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Kia Stinger 3.3 T-GDI GT AWD

Artigo
Kia Stinger 3.3 T-GDI GT AWD

Visão geral
Marca:

Kia

Modelo:

Stinger

Versão:

3.3 T-GDI GT AWD

Ano lançamento:

2017

Segmento:

Coupés

Nº Portas:

5

Tracção:

Integral

Motor:

3.3-V6

Pot. máx. (cv/rpm):

370/6000

Vel. máx. (km/h):

270

0-100 km/h (s):

4,9

Consumos (l/100 km):

8,5/10,6/14,2
(Extra-urbano/Combinado/Urbano)

CO2 (g/km):

244

PVP (€):

78 900/79 390 (unidade testada)

Gostámos

Comportamento dinâmico, Estética, Habitabilidade traseira, Equipamento de série, Qualidade geral, Conforto

A rever

Capacidade da mala, Caixa lenta

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Qualidade geral
8.0
Interior
9.0
Segurança
9.0
Motor e prestações
8.0
Desempenho dinâmico
9.0
Consumos e emissões
8.0
Conforto
8.0
Equipamento
9.0
Garantias
9.0
Preço
8.0
Se tem pressa...

Mesmo para os mais reticentes, a versão de topo do Stinger, com motor V6 e tracção integral, seguramente que constituirá uma muito agradável surpresa. Muito provavelmente, o melhor automóvel coreano de sempre

8.5
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Há muito que já é novidade para ninguém que o Grupo Hyundai está tudo menos disposto a abdicar do seu objectivo de ganhar ainda mais posições no topo da tabela dos maiores construtores de automóveis do mundo. E não só em termos de vendas (vertente em que ocupa já o quinto lugar do ranking), mas também de reconhecimento – seja das suas capacidades tecnológicas, seja no que à imagem das suas marcas diz respeito.

Para o alcançar deste desiderato será fundamental o desempenho da Kia, uma das principais apostas do conglomerado sul-coreano para a Europa. Que, recentemente, passou a contar com um novo ponta-de-lança na sua oferta: o Stinger, o seu primeiro modelo de tracção traseira, que não deixa de abarcar na sua lista de potenciais concorrentes algumas propostas germânicas, até porque na respectiva concepção se reuniram os melhores ofícios de Peter Schereyer (o líder do design da marca, que, entre outros, trabalhou no estilo do Audi TT), Gregory Guillaume (chefe de design da Kia na Europa, também ele um “ex-Grupo VW)) e Albert Biermann (o homem que, até 2014, foi um dos responsáveis pela divisão M da BMW).

Depois de um primeiro contacto com a versão turbodiesel do coupé familiar desportivo que a Kia anuncia como imbuído do conceito GT, eram elevadas as expectativas de poder testar o Stinger 3.3 T-GDi GT AWD, a versão de topo do seu novo topo de gama.  Que, no plano estético, de todo foram goradas: com 4,8 metros de comprimento, mais de 2,9 metros entre eixos, e senhor de uma estética soberba, este é um automóvel que a ninguém deixa indiferente, e que a quase todos espanta quando se apercebem do logótipo que pontifica nos extremos da sua carroçaria.

Com uma perfeita proporcionalidade entre os diversos volumes, e dominado por uma frente agressiva, do tipo “tiger nose”, marcada pelo longo capot, e pelos grupos ópticos que se prolongam pelos flancos, o Stinger conta ainda com inúmeros elementos estilísticos que muito contribuem para o seu elevado apelo visual (uns mais funcionais que outros…), não deixando, sob certos ângulos, em particular de traseira, de evocar algumas criações da Maserati. Sem dúvida o automóvel coreano que mais curiosidade, e até cobiça, é capaz de despertar junto dos europeus nos dias que correm.

São raros os que conseguem ficar indiferentes ao apelo visual do novo topo-de-gama da Kia na Europa

São raros os que conseguem ficar indiferentes ao apelo visual do novo topo-de-gama da Kia na Europa

Como será fácil de depreender, os generosos comprimento e distância entre eixos não influem só na imponência visual do Stinger. Permitem, também, que, à excepção da altura, não mais do que aceitável, sobretudo atrás, as suas quotas de habitabilidade sejam de muito bom nível, em especial no que ao espaço disponibilizado às pernas dos ocupantes do banco traseiro diz respeito. Já a capacidade da mala é apenas mediana, não indo além dos 406 litros com a lotação total disponível (refira-se que o formato do banco, e o túnel de transmissão, condicionam deveras o transporte de um terceiro passageiro atrás), ampliável até 1114 litros mediante o rebatimento do banco traseiro.

Mas há mais que merece ser tido em conta no interior do novel coupé coreano.  Desde logo, um equipamento de série extremamente rico, praticamente não existindo opções além da pintura metalizada, assim como uma óptima posição de condução, para a qual contribuem decisivamente o volante com uma excelente pega, a boa ergonomia e a disposição dos comandos ao estilo de um cockpit. Depois, além de uma decoração muito convincente, o Stinger prima, ainda, pelo elevado rigor construtivo, garantido por materiais, na sua maioria, de elevada qualidade, com acabamentos e montagem a condizer.

