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VW ID.3 1st Plus

Artigo
VW ID.3 1st Plus

Visão geral
Marca:

VW

Modelo:

ID.3

Versão:

1st Plus

Ano lançamento:

2021

Segmento:

Familiares compactos

Nº Portas:

5

Tracção:

Traseira

Motor:

Eléctrico

Pot. máx. (cv/rpm):

204/n.d.

Vel. máx. (km/h):

160

0-100 km/h (s):

7,3

Autonomia eléctrica (km):

420 (Ciclo combinado WLTP)

PVP (€):

45 064

Gostámos

Autonomia, Acelerações e reprises, Desempenho dinâmico, Facilidade e agrado de condução, Opções de carregamento, Visual exterior

A rever

Preço elevado, Qualidade dos materiais interiores, Colocação do selector da transmissão

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Qualidade geral
7.0
Interior
9.0
Segurança
9.0
Motor e prestações
8.0
Desempenho dinâmico
9.0
Consumos e emissões
8.0
Conforto
8.0
Equipamento
8.0
Garantias
8.0
Preço
7.0
Se tem pressa...

Não faltam atributos ao "ponta-de-lança" na Europa da ofensiva eléctrica da VW: o ID3 1st Plus reúne um invejável leque de argumentos, que de imediato o tornam numa das referências da sua categoria. A dinâmica é de nível superior, o habitáculo espaçoso e tecnológico, as opções de carregamento variadas e até a estética convence, desde logo por não marcar a diferença negativa. Os pontos menos positivos tendem a ser compensados pelo amplo leque de qialidade, mais difícil poderá ser lidar com um preço que, decididamente, não está ao alcance da maioria

8.1
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O ID.3 1st Plus, aqui em análise detalhada, é uma das três derivações da série especial concebida pela VW para lançar o seu primeiro automóvel de propulsão 100% eléctrica criado especificamente como tal, e assente na sua primeira plataforma modular dedicada – a já célebre MEB, que servirá uma miríade de propostas semelhantes, tanto da própria VW como de várias outras marcas do grupo germânico. O ID.3 tem sido, sem dúvida, o modelo da casa de Wolfsburg que mais expetactiva criou junto do mercado e dos consumidores nos últimos tempos, o que, só por si, diz muito da sua importância para o seu construtor, corroborada pelo extraordinário investimento por este efectuado numa ofensiva eléctrica sem paralelo.

Será, por isso, expectável e entendível o anseio por conhecer de perto aquele que, na Europa, será o “ponta de lança” desta fortíssima aposta nos eléctricos por parte do maior fabricante automóvel europeu. E o primeiro impacto positivo surge logo nos primeiros momentos, por via de um visual exterior que, independente dos seus méritos e deméritos, prima por conferir ao ID.3 um ar bastante comum, ou seja, sem que passe despercebido, também não recorre a uma estética por demais disruptiva, como tantas vezes acontece com este género de propostas.

Outro factor a ter em conta, neste particular, é que o ID.3 também não é um automóvel particularmente fotogénico, sendo bem mais apelativo ao vivo do que em fotografia, e quando integrado no restante parque rolante. As suas formas, tipicamente VW, conferem-lhe uma aparência, ao mesmo tempo, sóbria, elegante e com um toque de dinamismo, com um olhar mais atento a permitir identificar que as proporções entre os vários volumes da carroçaria são um pouco diferentes do habitual (nomeadamente por via do capot muito curto, e da projecção dianteira mínima, dado que motor está montado na traseira). No caso da unidade testada, sublinhe-se que a combinação entre o branco que reveste quase toda a carroçaria, e o tejadilho, contornos das janelas, portão traseiro e jantes pintados de preto é especialmente feliz.

Original, mas não disruptivo, o visual exterior do ID.3 convence, com a decoração exterior em preto e branco a assentar-lhe particularmente bem. As fotografias não lhe fazem justiça, sendo bem mais convincente ao vivo

Original, mas não disruptivo, o visual exterior do ID.3 convence, com a decoração exterior em preto e branco a assentar-lhe particularmente bem. As fotografias não lhe fazem justiça, sendo bem mais convincente ao vivo

Do interior pode dizer-se que é, acima de tudo, minimalista, embora não simplista. A decoração é despretensiosa, quase austera, dominada pelo preto e pelo cinzento, desprovida de adornos desnecessários e apostando nitidamente na tecnologia e no pragmatismo. São disso exemplos uma ergonomia quase perfeita, ou o espaço existente entre os bancos dianteiros, que não será o mais sofisticado em termos estéticos, mas é soberbo no plano prático, lá cabendo praticamente todos os pequenos objectos que é possível alguém imaginar transportar consigo.

