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Mercedes C 220 BlueTEC

Artigo
Mercedes C 220 BlueTEC

Visão geral
Marca:

Mercedes-Benz

Modelo:

c

Versão:

220 BlueTEC

Ano lançamento:

2014

Segmento:

Familiares médios

Nº Portas:

4

Tracção:

Traseira

Motor:

2.2 Diesel

Pot. máx. (cv/rpm):

170/3000-4200

Vel. máx. (km/h):

233

0-100 km/h (s):

7,4

CO2 (g/km):

109

PVP (€):

46 182/70 542

Gostámos

Evolução tecnológica, Qualidade referencial, Dinâmica de condução, Consumos, Segurança, Estilo e distinção

A rever

Espaço atrás, Motor ruidoso, Equipamento de série modesto, Lista de opções extensa

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Qualidade geral
10
Interior
8.0
Segurança
9.0
Motor e prestações
8.0
Desempenho dinâmico
9.0
Consumos e emissões
9.0
Conforto
9.0
Equipamento
5.0
Garantias
7.0
Preço
6.0
Se tem pressa...

O melhor entre os melhores, o novo Mercedes Classe C é a nova referência do segmento dos familiares médios de prestígio. A maior evolução de sempre entre duas gerações do popular modelo da marca da estrela

8.0
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Desde a sua primeira aparição pública (real ou virtual) já passei por, pelo menos, três estágios relativamente à nova geração do Classe C da Mercedes. Quando surgiram as primeiras imagens oficiais, e quando o vi ao vivo pela primeira vez, em salão, pareceu-me um automóvel por demais distinto, que decididamente iria marcar a diferença também no plano estético. Depois veio a segunda fase, quando comecei a encarar as primeiras unidades do modelo a circular na via pública, e em que me pareceu menos deslumbrante, algo apagado até, face às expectativas inicialmente criadas. Hoje, sinto-me como que a meio caminho entre as duas situações: não sendo, de facto, tão imponente quanto parecia quando visto isoladamente, também me parece integrar-se na paisagem urbana com a elegância suficiente para que não seja pelo estilo que o seu sucesso será condicionado.

Talvez tudo isto se deva, por um lado, ao corte radical que a Mercedes estabeleceu com a anterior geração do Classe C, e, por outro, à nítida inspiração que o modelo foi beber ao novo Classe S. Inequívoco é que, com os elementos da opcional linha AMG, como acontecia com a unidade ensaiada, o novo Classe ganha outra pose – merecendo aqui referência o pormenor delicioso das “pestanas” em LEDs azuis das ópticas dianteiras, que se iluminam quando se abre remotamente o fecho central.

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Elegante e distinto, o novo Mercedes Classe C ganha notoriamente em apelo estético com a adição da opcional Linha AMG

Do que não restam dúvidas é que este é não só o melhor Classe C de sempre, como um dos que mais evoluiu face ao modelo que o precedeu. Assente numa nova plataforma, é aqui analisado na versão que mais interessa ao mercado nacional por ora (a equipada com o motor 2.2 turbodiesel de 170 cv, no caso combinado com a opcional caixa automática de sete relações 7G-Tronic Plus), e não é preciso muito para perceber todo o progresso por si registado.

Mecanicamente, a alteração mais radical foi efectuada ao nível do châssis. Não tanto pelos elementos que o compõem, ou respectiva arquitectura, mas pela sua afinação, que confere ao novo Classe C uma postura e uma atitude francamente apelativas no plano dinâmico. Com suspensões multilink em ambos os eixos (aqui complementadas pelo opcional – mais um… – amortecimento pneumático Airmatic), e uma distância entre eixos incrementada 14 cm face ao seu predecessor (o comprimento total aumentou 32,5 cm, o que faz deste um dos maiores modelos do segmento), o novo C 200 BlueTEC é um verdadeiro primor em termos de comportamento.

