Ästampliada ao longo dos anos, parece quase um labirinto.

Esta casa, hoje um museu, é uma experiência a não perder. O tempo aqui tem um compasso diferente, e ficamos a perceber porque tantos artistas famosos se apaixonaram por esta vila deslumbrante.

Jant√°mos no Lua, que nem precisava de nos ter servido t√£o bem, porque o local onde se situa j√° seria suficiente para encantar, se querem saber pag√°mos quase o mesmo que na noite anterior.

Após o jantar, e com alguma pena, fizemo-nos à estrada, pois foi impossível alterar o hotel que já tinhamos reservado do outro lado da fronteira. Mas ficou a promessa de voltarmos muito em breve.

Chegámos a Narbonne de noite e já um pouco tarde.  Fomos directos para o hotel. A intenção era acordar cedo, para redefinir os nossos planos, pois já os tínhamos alterado desde que chegámos a Girona. Daqui para a frente havia que pensar bem pois este era já o final do nosso quarto dia de férias, e muito havia ainda para andar e ver…

Dormida no Le C Boutique Hotel (centro), com um servi√ßo t√£o bom que nos fez sentir nas nuvens. E, neste dia bem que precis√°vamos de uma noite bem dormida. J√° t√≠nhamos alguns bons quil√≥metros nos p√©s e o corpo pedia um descanso suplementar. Por isso, nada de esplanadas, caf√©s tardios e afins. S√≥ mesmo o hotel e a cama super-confort√°vel. Nota: por aqui paga-se o dobro dos hot√©is anteriores, mas as condi√ß√Ķes s√£o outras.

Dia 5
Narbonne
Narbonne ‚Äď S√®te (80 km)

Narbonne não nos facilitou a vida. Apesar de não ser muito grande, tem muito para descobrir e, em minha opinião, vale muito a pena, mesmo muito, fazê-lo.

A n√£o perder… O Mercado Les Halles; o Horreum (galerias subterr√Ęneas que datam do S√©culo I e serviam para armazenar gr√£os); a Catedral de St. Just et St.Pasteur (monumental); fotografar a Pont des Marchands (a √ļnica habitada em Fran√ßa); o canal de La Robine, que se cruza com o Canal du Midi; a Via Domitia; as velhas ruas pedonais cheias de caf√©s apetitosos; as lojas e o seu movimento cont√≠nuo, e o dos seus habitantes, e o de in√ļmeros turistas.

Daqui, e mesmo ao final do dia, rum√°mos a S√®te. L√° fomos com o nosso companheiro de viagem, num percurso que foi r√°pido e f√°cil de fazer, pois n√£o apanh√°mos quase ningu√©m na estrada. Isso, mais a paisagem aqu√°tica que nos rodeava, juntamente com as cores que se formavam no c√©u, fez da entrada em S√®te um momento digno de registo. Por ser um autom√≥vel silencioso e suave, o Arona proporcionou-nos as condi√ß√Ķes ideais para podermos viver e disfrutar estes momentos especiais.

Jantar no Oh Gobie, uma experi√™ncia excelente, uns mexilh√Ķes e umas ostras divinos! Pag√°mos cerca de ‚ā¨100 mas nesta refei√ß√£o nada faltou. O vinho que nos serviram fez o casamento perfeito. Mas mais do que perfeito √© poder fazer uma refei√ß√£o quase com o p√© dentro de √°gua. Com o calor que estava ningu√©m podia pedir mais nada. Dormida no Hotel de Paris, muito bem localizado, muito bonito e muito confort√°vel, e por aqui a noite ficou em ‚ā¨138.

Dia 6
Sète
S√®te ‚Äď Montpellier (34 km)

S√®te significa, de certeza, √°gua. Mar, milhares de barcos, canais, mais barcos, um porto gigante, estaleiros, a Lagoa Thau, o Canal do Midi, peixe, milh√Ķes de gaivotas, praia, cheiro a mar, √© isto tudo.

A n√£o perder… A Lagoa Thau (a sua imensid√£o, a sua ‚Äúf√°brica‚ÄĚ de ostras, e n√£o s√≥!‚Ķ); o Porto; a marina; a Igreja de Notre Dame de la Sallete; o Pal√°cio Consular; o mercado; o Pointe Courte (bairro dos pescadores). E percorrer vezes sem conta as ruas desta cidade linda, simplesmente olhar para o Canal du Midi e todos os outros que nos aparecem por todos os lados. H√° um passeio de barco que percorre os canais, vai ao porto e ao bairro dos pescadores, que n√£o fizemos, mas fic√°mos a conhecer numa esplanada, atrav√©s das palavras de quem o tinha acabado de o fazer. E depois as praias, esses quil√≥metros extensos de areia e mar sereno. A Veneza do Languedoc!