Também é evidente que a maioria dos materiais aplicados no habitáculo não prima, de todo, pela nobreza, sendo estes nitidamente inferiores, por exemplo, aos utilizados no Golf, e estando mais ao nível dos possíveis de encontrar em modelos da marca destinados ao segmento dos utilitários – podendo a explicação para tal residir numa redução dos custos, para não onerar excessivamente o preço do modelo, numa tentativa de conter ao máximo o peso, ou até em ambos os factores. Ainda assim, a VW volta a dar mostras dos seus pergaminhos nesta matéria através de um rigor da montagem e de uma perfeição dos acabamentos que garantem uma construção robusta, confirmada pelo facto de, nem mesmo nos pisos mais degradados, e com o sistema de som desligado (isto é, com um silêncio quase absoluto a bordo), se identificarem queixumes ou ruídos parasitas.

Digno de encómios é, igualmente, o posto de condução, dominante, mas sem ser demasiado elevado, garantindo uma boa visibilidade em todos os sentidos, e com os bancos dianteiros a oferecerem já algum apoio. Nota, por um lado, em jeito de curiosidade, para o revestimento anti-derrapante em borracha dos pedais em alumínio, o do travão a exibir o símbolo universalmente consagrado como da função “Pause”, e o do acelerador a exibir o símbolo da função “Play”; e, por outro, para o painel de instrumentos totalmente digital de 5”, também ele minimalista, que, por ser solidário com a coluna de direcção, sobe e desce, e avança e recua, conjuntamente com o volante multifunções com secção plana e óptimas dimensões e pega, o que muito facilita a respectiva visualização.

Ambiente interior minimalista, mas vincadamente tecnológico e prático. Já a qualidade dos materiais utilizados deixa algo a desejar, mesmo que parcialmente compensada por uma montagem rigorosa e pela perfeição dos acabamentos

Ambiente interior minimalista, mas vincadamente tecnológico e prático. Já a qualidade dos materiais utilizados deixa algo a desejar, mesmo que parcialmente compensada por uma montagem rigorosa e pela perfeição dos acabamentos

Uma solução que, basicamente, oferece, num módulo central, informação em tempo real relativa ao consumo/regeneração de energia (numa barra), à autonomia, aos sinais de trânsito detectados e à velocidade de circulação; e sobre a navegação e sobre o funcionamento do sistema de cruise control adaptativo, com assistência activa à manutenção na faixa de rodagem, em mais dois módulos. Além do modo selecionado por omissão no arranque, em que estes elementos ocupam sensivelmente o mesmo espaço no ecrã, são disponibilizadas mais duas opções, que permitem destacar, ou o módulo da navegação, ou o do grafismo do cruise control, suprimindo o outro – e sendo sempre a informação extremamente fácil de interpretar e ler. Porventura a rever, a colocação, no canto superior direito deste mesmo painel de instrumentos, do selector rotativo para comando da transmissão, com as posições R, N, e D/B, muito fácil operar, mas posicionado num local que não é o mais acessível para alternar entre os modos B e D durante a condução, quando se pretende incrementar o potencial da regeneração de energia em desaceleração, logo, a autonomia.

Para este ambiente vincadamente tecnológico contribui, igualmente, o sistema de infoentretenimento com ecrã táctil de 10”, muito completo e informativo, na linha da mais recente geração da marca, mas ainda mais fácil de operar do que nos modelos “convencionais, com motores térmicos, porque mais lógico e intuitivo. O mesmo acontece com os botões de comando, quase todos sensíveis ao toque, tanto os colocados no volante multifunções, como os que activam as funções de atalho do sistema de infoentretenimento, e mesmo os destinados a operar os retrovisores exteriores e a tranca central de portas – a única excepção  são os que accionam os vidros eléctricos, esses convencionais, porém, ainda assim, apenas existem dois para as quatro portas, estando a alternância entre o comando das janelas dianteiras e traseiras a cargo de mais um botão háptico. Também merecedor de referência, o sistema de acesso e arranque sem chave, bastando que esta esteja no bolso para que o condutor possa abrir as portas, sentar-se ao volante, seleccionar a posição R ou D da transmissão e arrancar. Sem mais.