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O sistema Agility, pela primeira vez disponível no Classe C, permite fazer variar o desempenho da direcção e do acelerador e, quando dotado o veículo da suspensão Airmatic, também do amortecimento pneumático

À sua disposição, a par da boa postura ao volante, o condutor começa por ter o novo sistema Agility (finalmente em consonância com a concorrência), que oferece cinco modos elegíveis (Economy, Confort, Sport e Sport+, além de um configurável às preferências do utilizador, denominado Individual), assim fazendo variar a resposta do acelerador e da direcção. Como a unidade em teste dispunha ainda de mais dois opcionais – a direcção Direct Steer Confort e a direcção Sports Direct Steer, esta última incluída na linha AMG -, sublinhe-se que a acção do sistema Agility se fazia sentir, neste caso, mais sobre o acelerador do que sobre a direcção.

Quanto à suspensão Airmatic (opção única neste segmento), as alterações entre os diversos modos eram mais notórias em termos de controlo de movimentos da carroçaria do que de conforto, o que não se estranha, tendo em conta que na linha AMG também estão incluídos a suspensão rebaixada 15 mm e as jantes de 18” com pneus de baixo perfil e diferentes dimensões nos dois eixos. Mas, ainda assim, há que reconhecer que é preciso a qualidade do piso degradar-se de forma dramática para que os ressaltos cheguem a incomodar efectivamente quem segue a bordo.

Em auto-estrada, o novo Classe C é, simplesmente, soberano em termos de comodidade e estabilidade, parecendo até imune aos ventos laterais. Ainda assim, é mesmo quando chegam as curvas que a verdadeira surpresa acontece, e até no modo mais macio da suspensão o modelo é muito eficaz, com reacções sempre honestas e previsíveis. A consistência comunicativa da direcção bastante directa aumenta em consonância com a velocidade, do mesmo modo que ao aumento da firmeza do amortecimento corresponde uma atitude mais acutilante.

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Rápido a curvar, com a traseira a acompanhar na perfeição o eixo dianteiro, mas sempre com uma segurança e facilidade de condução absolutamente notáveis (como é tão do agrado do típico cliente da Mercedes), quando todo o setup está orientado no sentido da máxima eficácia, o C 220 BlueTEC chega até a ser bastante divertido de conduzir nos traçados mais sinuosos e exigentes feitos mais “ao ataque”. E só não o posso considerar emocionante porque a marca da estrela insiste em não permitir a desactivação total do controlo de estabilidade nas versões dos seus modelos que não sejam verdadeiramente radicais, assim se perdendo aquele extra de agilidade que, seguramente, este châssis teria para oferecer – o máximo que se consegue é desligar o controlo de tracção, e mesmo assim é preciso percorrer através dos botões do volante multifunções os diversos menus do sistema de bordo para o conseguir… Não obstante, não é demais afirmar que, na nova geração, o Classe está mais dinâmico e intercactivo do que nunca!

Já o motor é um velho conhecido que sofreu algumas evoluções para ser capaz de cumprir já a norma Euro 6 de protecção ambiental, nomeadamente através da adição do AdBlue ao sistema de combustão – uma solução à base de 32,5% de ureia e 67,5% de água, destinada a reduzir drasticamente as emissões de óxidos de Azoto (NOx), e em que o acesso ao respectivo depósito, para reposição do nível, é feito através de um bocal existente junto ao do depósito de gasóleo, atrás da tradicional portinhola. Sempre disponível, este quatro cilindros de 2,2 litros não prima propriamente pelo silêncio de funcionamento, e os 170 cv que oferece dão para o que dão – adoptar ritmos muito interessantes em estrada aberta, depois de “embalado” o C 220 BlueTEC, mas sendo menos brilhante que a principal concorrência em termos de acelerações e recuperações.

Apesar de tudo, o progresso registado pela não menos conhecida caixa automática de sete relações (por isso agora designada 7G-Tronic Plus), ainda mais rápida na troca de mudanças, e com patilhas no volante para comando manual em sequência, permite disfarçar muito bem algum défice de potencia sentido pelo C 220 BlueTec face, por exemplo, ao BMW 320d de 184 cv quando o nível de exigência aumenta. Os consumos, esses, não merecem reparos, bem pelo contrário, com médias em condições reais de utilização na casa dos 6,5 l/100 km a serem dignas de encómios – pena que a autonomia seja limitada por um depósito com apenas 41 litros, isto é, menos 19 litros do que na anterior geração.