Depois de tudo isto, de novo um problema: ficar mais um dia, ou seguir para Montpellier? Dificil, muito dificil escolher… Acab√°mos por seguir viagem no final de mais um dia √©pico.

Assim que cheg√°mos a Montpellier, nossa paragem seguinte, fomos ao hotel tomar um duche e deixar as malas. E que surpresa nos aguardava no Hotel Oceania Le M√©tropole, um verdadeiro o√°sis, o mais caro at√© √† data ‚ā¨195. Quando vi o recinto ao ar livre rodeado de palmeiras, piscina e uma esplanada, comecei a duvidar se sair√≠amos dali para jantar.

Mas, por fim, l√° fomos jantar no Les t‚ÄôOCques, e pergunt√°vamos nesta altura: ser√° que se come assim t√£o divinalmente em Fran√ßa? A rua, as toalhas de mesa, o ambiente foi tudo t√£o perfeito que fic√°mos com pena que fechasse as portas t√£o cedo. Jant√°mos por cerca de ‚ā¨70 e ador√°mos cada momento.

Dia 7
Montpellier
Montpellier ‚Äď Aigues Mortes (34 km)
Aigues Mortes ‚Äď Marselha (136 km)

Esta sensação de ficarmos quase angustiados cada vez que voltávamos as costas a estas cidades e vilas que estávamos a conhecer acompanhou-nos desde o primeiro dia. Ou tivemos muita sorte ou, de facto, esta região que escolhemos para visitar era mesmo muito bonita.

Montpellier n√£o foi excep√ß√£o. Esta era a primeira grande cidade que visit√°vamos desde o in√≠cio do percurso. Muito interessante, a mistura entre o antigo e o moderno. √Č outra que gostar√≠amos de repetir.

A n√£o perder…Place de la Com√©die (comecem por aqui que n√£o se arrepender√£o, todo o centro hist√≥rico da cidade pode come√ßar a ser visitado a partir deste ponto, o famoso el√©ctrico passa por aqui, ainda que n√≥s tenhamos preferido andar a p√©); L‚ÄôEglise de Sainte Anne; a igreja de Saint Roch; e a imponente Catedral St. Pierre. ¬†O Mikv√© M√©di√©val tamb√©m merece uma visita (√© a parte judaica desta cidade, que conta com edif√≠cios que j√° v√™m desde o s√©c. XII). Visitem os magn√≠ficos hot√©is, constru√≠dos em edif√≠cios muito antigos, a Faculdade de Medicina, o Museu Fabre, o Aqueduto, a Porte du Peyrou (arco do triunfo) e toda a √°rea circundante. N√£o perder as in√ļmeras esplanadas e caf√©s maravilhosos, muito bem decorados, que d√£o vontade de ficar at√© ser inconveniente.

Comemos apenas um snack e fomos para a nossa próxima paragem.

RUMO A AIGUES MORTES

Uma amiga tinha falado connosco há pouco tempo acerca desta povoação da Camargue: Aigues Mortes. Disse-nos que só tinha visitado este sítio pela imensa curiosidade de ver os enormes lagos cor-de-rosa, onde também existem as famosas salinas desta reserva da bioesfera.

E fomos. Resolvemos ir logo ver as salinas. Depois, ent√£o, ir√≠amos ver a vila. E √© uma hist√≥ria encantada. Parece uma pintura feita de prop√≥sito. Ficamos em sil√™ncio perante esta paisagem de outro planeta. Este cor-de-rosa forte, que nos invade a vista, √© provocado pela presen√ßa na √°gua de uma microalga rica em pigmentos. Depois, existem os flamingos, que completam este quadro maravilhoso de id√≠lico rosa. Um pouco mais ao longe v√™em-se os gigantescos montes de sal branco, e tudo parece um pouco espacial. Existe um percurso num pequeno comboio que leva os interessados a conhecer tudo isto em pormenor. N√≥s opt√°mos por ir visitar esta vila nascida nos p√Ęntanos em tempos muito long√≠nquos (1240), e que √© conhecida pelo estado de conserva√ß√£o das suas muralhas, que formam um quadrado e parecem acabadas de construir.

