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Renault apresenta plano Renaulution: da revolução ao regresso do R5

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Renault apresenta plano Renaulution: da revolução ao regresso do R5

O Grupo Renault apresentou hoje o seu novo plano estratégico Renaulution. E, com ele, promete operar uma pequena revolução nas suas actividades (e não só…), por forma a reorientar a sua postura no que diz respeito ao alcançar dos volumes de vendas que permitam a criação de valor. Para tal, foram criadas três fases, a lançar em paralelo: a fase “Ressurreição” estender-se-á até 2023 e está centrada na recuperação da margem e na criação de liquidez; seguir-se-á, até 2025, a fase “Renovação”, assente na renovação e no enriquecimento das gamas de produtos que contribuem para a rentabilidade das marcas que compõem o conglomerado francês (Renault, Dacia, Alpine e a nova Mobilize, centrada nas novas formas de mobilidade); iniciando-se, em, 2025, a fase “Revolução”, cujo fito é transformar o modelo económico para a tecnologia, energia e mobilidade, de modo a tornar o grupo Renault num precursor no domínio das novas formas de mobilidade

Para restaurar a sua competitividade, o Grupo Renault pretende melhorar a eficácia da engenharia e da produção, para reduzir custos fixos e melhorar os custos variáveis; tirar partido dos seus actuais activos industriais e da liderança que detém nos veículos elétricos na Europa; apoiar-se na aliança com Nissan e Mitsubishi para incrementar a capacidade de desenvolvimento de produtos, actividades e tecnologias; acelerar os serviços de mobilidade, os serviços relativos à energia e os relativos aos dados; e melhorar a rentabilidade através de quatro diferentes unidades de negócio, baseadas nas suas outras tantas marcas.

Para alcançar o desiderato pretendido, será criada uma nova organização, com cada marca a ser responsável pelas respectivas atividades e pela sua própria rentabilidade, para que a empresa avalie o seu desempenho, não através das quotas de mercado ou volumes de vendas, mas em função da rentabilidade, da liquidez e da eficácia dos investimentos. Quanto a objectivos financeiros, são almejados um aumento da margem operacional do ramo automóvel, assim como uma redução para cerca de 8% do volume de negócios dos investimentos e despesas em investigação e desenvolvimento, e isto sem perder de vista o compromisso de neutralidade carbónica do Grupo Renault, na Europa, até 2050.

Fundamentais para que as metas propostas sejam exequíveis serão factores como a redução do número de plataformas de seis para três (com 80% das vendas do grupo a serem asseguradas por três plataformas da aliança); a redução do número de famílias de motores de oito para quatro; e que todos os modelos a lançar, com base nas plataformas existentes, estejam no mercado em menos de 3 anos. Redimensionamento, Referência, ainda, para o redimensionamento da capacidade de produção de 4,0 milhões de unidades anuais, em 2019, para 3,1 milhões de unidades em 2025, e para o reforço da presença em mercados com margens mais substanciais, como a América Latina, a Índia ou a Coreia.

Na mira do Grupo Renault está, igualmente, a criação de um portfólio de produtos mais equilibrado e rentável, que prevê 24 lançamentos até 2025 – metade dos quais nos segmentos C e D, e onde se incluem, pelo menos, dez veículos eléctricos. Aliás, liderar na electrificação até 2025 é outra das ambições do fabricante francês: além da criação, previsivelmente no Norte de França, de um novo pólo de produção de veículos eléctricos com a maior capacidade do grupo em todo o mundo, será estabelecida uma joint-venture relacionada com o hidrogénio, para atacar o mercado das fuel cells, isto para que a gama de modelos seja a mais “verde” da Europa (onde metade dos lançamentos estarão a  cargo de veículos elétricos), e em que os híbridos garantam 35% das vendas.