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Sem ter evoluído em termos de rendimento, o conhecido motor 2.2 turbodiesel já cumpre as futuras normas Euro 6, muito graças à adopção do AdBlue

Mas a experiência de condução do novo Classe C não se esgota na excelência da dinâmica – bem pelo contrário. O interior passa a ser a verdadeira referencia da sua categoria, pela qualidade (percepcionada como real!) dos materiais, dos acabamentos, do cuidado posto em todos os pormenores, sublinhada na unidade ensaiada pelo revestimento em pele do habitáculo, que se estendia, inclusivamente, ao tablier. Para a qualidade de vida a bordo contribui ainda, decisivamente, a óptima insonorização, que faz praticamente passar despercebida o desempenho medíocre do motor neste particular.

Também o design e a decoração interiores são do mais apelativo da classe (e da própria gama da Mercedes) do momento, ou não se tivesse, também aqui, o Classe C inspirado no topo de gama da casa de Estugarda. Funcional, elegante e exibindo um inegável bom gosto na combinação de elementos digitais e analógicos, prima pela riqueza dos pormenores decorativos, como sejam as saídas de ventilação ou as aplicações em alumínio nos botões de comando dos vidros eléctricos.

Claro que a tecnologia também marca aqui presença de destaque. Mesmo que a sua integração possa não ser tão bem conseguida como nalguns concorrentes, o enorme ecrã instalado ao centro do tablier (que mais parece um tablet de dimensões generosas, mas não táctil – felizmente…) garante uma visibilidade e legibilidade irrepreensíveis, sendo as funções do sistema de infoentretenimento controladas através, ou de um anel rotativo e de um touch pad colocados junto ao apoio central de braços, ou do volante multifunções. E para que os pouco adeptos destas novas tecnologias não se sintam menos à vontade, existe uma grande redundância para controlo das principais funções do veículo: vários botões de atalho para acesso directo, uns colocados na consola central, abaixo dos comandos da climatização (sistema de navegação, rádio, fontes multimédia e telefone), outros junto ao comando das luzes (direcção Direct Steer, assistente à manutenção na faixa de rodagem, inibição dos sensores de estacionamento e cruise-control activo).

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Também ao nível do habitáculo o Classe C passa a ser a referência da classe: qualidade, decoração e atenção aos detalhes acima de reparos

Duas notas dissonantes: a organização dos menus do ecrã instalado no painel de instrumentos (com uma excelente legibilidade, refira-se) passou, sem dúvida, a ser mais complexa e menos directa e intuitiva do que anteriormente; a colocação do touch pad sobre o anel rotativo faz com que, por vezes, se seleccione involuntariamente uma função não pretendida, dado que o movimento natural da mão para operar o segundo seja apoiar a respectiva palma sobre o primeiro, não sendo raro que a pressão da mesma o accione quando o não pretendemos.

No que à habitabilidade diz respeito, e não obstante o aumento do comprimento exterior e da distância entre eixos, o novo Classe C desilude um pouco, por não se conseguir equiparar à concorrência no espaço que disponibiliza a quem viaja atrás, sobretudo em altura e para as pernas. Já a mala, com 480 litros de capacidade, é das mais amplas desta classe, e ainda garante um fácil acesso, graças a um plano de carga baixo e bastante amplo. Sob o piso existe um espaço para arrumação de objectos e inclusive uma caixa desmontável em plástico (mais um item da lista de opções, em conjunto com a rede da bagageira e o duplo porta-copos desmontável instalado na consola central).

Sem dúvida a nova referência de um dos mais exigentes e disputados segmentos do mercado, o novo Mercedes Classe C não deixa contudo de ser um automóvel com o qual o convívio (ou a qualidade deste) muito depende de uma lista de opcionais praticamente interminável, o que tende a fazer variar substancialmente o seu preço em função das exigências de cada qual. A título de exemplo, atente-se na unidade ensaiada: €70 542 é quanto custa o protagonista deste ensaio, contra os €46 182 pedidos pela versão base… A par de tudo o que já foi referido anteriormente, e do descrito em detalhe na nossa ficha de equipamento, deixo aqui outros dos elementos mais marcantes, como o head-up display, o enorme tecto de abrir panorâmico, o excelente sistema de som Burmester ou os óptimos bancos desportivos dianteiros, parcialmente reguláveis electricamente. Mais uma vez se provando a velha máxima de que a qualidade e a sofisticação têm um preço… Mas que é o Classe C que mais gostei de conduzir até hoje, lá isso é!