A não perder… As salinas e os lagos cor-de-rosa que as rodeiam; a Torre de Constance; a ponte entre as muralhas; a vila toda, que é fácil e relativamente rápido de se conhecer.

Daqui seguimos para Marselha. E, como é bom de ver, já muito distantes do nosso objectivo inicial, que previa que, neste dia, a nossa viagem terminasse na cidade de Sète.

Marselha foi mais uma cidade que nos recebeu de noite. Por nós, com a temperatura que estava e com aquela vista, ganhou logo a pontuação máxima.

Jant√°mos no Le Refuge, na rua, reserv√°mos por telefone porque nos foi aconselhado, e, tal como j√° nos v√≠nhamos habituando, ador√°mos. Super-simples, mas com um servi√ßo do mais atencioso poss√≠vel. Ementa curta, mas isso n√£o foi um problema. Como acab√°mos por nos demorar pois estivemos a conversar com umas pessoas que conhecemos durante o jantar, acab√°mos por ultrapassar os ‚ā¨100, com as bebidas que consumimos ap√≥s o jantar.

Dormida no mais que acolhedor Maison Montgrand mesmo no porto velho. O local onde est√° situado √© o melhor. Recomendo! Na altura em que o reserv√°mos n√£o se discutem pre√ßos de dormidas pois √© mesmo muito dif√≠cil arranjar um s√≠tio para dormir nesta altura do ano. O quarto onde fic√°mos era pequeno, mas n√£o lhe faltava nada. O nosso quarto inclu√≠a pequeno-almo√ßo e ficou-nos por ‚ā¨175.

Dia 8
Marselha

Impossível ficar aqui apenas um dia, com tanto para ver! Mais uma vez, decidimos dividir a estada em duas partes distintas: o primeiro dia dedicado à cidade, excluindo visitas a monumentos e museus: palmilhar os bairros a pé, sem horários, só mesmo a ver tudo aquilo que tínhamos diante dos olhos. No segundo dia iríamos, então, visitar todos os monumentos que conseguíssemos.

A n√£o perder no primeiro dia‚Ķ Port Vieux (repleto de barcos); Porte d‚ÄôAix; o bairro Le Panier, ¬†o mais antigo de Marselha (para mim, genial); aqui mesmo, La Vieille Charit√©; o Cours Julien (continua o colorido, a agita√ß√£o, a arte de rua); o mercado do peixe; o bairro dos pescadores; e o porto de pesca Vallon des Auffes. O pequeno porto de Estaque, que n√£o necessita de coment√°rios, at√© porque se fica um pouco sem palavras com a vista sobre a ba√≠a da Marselha. Ver, nem que seja de longe (embora tamb√©m seja visit√°vel), La Cit√© Radieuse, pensada por Le Courbusier; o Bairro La Joliette ; e, aten√ß√£o: Les Docks ‚Äď ver para crer este projecto incr√≠vel de reabilita√ß√£o de armaz√©ns abandonados, transformados num centro de lojas, galerias, empresas, etc.!

Preparem-se para caminhar, pois s√≥ desta forma podem entrar, ver e espreitar tudo o que chama √† aten√ß√£o. E h√° muitas coisas nesta cidade com um ambiente cinematogr√°fico, que nos fazem voltar a cabe√ßa para tr√°s. Comprem o tradicional Savon de Marseille. V√£o at√© √† antiga f√°brica do Tabaco, na zona de Belle Mai, que, neste momento, alberga o projecto comunit√°rio dedicado √† produ√ß√£o de arte, com resid√™ncias art√≠sticas ‚Äď uma zona experimental que nos deixou encantados. Tomem um caf√© por l√° e respirem.

No fim do dia, cansados, mas muito felizes, jantámos no La Passerelle. Nota máxima para o terraço cheio de charme e super-intimista. Simples, despretensioso, repleto de gente bem disposta.

Dormida no New Hotel Saint Charles, muito perto do nosso primeiro hotel, portanto, muito bem localizado. ¬†Foi um gosto acordar aqui para o nosso nono dia de f√©rias. Aqui pag√°mos ‚ā¨95 e s√≥ porque entr√°mos para ver, and√°vamos j√° √† procura de um s√≠tio para ficar nessa noite e tinham acabado de fazer dois cancelamentos. Foi na hora certa.