A propósito desta pequena revolução interna, o Grupo Renault aproveitou para dar a conhecer alguns planos concretos de cada uma das suas marcas. Na própria Renault, a estratégia baptizada como Nouvelle Vague aponta para o lançamento de 14 novos modelos até 2025, sete dos 100% eléctricos, e sete segmentos destinados aos segmentos C e D, sendo que todos contarão com uma versão totalmente eléctrica ou híbrida.

Mas a novidade mais substantiva é, inquestionavelmente, o Renault 5 Prototype, protótipo que pretende representar a própria materialização do plano Renaulution em termos de produto, por ilustrar a pretensão da marca do losango de democratizar o automóvel eléctrico na Europa, através de uma abordagem moderna de um modelo extremamente popular na sua época. Citadino, compacto e 100% eléctrico, o Renault 5 Prototype, apresentado em versões de três e cinco portas, pretende catapultar para o futuro um dos ícones intemporais da casa de Billancourt, bebendo, assumidamente, inspiração no R5 original, mas conferindo-lhe um toque de inequívoca modernidade: atente-se nas ópticas dianteiras; na entrada de ar no capot (que esconde a tomada de carregamento da bateria); nos deflectores aerodinâmicos integrados nos farolins traseiros; nos faróis de nevoeiro embutidos no pára-choques, que funcionam como luzes de condução diurna; no “5” plasmado nas grelhas laterais, nas jantes e no emblema logo traseiro; na bandeira francesa aplicada nos retrovisores; e nos logótipos frontal e posterior iluminados.

Passando à Dacia, a sua eficiência, agora subordinada ao lema “Mais Dacia, sempre Dacia”, será, desde logo, incrementada pela redução do número de plataformas utilizadas de quatro para uma, sendo a eleita a CMF-B, tendo também sido definida a redução de dezoito para onze o número de tipos de carroçarias propostas. Além de reforçar a sua aposta no GPL, e passar a dispor da tecnologia híbrida E-Tech, até 2025, a marca romena irá lançar sete novos modelos (incluindo os nodos Sandero e Logan, e o inédito Spring, o mais acessível citadino eléctrico da Europa), dois dos quais destinados ao segmento C. E a chegada ao segmento mais importante do Velho Continente e já antecipada pelo Bigster Concept, protótipo do futuro topo de gama da Dacia, um SUV de sete lugares com 4,6 m de comprimento, robusto e espaçoso, marcado pela assinatura luminosa em “Y” mais larga do que o habitual, pela utilização sistemática de plásticos reciclados em todos os painéis de proteção exteriores, e por recorrer a uma plataforma capaz de acolher motores com energias alternativas e híbridos.

Já a Alpine passa a reunir a Alpine Cars, a Renault Sport Cars e a Renault Sport Racing numa nova entidade, numa das suas vertentes dedicada ao desenvolvimento de automóveis desportivos exclusivos e inovadores. Uma marca que oferecerá uma gama de modelos totalmente eléctrica, e cujo calendário de lançamentos aponta para um compacto desportivo baseado na plataforma CMF-B EV (quiçá o sucessor do Renault Clio R.S.); para um crossover desportivo destinado ao segmento C, baseado na plataforma CMF-EV (a mesma que está na base do Renault Mégane eVision e do Nissan Aryia); e para um coupé desportivo destinado a substituir o actual A110, este desenvolvido em conjunto com a Lotus, ao abrigo de um novo protocolo firmado entre as duas marcas.

Igualmente a reter, o facto de a Alpine passar a ser a divisão desportiva do Grupo Renault, o que significa que lhe caberá assegurar a sua representação na disciplina máxima do automobilismo de velocidade. O que levou á revelação da nova decoração do monolugar com que o construtor gaulês irá participar na temporada de 2021 da Fórmula 1, sob o nome Alpine F1.

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Sobre o autor
António de Sousa Pereira
Absolute Motors é um projecto de informação essencialmente dedicado à área dos motores, com particular foco nos sectores dos automóveis e das motos, mas sem prejuízo de cobrir qualquer outra área de interesse manifesto para os seus leitores.
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