Airbag para condutor e passageiro (desligável)
Airbags laterais dianteiros+traseiros
Airbags de cortina
Airbag para joelhos do condutor
Cintos dianteiros com pré-tensores+limitadores de esforço
Fixações Isofix
Controlo electrónico de estabilidade
Attention Assist
Collision Prevention Assist (alerta de colisão)
Sistema de capot activo
Ar condicionado automático bizona
Computador de bordo
Bancos dianteiros regulação eléctrica altura+inclinação costas
Volante em pele regulável em altura+profundidade
Volante multifunções
Rádio com leitor de CD/mp3+controlo Touchpad+ecrã TFT de 7″+Bluetooth para telemóveis/aúdio)+leitor de cartões SD+colunas dianteiras Frontbass
Vidros eléctricos FR/TR
Retrovisores exteriores eléctricos+aquecidos
Cruise-control+limitador de velocidade
Sensor de luz/chuva
Tampa da bagageira com abertura remota
Jantes de liga leve de 16″
Acabamentos em piano lacado preto
Sistema de controlo da pressão dos pneus
Kit de reparação de pneus
Pneus run-flat
Estojo de primeiros socorros

Pack de Assistência à Condução Plus (€2600 – inclui cruise-control adaptativo com assistente de direcção, assistência à manutenção na faixa de rodagem, monitorização de ângulo morto, sistema de alerta e protecção contra colisão traseira, BAS Plus, assistente de cruzamentos, travagem de emergência para segurança de peões, Pre-Safe, Pre-Safe Plus)
Pack Air-Balance (€450 – sistema de ionização, filtragem e aromatização do ar com quatro fragrâncias)
Pack Condução Dinâmica Airmatic (€1500 – inclui suspensão Airmatic)
Pack Luzes Ambiente (€300)
Sistema de luzes inteligentes LED (€1800 – inclui luzesLED adaptativas em função das condições de condução+luzes diurnas por LED integradas nas ópticas)
Keyless-Go start (€150 – arranque sem chave)
Pack fumadores (€100)
Head-up Display (€1250)
Vidros laterais traseiros+óculo traseiro escurecido (€450)
Tecto de abrir panorâmico em vidro (€2200)
Sistema de som surround Burmester (€950)
Caixa automática 7G-Tronic Plus (€2600)
Sistema de estacionamento activo (€900)
Direcção Direct Steer Confort (€250)
Espelhos retrovisores electrocromáticos+rebatíveis electricamente (€550)
Assistente de máximos Plus (€150)
Pack Bancos Conforto (€250 – inclui regulação lombar de quatro vias)
Desactivação automática do airbag do passageiro (€150)
Pack espaços de arrumação (€100 – inclui rede na bagageira, caixa desmontável e duplo porta-copos na consola central)
Comand Online (€2500 – inclui Assistente de Limite de Velocidade, Informaç\ao de Tráfego em Directo, leitor de DVD, comandos por voz, sistema de navegação, antena para telefone, antena para GPS, Emergence Call System,
Linha AMG exterior+interior (€3950 – inclui jantes em liga leve de 18″ de cinco raios, pára-choques específicos, saias laterais específicas, molduras das janelas em alumínio, discos dianteiros perfurados, suspensão desportiva rebaixada 15 mm, sistema Sports Direct Steer, guarda-lamas alargados, tapetes AMG, bancos desportivo em pele Artico, volante desportivo de três braços com secção inferior plana e patilhas de comando da caixa, acabamentos em alumínio, forro de tejadilho preto, painel de instrumentos com ecrã TFT de 5,5″, pedaleira metálica)

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Sobre o autor
António de Sousa Pereira
Absolute Motors é um projecto de informação essencialmente dedicado à área dos motores, com particular foco nos sectores dos automóveis e das motos, mas sem prejuízo de cobrir qualquer outra área de interesse manifesto para os seus leitores.
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