Dia 9
Marselha
Marselha – St. Tropez (144km)

A n√£o perder no segundo dia em Marselha‚Ķ Mus√©e des Civilizations de l‚ÄôEurope et de la Mediterran√©e (um √≠cone de modernidade, de um bom gosto de n√£o se conseguir tirar os olhos); a Bas√≠lica de Notre Dame de La Garde (onde nos junt√°mos a muitos turistas, pois este ponto √© dos mais visitados); o Ch√Ęteau d‚ÄôIf (o Conde de Monte Cristo diz-vos algo? Se sim, n√£o deixem mesmo de visitar este castelo, a vista desta ilhota para o Port Vieux √© extraordin√°ria); o Mus√©e des Beaux Arts (o mais antigo da cidade) e as suas fontes maravilhosas, a sua fachada imponente e imperd√≠vel. Espreitem o Ville Mediterran√©e, porque vale a pena, o Mus√©e de Art Contemporain, a Abbaye St-Victor, o Fort St.Nicolas e o Palais du Pharo.

Neste nosso segundo dia em Marselha valeu-nos a preciosa ajuda do nosso pequeno-grande Arona. Ainda um pouco cansados da longa caminhada do dia anterior, optámos por andar de automóvel pela cidade, para poupar um pouco as pernas. Estacionámos em parques e na rua, algumas vezes não foi fácil, porque eram locais muito concorridos, mas acabámos sempre por encontrar um lugar para o Arona, que se estaciona com muita facilidade.

Marselha, sem qualquer sombra de d√ļvida, foi a cidade francesa mais ‚Äúdiferente‚ÄĚ que conhecemos. As pessoas, a vida, o ritmo, tudo aqui √© √ļnico e n√£o tem paralelo com nenhum outro local de Fran√ßa. Bem que os marselheses reclamam essa diferen√ßa que a hist√≥ria lhes legou, e com raz√£o ‚Äď j√° nos tempos do imp√©rio romano era assim‚Ķ

N√£o conseguimos resistir √† tenta√ß√£o de andar mais um pouco e ir visitar Saint Tropez. Por isso, no final do segundo dia em Marselha, fizemo-nos √† estrada e rum√°mos ao nosso novo destino. Cheg√°mos tarde, mas ainda a tempo de ver o sol a p√īr-se. E foi uma sorte incr√≠vel!

Jantámos no Restaurant L’G Envie, numa ruazinha estreita, onde só se passa a pé. Como não podia deixar de ser, pedimos mesa na rua. Havia que aproveitar enquanto o clima nos permitisse. Aqui fala-se português, por aquilo que percebemos, o dono é nosso compatriota e todos, sem excepção, são muito simpáticos. Tanto, que ficámos na conversa mesmo até fechar. E comemos muito bem e nada caro.

Dormida no Hotel Lion Blanc, no centro. Aten√ß√£o que aqui valeu uma cunha gigante. Fomos recomendados por uma amiga que por l√° ter vivido por 3 anos nos abriu esta porta. Quando l√° cheg√°mos, troc√°mos um olhar de desconfian√ßa, pois a entrada n√£o era muito sugestiva. Mas depressa se desvaneceu a d√ļvida: o hotel √© limpo, decorado com bom gosto e aten√ß√£o aos pormenores. O pessoal √© muito atencioso, e, apesar de pequeno, √© confort√°vel. Perto do centro, n√£o podia ter melhor localiza√ß√£o. O pre√ßo n√£o pode servir como refer√™ncia pois soubemos desde o in√≠cio que era um valor para ‚Äúamigos‚ÄĚ. Por norma e √© preciso reservar com muita anteced√™ncia, no centro n√£o se consegue dormir durante a √©poca alta por menos de ‚ā¨250/‚ā¨300 em alojamentos m√©dios. Pois o normal, para come√ßo de conversa, s√£o ‚ā¨600 j√° com algum glamour. No resto do ano √© mais acess√≠vel e f√°cil, sobretudo se n√£o calhar em √©pocas festivas.

Dia 10
St. Tropez
St. Tropez ‚Äď Avignon (210km)

Confesso que fui eu quem fez for√ßa para esta visita a Saint Tropez, porque fazia parte do meu imagin√°rio.¬† Ligada a um certo glamour que j√° ficou um pouco para tr√°s, mas que lhe criou uma imagem de marca que at√© hoje faz desta vila um dos s√≠tios mais visitados da C√īte D‚ÄôAzur, √© frequentada por milion√°rios e gente conhecida de todos os quadrantes. √Ä parte de tudo isto, sab√≠amos pelos amigos que j√° a haviam visitado que valia a pena. E valeu mesmo!