E se é inegável que, em qualquer destes três capítulos, o nível alcançado ainda estará uns furos abaixo do exibido pelos melhores representantes da indústria automóvel germânica, não o é menos que a bordo do Stinger 3.3 T-GDi GT AWD não se ouve um ruído parasita, o que não é de somenos. Sendo ainda digno de nota o bom trabalho levado a cabo na insonorização do habitáculo, o q.b. para que as viagens mais longas se realizem com grande conforto no que ao isolamento do ruído exterior concerne, mas sem que este seja excessivo, por forma a que o condutor possa sentir tudo o que se passa com o veiculo, mormente com a mecânica em termos auditivos.

O generoso comprimento exterior, e a ampla distância entre eixos, garantem um excelente espaço para pernas atrás

O generoso comprimento exterior, e a ampla distância entre eixos, garantem um excelente espaço para pernas atrás

O que remete directamente para outra característica determinante deste Stinger 3.3 T-GDi GT AWD: o motor V6 biturbo de 3,3 litros montado em posição longitudinal, apto a disponibilizar 370 cv de potência, e um binário máximo de 510 Nm. Mais linear do que explosivo, pode até nem ser a unidade mais entusiasmante do mercado na sua categoria, mas adapta-se de forma mais do que satisfatória à filosofia GT do modelo: suficientemente potente, convence pela sua ampla disponibilidade em todos os regimes, e por um funcionamento suave e bastante silencioso, tornando-se mais (agradavelmente) audível a alto regime, em particular quando seleccionados os modos de condução mais desportivos, aqueles em que a sonoridade do escape faz com que se torne mais presente.

Por outro lado, não só é capaz de garantir boas prestações, como de registar consumos comedidos em estrada a velocidades moderadas, não deixando estes de ser muito aceitáveis também em cidade, tendo ficado, inclusivamente, abaixo do anunciado pela Kia. E mesmo a ritmos mais intensos estão longe de assustar, tendo em conta o rendimento da unidade motriz, já que, sem grandes preocupações com o pedal da direita, as médias andarão em torno dos 15,0 l/100 km. Já a caixa automática de oito velocidades, a única disponível, concebida e construída pela própria Kia, embora muito suave, não é, de todo, das mais rápidas, nem mesmo quando operada manualmente em sequência através das patilhas no volante.

Assente na plataforma da Genesis, a divisão de luxo do grupo sul-coreano, o Stinger é o modelo com maior rigidez de sempre da Kia, tendo ainda recebido uma nova suspensão dianteira, e uma nova afinação para o eixo traseiro. Nesta versão de topo, e pelo menos para já, só é proposto com sistema de tracção integral com diferencial traseiro autoblocante electrónico, cuja repartição de binário varia em função dos modos de condução disponíveis: 50/50 quando seleccionados os Smart (adapta-se ao tipo de condução praticada), Eco e Comfort; 20/80 se eleitos os modos Sport e Sport+ (aquele que, em teoria, inibe o funcionamento do ESP).

Em auto-estrada ou estrada aberta, o Stinger 3.3 T-GDI GT AWD devora quilómetros com uma grande facilidade de condução e um elevado conforto de marcha

Em auto-estrada ou estrada aberta, o Stinger 3.3 T-GDI GT AWD devora quilómetros com uma grande facilidade de condução e um elevado conforto de marcha

Posto isto, há que destacar que o comportamento dinâmico foi mesmo a maior surpresa, pela positiva, proporcionada por este Stinger 3.3 T-GDi GT AWD – e mais ainda para quem não é particular adepto de desportivos de tracção total, pelo menos com este nível de potência e peso. A correcta repartição de massas, o eficiente controlo dos movimentos da carroçaria, a notável estabilidade direccional e as reacções sempre muito previsíveis desde logo fazem deste um automóvel extremamente fácil e agradável de conduzir.

Não menos estimulante, a facilidade com que o Stinger consegue passar de uma confortável berlina, capaz de devorar quilómetros atrás de quilómetros, a um muito ágil coupé nos traçados mais sinuosos. A prioridade dada pela tracção integral ao eixo traseiro confere-lhe um carácter tendencialmente sobrevirador nos limites; a frente muito precisa nas entradas em curva conjuga-se com uma traseira que facilmente ganha vida para conferir aquele toque extra de emoção e divertimento ao volante, sendo as saídas de traseira facilmente controladas com a ajuda de uma direção rápida, precisa, informativa e de excelente tacto, da tracção total e do autoblocante electrónico – que, por sua vez, evitam que o ESP entre em acção prematuramente, já que, apesar de apesar de “teoricamente” desligável, na prática, este dispositivo está sempre alerta, e, não raro, nas versões de tracção apenas posterior, intervém mais cedo do que o desejável no que deveriam ser consideradas situações limite.