Antes de passar à avaliação dinâmica, importa referir que as dimensões exteriores do ID.3 são muito similares às de um Golf da mais recente geração, mas sendo a distância entre eixos superior em nada menos do que 151 mm. Por via deste atributo, conjugado com a colocação mais “avançada” do habitáculo, o espaço interior é bastante generoso, superior, até ao do best-seller europeu, em especial no que concerne ao oferecido às pernas dos ocupantes do banco traseiro (pena que este não seja dos mais acolhedores), o mesmo se aplicando à capacidade da mala, que apenas peca pelo seu plano de carga algo elevado.

A generosa habitabilidade é trunfo importante do ID.3, cujas dimensões exteriores são semelhantes às do Golf, mas com uma distância entre eixos mais generosa

A generosa habitabilidade é trunfo importante do ID.3, cujas dimensões exteriores são semelhantes às do Golf, mas com uma distância entre eixos mais generosa

Uma vez em marcha, o motor eléctrico de 204 cv e 310 Nm cativa pelo seu extremo silêncio de funcionamento, não se dando pela sua presença nem em aceleração, nem quando da regeneração de energia. O consumo, mesmo que relativamente contido, não é referencial, mas a bateria com uma capacidade útil de 58 kWh já garante uma autonomia por demais interessante, em torno dos 400 km em estrada, dos 270 km em auto-estrada e superior a 310 km em cidade, para um valor ponderado de 315 km (já quem pretender extrair em permanência todo o potencial da mecânica, deverá contar com um pouco menos de 200 km entre carregamentos).

De notar, igualmente, ser bom sinal não estar o ID.3 particularmente fadado para uma utilização essencialmente urbana, por não é nessas condições que regista os melhores consumos, logo, a maior autonomia, permitindo, assim, realizar viagens mais longas com uma apreciável tranquilidade. Chegada a hora de recarregar a bateria, em 30 minutos é possível recuperar 80% da carga (num posto de carregamento rápido de 100 kW, o máximo que o veículo pode receber); sendo que uma carga total demora 5h52m numa Wallbox a 11 kW, 8h45m numa Wallbox a 7,4 kW, 18h30m numa tomada de corrente doméstica a 3,7 kW, ou 25h30 numa tomada de corrente doméstica a 2,3 kW.

Em termos de desempenho, o apreciável rendimento do motor, e o binário praticamente instantâneo, traduzem-se numa resposta imediata, intensa e constante em quase todas as situações, com os 0-100 km/h a serem cumpridos em 7,2 segundos (valor semelhante ao registado por um mais leve Golf animado por um motor térmico de potência equivalente), e rapidamente se alcançando os 166 km/h no velocímetro, valor um pouco superior aos 160 km/h definidos pela VW como velocidade máxima, para não comprometer em excesso a autonomia. Talvez a melhor de definir a destreza do ID.3 1st Plus neste capítulo seja sublinhando que, quer o piso seja plano, a subir, ou a descer, a sua celeridade a ganhar velocidade é quase sempre a mesma, capacidade que não deixará de causar surpresa junto dos mais incautos que com ele se cruzam…

Óptimo aliado do motor, o evoluído châssis, com suspensões independentes em ambos os eixos, na linha da melhor escola alemã nesta matéria. Competentes a absorver as irregularidades, mas sem que estas deixem de ser percetíveis (que não necessariamente incómodas) para quem segue a bordo, sobretudo o condutor, o pisar firme e sólido não impede que o conforto de marcha seja elevado, mas, simultaneamente, garante uma excelente comunicação com quem está ao volante. O mesmo acontece, por sinal, com a direcção, muito mais precisa e comunicativa do que o esperado num automóvel 100% eléctrico, pelo que só é pena o curso algo longo e o tacto um pouco artificial do travão, a exigir habituação para modular devidamente a travagem, sobretudo nas solicitações mais intensas e súbitas, em há que ser decidido para dispor da potência de travagem pretendida.