A n√£o perder‚Ķ O Vieux Port (se gostarem de barcos, podem ficar aqui horas); a Citadelle de St.Tropez (uma fortifica√ß√£o do s√©c.XVI); afastem-se um pouco para conhecer a c√©lebre praia Pampellone, repleta de clubes que oferecem tudo o que possa imaginar para um luxuoso dia de praia, e onde a agua √© bem fria, mas muito transparente e de um azul intenso. Na vila, visitem, sem d√ļvida, a Rue Fran√ßois Sibilli, tomem um caf√© no Sen√©quier, e, sobretudo, caminhem, andem muito a p√©, misturem-se com todos os que percorrem as ruas, vivam aquela ostenta√ß√£o que cabe numa vila pequena de origem humilde, mas que absorveu estes turistas todos que a visitam constantemente, e as celebridades que fazem parte do seu quotidiano, desde que um dia Brigitte Bardot decidiu colocar esta pequena localidade no mapa.

Nota: comer e dormir em St. Tropez é, de uma maneira geral, bastante caro. Por isso, quanto mais cedo se reservar, melhor, no entanto ainda se conseguem encontrar alguns locais dignos, mas sempre afastados da vila. Na restauração, é bom andar um pouco a pé e ir espreitando e consultando as ementas, que, normalmente, estão bem visíveis.

Porque acabámos por nos afastar mais de 600 quilómetros de Barcelona, achámos prudente guardar pelo menos dois dias para o regresso, para mantermos o ritmo que tínhamos marcado desde o nosso primeiro dia. Partimos o percurso ao meio, e resolvemos ainda dar uma espreitadela a mais um local que não tivéssemos conhecido.

A cidade escolhida foi Avignon, onde cheg√°mos j√° tarde. Jantar no Fou de Fafa, absolutamente espectacular, mas a obrigar a reserva pr√©via. Dormida no Hotel Central, mais um para a colec√ß√£o dos jardins e terra√ßos interiores que nos encantaram tanto, aqui por ‚ā¨150.

Dia 11
Avignon
Avignon ‚Äď Perpignan (245 km)

A não perder… Impressionante, o gigante Palácio dos Papas. De seguida, a incompleta e célebre Ponte de  St.Bénézet. A catedral de Notre Dame de Doms, com a sua estátua da Virgem Maria com 6 metros de altura. O museu du Petit Palais; a Praça de L’Horloge, que é a mais movimentada, mais central e mais conhecida. Foi-nos proposto irmos a cerca de 30 quilómetros da cidade ao Museu da Lavanda, pois toda esta região é rodeada por extensos campos desta bem cheirosa planta que é a rainha incontestada desta zona e que só divide o trono com as famosas vinhas. Mas preferimos ficar pela cidade. E não nos arrependemos. O mercado Les Halles (a gastronomia aqui é para ser levada a sério), as ruas maravilhosas do centro antigo da cidade.

No final do dia houve uma reuni√£o entre n√≥s. Que fazer? Ir para Barcelona ‚Äúqueimar‚ÄĚ os √ļltimos cartuchos com calma e serenidade, ou fazer ainda mais uma paragem, escolhendo de novo um s√≠tio por visitar, ainda mais perto do local onde apanhar o voo de regresso?

Ganhou a curiosidade. Decidimos n√£o ter um dia calmo em Barcelona, cidade de que muito gostamos, mas que j√° conhecemos razoavelmente bem. E l√° fomos n√≥s no final do nosso 11¬ļ dia de f√©rias acabar este roteiro absolutamente espantoso numa cidade francesa da qual n√£o possu√≠amos qualquer tipo de informa√ß√£o ‚Äď Perpignan.

Conseguimos reservar no Hotel Nyx.¬† N√£o √©, certamente, o melhor da cidade, mas, com a pouca anteced√™ncia com que fizemos a reserva, mais n√£o se podia pedir. Sobretudo, n√£o nos podemos queixar da limpeza, ou da simpatia dos seus funcion√°rios. Cobraram ‚ā¨117 pela noite.

Também tivemos o bom senso de marcar um restaurante, e fomos jantar ao Le Sud, terminando com chave de ouro num terraço magnifico, com um ótimo jantar e uma recepção de braços abertos.