A tudo isto some-se a muito competente travagem, garantida pelas pinças Brembo montadas nas quatro rodas, e o roncar do V6 nas solicitações mais intensas, sobretudo quando nos modos Sport e Sport+, e estão garantidos a emoção e o prazer ao volante do Stinger 3.3 T-GDi GT AWD. Esperando –se para muito breve (provavelmente, já para 2018!) sensações ainda mais fortes, quando chegar ao mercado a variante do Stinger equipada com este motor, mas tracção apenas traseira e, quem sabe?, um ESP de afinação mais “permissiva” quando desligado.

O óptimo e bem afinado châssis, em conjunto com a tracção integral, garantem ao Stinger 3.3 T-GDI GT AWD uma muito meritória atitude em traçados sinuosos

O óptimo e bem afinado châssis, em conjunto com a tracção integral, garantem ao Stinger 3.3 T-GDI GT AWD uma muito meritória atitude em traçados sinuosos

Assim sendo, é imperioso reconhecer que o Stinger foi uma das boas surpresas do sector automóvel deste ano de 2017 que se apresta a terminar. E por várias razões: pela coragem da Kia em lançar uma proposta que assume representará, sobretudo na Europa, muito mais para a sua afirmação enquanto marca de referência entre os construtores ditos generalistas (e sem deixar de ameaçar os premium…), do que pelos proveitos directos que poderão gerar as respectivas vendas; pela soberba aparência exterior; pela sua impressionante competência dinâmica, também ela já muito próxima, ou mesmo ao nível (consoante os casos…), dos poderosos fabricantes alemães – sendo exemplo disso mesmo a sua versão de topo aqui avaliada, capaz de pedir meças ao Audi A5 Sportback, e não ficando assim tanto aquém do BMW Série 4 Gran Coupé neste particular. E este é só o primeiro ensaio da Kia nesta matéria…

Claro que tudo isto tem que ser pago, e o Stinger não só não é barato, como se insere num patamar de preços que, por ora, poucos considerarão condicente com um Kia. Mas, para quem consiga despir-se de preconceitos, e esquecer a potencial desvalorização quando da retoma, há que reconhecer que, aplicado o desconto de lançamento de €8000, os €78 900 pedidos por este Stinger 3.3 T-GDi GT AWD acabam por se ajustar a todos os atributos evidenciados pelo modelo – e mais ainda se se tiver em conta que nesta verba se inclui um equipamento de série por demais completo, que numa marca alemã obrigará ao dispêndio adicional de alguns milhares de euros, bem como uma garantia de sete ano que, neste caso, inclui já a manutenção programada pelo mesmo período de tempo.

Para os amantes da tracção apenas traseira, ou mais limitados de orçamento, existem sempre as opções 2.0 Turbo de 255 cv, por €55 650, e turbodiesel 2.0 CRDi de 220 cv, por €57 650. Esta última, indubitavelmente, aquela que mais poderá ser vista nas estradas portuguesas.

Travão de estacionamento eléctrico
Airbag para condutor e passageiro (desligável)
Airbags laterais dianteiros
Airbags de cortina
Airbag para os joelhos do condutor
Controlo electrónico de estabilidade
Cintos dianteiros com pré-tensores+limitadores de esforço
Fixações Isofix
Sistema de travagem de emergência com alerta de colisão e reconhecimento de peões
Sistema de monitorização de veículos no ângulo morto
Sistema de leitura de sinais de trânsito
Assistente à manutenção na faixa de rodagem
Assistente aos arranques em subida
Sistema de alerta de atenção do condutor
Ar condicionado automático bizona
Computador de bordo com ecrã TFT de 7″
Cruise-control adaptativo+limitador de velocidade
Head-up display
Bancos desportivos em pele
Bancos dianteiros com regulação eléctrica (memória para o condutor), aquecidos e ventilados
Bancos traseiros aquecidos
Volante desportivo em pele, regulável electricamente em altura+profundidade
Volante multifunções aquecido
Direcção com assistência eléctrica variável
Carregador sem fios para smartphones
Sistema de som Harman Kardon com 15 altifalantes+ecrã táctil de 8″+entradas USB/Aux
Mãos-livres Bluetooh
Sistema de navegação
Vidros eléctricos FR/TR
Retrovisores exteriores eléctricos+aquecidos+rebatíveis electricamente+electrocromáticos
Retrovisor interior electrocromático
Sensor de luz+chuva
Sensores de estacionamento dianteiros+traseiros
Câmara de estacionamento traseira 360°
Portão traseiro com abertura/fecho eléctricos
Faróis integralmente por LED com luzes de curva
Assistente de máximos
Alarme
Pedaleira em alumínio
Jantes de liga leve de 19”
Sistema de monitorização da pressão dos pneus
Kit de reparação de pneus

Pintura metalizda (€49o)

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Sobre o autor
António de Sousa Pereira
Absolute Motors é um projecto de informação essencialmente dedicado à área dos motores, com particular foco nos sectores dos automóveis e das motos, mas sem prejuízo de cobrir qualquer outra área de interesse manifesto para os seus leitores.
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