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Em constante evolução

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Em constante evolução

No mundo actual, a atenção para com o meio ambiente é cada vez mais uma realidade, mas também uma necessidade.

Segundo afirmam os mais conhecedores desta matéria, o “stress” ambiental está a aumentar porque, mesmo que fosse possível manter a actual participação dos combustíveis fósseis na matriz energética mundial e responder ao aumento da procura, as emissões de CO2 estão num caminho de desenvolvimento que podem ameaçar seriamente o bem-estar humano. Ou seja, mesmo com moderação do uso de combustível fóssil e a gestão eficiente do CO2, o caminho a seguir é ainda altamente desafiante, tanto mais que a população Mundial mais do que duplicou desde a década de 50 do século passado e a projecção é que ela venha a aumentar cerca de 40% até 2050, o que implicará o aumento do consumo de energia.

Segundo um recente estudo, que analisou as tendências energéticas de longo prazo e desenvolveu projeções para os mercados mundiais de energia nas próximas duas décadas, a expansão económica em curso na Ásia – particularmente na China e na Índia – irá impulsionar o crescimento contínuo da procura mundial de energia nos próximos 20 anos, que deverá aumentar 37% de 2013 a 2035, ou seja 1,4% ao ano, em média, enquanto as emissões globais de CO2 até 2035, com base nas suas projeções dos mercados de energia e da evolução mais provável de políticas relacionadas com o carbono, deverão aumentar 1% ao ano até 2035, ou seja 25% ao longo do período, numa trajetória significativamente acima do caminho recomendado pelos comunidade científica.

Devemos pois estar conscientes deste facto e desejar contribuir activamente para um futuro melhor, entendendo que a nossa actividade pode marcar pela diferença.

Numa altura em que, profissionalmente, analiso o desempenho anual da Entidade Gestora onde exerço a minha actividade e preparo a Declaração Ambiental, documento que espelha o impacto ambiental que provocamos, bem como os objectivos e metas que nos propomos alcançar, avaliando a evolução do nosso desempenho e, tendo como premissa a sua melhoria contínua, julgo ser oportuno fazer uma reflexão e deixar alguns comentários.

Relativamente a 2014, não é possível tecer comentários quanto aos principais indicadores de desempenho da nossa actividade sem fazer referência ao instável ambiente económico que ao longo do ano, directa e indirectamente, contribuiu para os resultados obtidos.

As melhores estimativas, no início do ano, apontavam para um ténue crescimento do mercado de lubrificantes novos que veio, de facto, a registar um aumento significativo, cerca de 7% comparativamente com o período homólogo, tendo sido muito mais moderado (a rondar os 4%), o crescimento do mercado dos óleos que produzem óleos lubrificantes usados.

Contudo, o aumento acima referido, não se traduziu no aumento proporcional das recolhas. Se por um lado o reconhecido aumento do período de vida útil dos lubrificantes, alarga o período de tempo entre a colocação no mercado e a disponibilidade para recolha, implicando que os óleos apenas aparecem como usados mais do que um ano depois, dificulta o atingimento das metas existe ainda a observação da actuação de operadores no terreno, que funcionando fora do circuito integrado, vão exercendo actividades de recolha e encaminhamento, sem que se saiba os volumes movimentados e os destinos de encaminhamento.

Porém, apesar do legítimo descontentamento pela existência de actividades paralelas, existem inúmeras razões para nos sentirmos orgulhosos do nosso desempenho.

Imprescindível para um bom desempenho, começo por sublinhar a importância das ferramentas de gestão, para as empresas e outras organizações o avaliarem, reportarem e melhorarem.

Com a obtenção do registo EMAS – EMAS Eco Management and Audit Scheme (EMAS) ou Sistema Comunitário de Ecogestão e Auditoria, a que já fizemos referência noutros artigos e que é uma ferramenta de gestão de participação voluntária que abrange organizações públicas ou privadas, e que é um mecanismo que visa promover a melhoria contínua do desempenho ambiental das organizações mediante o estabelecimento e a implementação de sistemas de gestão ambiental, bem como a disponibilização de informação relevante ao público e outras partes interessadas, demos um passo significativo rumo à concretização das expectativas geradas e à construção sustentada de um desempenho ambiental de excelência.

Mas para além do desempenho ambiental, onde a obtenção do registo EMAS foi sem dúvida um marco muito importante para nós e para todos os intervenientes envolvidos, e de termos excedido as taxas de valorização, regeneração e reciclagem, também o nosso desempenho social é digno de realce. A assinatura de protocolos com entidades académicas para o desenvolvimento de estudos e a concepção de bolsas na área do ambiente e da caracterização dos óleos novos e usados para regeneração, a nossa participação na iniciativa “Criar Bosques” com plantação de 9 hectares de árvores autóctones ou ainda a ajuda a organizações de solidariedade social e o apetrechamento de um centro de treino de comando de bombeiros, são disso bons exemplos.

Os resultados obtidos deixam-nos pois extremamente satisfeitos e manifestam uma trajectória sustentada por objectivos de melhoria contínua do Sistema Integrado de Gestão de Óleos Usados (SIGOU).

Porque o óleo tem mais vidas!

Aníbal Vicente
Gerente da Sogilub

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Aníbal Vicente
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