Dia 12
Perpignan
Perpignan ‚Äď Barcelona (195 km)

Importa saber que esta pequena cidade tem uma curiosidade que desconhec√≠amos: √©, assumidamente, catal√£ de alma e cora√ß√£o. S√≥ a partir de 1659 ficou a fazer parte de Fran√ßa. Aqui fala-se catal√£o em diversos locais. √Č um ‚Äúco-idioma‚ÄĚ. E Perpignan transpira Catalunha por todos os poros, inclusive na gastronomia‚Ķ

A n√£o perder: Pal√°cio dos Reis de Mallorca (talvez o monumento mais conhecido, a sua constru√ß√£o remonta ao ano de 1276. Todo constru√≠do em tijolo, √© digno de uma visita); uma ronda pelos hot√©is instalados em edif√≠cios de perder o f√īlego, como o Hotel Pams, o Hotel de Ville, o Hotel de France, etc; a Catedral de Saint-Jean-Batiste (com uma arquitectura lind√≠ssima ¬†e imponente); o Castillet (monumento simb√≥lico da cidade); o Rio Tet, que atravessa Perpignan com as suas margens ajardinadas; a Casa Xanxo (casa medieval, com um friso na fachada onde est√£o representados os sete pecados capitais); a Loge de Mer; todo o centro hist√≥rico, que n√£o √© grande e, por isso, n√£o houve desculpa para o n√£o palmilhar.

Daqui, e pela hora do lanche, volt√°mos ao ‚Äúnosso‚ÄĚ Arona, para nos levar no nosso √ļltimo percurso na sua companhia. E foi assim que entr√°mos em Barcelona ao in√≠cio da noite.

Barcelona era minha. Estava assim combinado. Onde fomos jantar? Ao Pla, no bairro g√≥tico. Promessa feita, promessa cumprida. H√° uns bons anos atr√°s, t√≠nhamos jantado aqui com uns amigos, e quer√≠amos tanto voltar‚Ķ Falo por mim, confesso que sou f√£ incondicional e arrasto multid√Ķes com o meu entusiasmo. N√£o sei se pela extrema vontade de voltar, se por o servi√ßo e a ementa ainda estarem melhores, mas o que √© um facto √© que n√£o podia ter sido mais perfeito.

Dormida no Catalonia Sagrada Familia. E porqu√™ dormir num hotel desta cadeia? Porque j√° conhecemos e sabemos que a rela√ß√£o pre√ßo/qualidade √© boa. Deve haver mais de 20 hot√©is desta cadeia por Barcelona e arredores.Dormimos por ‚ā¨101 e muit√≠ssimo bem.

Depois do pequeno-almoço, fomos para o aeroporto. Era lá que tinha que ser feita a devolução do nosso fiel companheiro. Com imensa pena que o deixámos. Foram dias maravilhosos, e sem ele não teria sido tão bom.

Algumas notas de agradecimento, porque nada se faz sem aux√≠lio: a primeira vai para a presen√ßa constante das praias e dos imensos campos de vinhas que nos rodearam permanentemente, para o intenso calor, que nos deixou fazer refei√ß√Ķes ao ar livre defronte das mais deslumbrantes maravilhosas paisagens, que nos permitiu andar sempre sem preocupa√ß√Ķes com a roupa. A Natureza √© de uma perfei√ß√£o not√°vel, e, mesmo com todos os danos que permanentemente lhe infligimos, a Terra continua a ser um local maravilhoso para se visitar!

Uma palavra, tamb√©m, para as pessoas maravilhosas com que nos cruz√°mos, com quem fal√°mos, com quem rimos at√© √†s l√°grimas. √Č isto que se traz de umas f√©rias, isto tudo e mais a hist√≥ria que faz parte de todos os s√≠tios por onde pass√°mos, e que os torna √ļnicos e especiais. O ser humano, quando quer, tamb√©m √© a melhor companhia que se pode ter‚Ķ

Ao Seat Arona, como despedida, agradecemos tamb√©m. E como! Silencioso, confort√°vel, econ√≥mico, bonito, espa√ßoso, f√°cil de conduzir, intuitivo. Fazemos votos para o voltar a ver. E eu prometo regressar ao tema muito em breve, um contexto menos de lazer‚Ķ √Č s√≥ ficarem atentos!

 

Esta rubrica é escrita por uma mulher. Uma mulher que vive há uns bons anos rodeada de automóveis por todos os lados. Habituada a vê-los, a conduzi-los, a experimentá-los, a fotografá-los, a ler sobre eles, a olhá-los de perto e ao longe, e, com toda a liberdade, a poder criticá-los ou elogiá-los.

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Auto Pink
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