Seja pelas acelerações e reprises, pelo conforto de marcha ou pela eficácia em curva, o ID.3 é uma referência da sua classe no plano dinâmico, oferecendo uma condução fácil e agrádavel, e, até, algum prazer ao volante

Seja pelas acelerações e reprises, pelo conforto de marcha ou pela eficácia em curva, o ID.3 é uma referência da sua classe no plano dinâmico, oferecendo uma condução fácil e agrádavel, e, até, algum prazer ao volante

Tanto ou mais convincente é o comportamento. Apesar da tracção traseira e do elevado peso (só a bateria pesa cerca de 400 kg, sendo, curiosamente, ou não, sensivelmente esta a diferença que o ID.3 1st Plus regista para um Golf com idêntico nível de potência…), há que referir que este é muito bem distribuído e que a relação peso/potência de 8,8 kg não lhe é de todo desfavorável. Por seu turno, a frente muito obediente, precisa e rápida na inserção em curva, não dá sinais de subviragem prematura, ao passo que a traseira mantém-se sempre estável, qualquer que seja o nível de exigência, tudo concorrendo para uma atitude deveras neutra, equilibrada e previsível, até quando se afloram os limites, também por via do excelente controlo dos movimentos da carroçaria.

Este é, pois, um automóvel muito fácil e agradável de conduzir, inclusivamente a ritmos mais intensos, estável a alta velocidade, envolvente e com uma agilidade que chega a surpreender. Os mais ousados e exigentes tenderão, todavia, a lamentar que não seja possível intervir sobre o controlo de estabilidade quando se sente a traseira a querer oferecer aquele extra de agilidade em curva, mas a segurança foi, nitidamente, a prioridade num veículo rápido e competente, mas, assumidamente, desprovido de qualquer pretensão desportiva.

Em resumo, o ID.3 revela-se um automóvel em que tudo é muito lógico e pragmático, cujas virtudes superam, por larga margem, os pontos menos conseguidos, acabando por brilhar em quase todas as áreas de avaliação, de tão completo que é. No caso concreto desta série especial ID.3 1st Plus, o equipamento de série é outro predicado a ter em conta, pelo que o principal defeito que se lhe pode apontar é o elevado preço, ao alcance de não muitas bolsas, já que o resto não são mais do que meros pecadilhos, que não condicionam de forma alguma o agrado de utilização, e muito menos pervertem um projecto muito bem conseguido.

 

Airbag para condutor e passageiro (desligável)
Airbags laterais dianteiros
Airbags de cortina
Airbag central dianteiro
Controlo electrónico de estabilidade
Travagem autónoma de emergência com alerta de colisão frontal e detecção de peões+ciclistas
Assistente activo à manutenção na faixa de rodagem
Sistema de leitura de sinais de trânsito
Cintos dianteiros com pré-tensores e limitadores de esforço
Fixações Isofix
Assistente aos arranques em subida
Travão de estacionamento eléctrico
Cruise control adaptativo+limitador de velocidade
Ar condicionado automático bizona
Pára-brisas em vidro laminado aquecido
Esguichos do limpa pára-brisas aquecidos
Computador de bordo
Painel de instrumentos digital de 5"
Bancos do condutor regulável em altura
Bancos dianteiros aquecidos
Banco traseiro rebatível 60/40
Volante em pele regulável em altura+profundidade
Volante multifunções aquecido
Direcção com assistência eléctrica
Pedaleira em alumínio
Selector de modos de condução
Sistema de infoentretenimento com rádio digital DAB/leitor de mp3+ecrã táctil de 10,0″+5 altifalantes+entradas 2+2USB
Mãos-livres Bluetooth
Sistema de navegação
Vidros eléctricos FR/TR
Vidros traseiros escurecidos
Sensor de luz+chuva
Retrovisores exteriores eléctricos+aquecidos+rebatíveis electricamente
Retrovisor interior electrocromático
Acesso+arranque sem chave
Ópticas dianteiras por LED Matrix adaptativas
Farolins traseiros por LED com "piscas" dinâmicos
Assistente de máximos
Iluminação de boas-vindas com sistema surround
Iluminação ambiente configurável (10 cores)
Jantes de liga leve de 19″
Sensores de estacionamento dianteiros+traseiros
Câmara de estacionamento traseira
Sistema de monitorização da pressão dos pneus
Kit de reparação de furos

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Sobre o autor
António de Sousa Pereira
Absolute Motors é um projecto de informação essencialmente dedicado à área dos motores, com particular foco nos sectores dos automóveis e das motos, mas sem prejuízo de cobrir qualquer outra área de interesse manifesto para os seus leitores.
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