CompararComparando ...

Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio (2020)

Artigo
Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio (2020)

Visão geral
Marca:

Alfa Romeo

Modelo:

Giulia

Versão:

Quadrifoglio

Ano lançamento:

2020

Segmento:

Familiares desportivos

Nº Portas:

4

Tracção:

Traseira

Motor:

2.9-V6

Pot. máx. (cv/rpm):

510/6500

Vel. máx. (km/h):

307

0-100 km/h (s):

3,9

Consumos (l/100 km):

7,9/9,2/11,9 (Extra-urbano/Combinado/Urbano – EURO 6D-TEMP)

CO2 (g/km):

212 (EURO 6D-TEMP)

PVP (€):

112 500/123 900 (Unidade testada)

Gostámos

Sistema de infoentretenimento em progresso, Eficácia dinâmica, Motor explosivo, Prestações de excepção, Travagem, Conforto em condução convencional, Estética arrebatadora

A rever

Ausência de Launch-Control, Pormenores de construção, Muitos dispositivos de segurança como opção, Pormenores de equipamento

Nosso Rating
Rating Leitor
Para avaliar, registe-se ou inicie sessão
Qualidade geral
7.0
Interior
8.0
Segurança
8.0
Motor e prestações
10
Desempenho dinâmico
10
Conforto
7.0
Equipamento
7.0
Garantias
8.0
Preço
7.0
Se tem pressa...

Que não restem dúvidas: esteticamente retocado, e melhorado nos capítulos da conectividade, do conforto e da segurança, o Alfa Romeo Giulia Quadrifolgio continua a ser não só uma proposta única no segmento em que se insere, como uma das suas principais referências. Motor explosivo, perfeito para uma utilização nos limites. Prestações de excepção. Chãssis deveras evoluído e equilibrado. Comportamento terrivelmente eficaz, capaz de fazer as delícias dos amantes de uma condução verdadeiramente empenhada. Uma forma muito especial, tipicamente italiana, de conceber um desportivo. Não será perfeito, mas os seus pontos menos positivos, tendo em conta a sua vocação, também não são mais do que meros pecadilhos…

8.0
Nosso Rating
Rating Leitor
You have rated this

O Giulia Quadrifoglio não será, seguramente, um automóvel eterno. Mas é, sem dúvida, suficientemente perene para continuar a ser proposta muito especial, única, mesmo, na sua classe. Além de que se inclui naquele lote restrito de modelos que vale sempre a pena voltar a conduzir, mesmo quando não conta com novidades relevantes (ou mesmo nulas…) que interfiram com o seu desempenho dinâmico.

Está, assim, feito o intróito para a análise ao protagonista deste ensaio, que, face ao modelo originalmente lançado em 2015, no Salão de Frankfurt, apresenta alterações “apenas” no plano estilístico (ligeiras), tanto por fora como por dentro, assim como ao nível do conforto e da segurança, uma vez que a mecânica se mantém inalterada. Visualmente, e no que à carroçaria diz respeito, menção para os novos farolins traseiros por LED com lentes escurecidas; e para o novo acabamento em preto brilhante para o trilobo dianteiro (conjunto formato pela célebre grelha Scudetto e pelas duas tomadas de ar frontais) e para os emblemas traseiros.

Significa isto que, se as versões convencionais do Giulia já convencem pela inquestionável beleza e elegância das suas formas, esta poderosa derivação desportiva continua a encantar pelo seu porte tão musculado e dinâmico quanto agressivo. Muito por culpa, também, da suspensão rebaixada, que reduz drasticamente a altura ao solo); dos diversos apêndices aerodinâmicos (destaque para as saias laterais, para o deflector traseiro e para o imponente extractor); dos vários alargamentos da carroçaria; e das lindíssimas jantes de 19” com acabamento escurecido (propostas em opção por €800, embora com a mesma dimensão, tal como os pneus, do que as incluídas de série).

Apenas ligeiros retoques exteriores para a recente actualização do Alfa Giulia Quadrifoglio, que mantém intocada toda a sua beleza de formas e um invejável apelo visual

Apenas ligeiros retoques exteriores para a recente actualização do Alfa Giulia Quadrifoglio, que mantém intocada toda a sua beleza de formas e um invejável apelo visual

O interior, mesmo não sendo tão exuberante, acaba por apresentar modificações mais substanciais. Veja-se a consola central redesenhada e com mais espaços de arrumação; o volante e a alavanca de comando da caixa de velocidades de novo desenho; os novos cintos de segurança (opcionalmente disponíveis em vermelho ou verde); ou o sistema de carregamento por indução para smartphones.

Ainda mais determinante, o novo sistema de infoentretenimento Connect 3D desenvolvido pela Magneti Marelli, com ecrã táctil de 8,8”, serviços conectados, interface de novo design e páginas inéditas e específicas – denominadas Performance Pages, permitem ao condutor acompanhar o desempenho do veículo em tempo real, da temperatura dos principais componentes mecânicos ao débito de potência e binário, passando pela pressão do turbocompressor, sem esquecer os cronómetros digitais. A Alfa Romeo responde, deste modo, a um dos principais óbices há muito apontados ao modelo, e mesmo que o referido ecrã de 8,8” não seja dos maiores do mercado, logo, não esteja ao nível do oferecido pela concorrência directa, há que reconhecer que todo o sistema de infoentretenimento constitui uma evidente e acentuada evolução relativamente ao até aqui utilizado, já sendo minimamente digno de um automóvel deste calibre.

De resto, os atributos do habitáculo são bem conhecidos. Se alguns materiais utilizados, assim como o rigor construtivo, ainda não estão à altura do oferecido pelos melhores rivais, o resultado global alcançado pela Alfa Romeo em termos de qualidade geral é bastante bom – só não tanto quanto o dos construtores germânicos. Em jeito de compensação, a habitabilidade é das mais generosas da classe, particularmente o espaço disponibilizado para as pernas dos passageiros traseiros, tal como a capacidade da mala de 480 litros com os cinco lugares disponíveis.

A reforçar o ambiente marcadamente desportivo estão diversos elementos habituais numa versão de altas prestações, e os quais são o garante de um posto de condução perfeito, ainda mais baixo do que na concorrência. Caso dos bancos dianteiros com regulações manuais, que combinam um encaixe e um apoio excelentes com um elevado conforto, assim como o volante com dimensões e pega exímias, dotado de enormes patilhas para comando manual em sequência da caixa automática, as quais garantem um fácil manuseamento em toda e qualquer situação.

O volante de novo desenho e, sobretudo, o novo sistema de infoentretenimento com ecrã táctil de 8,8", bem mais evoluído do que o anterior, são das principais novidades a reter no habitáculo

O volante de novo desenho e, sobretudo, o novo sistema de infoentretenimento com ecrã táctil de 8,8″, bem mais evoluído do que o anterior, são das principais novidades a reter no habitáculo

De resto, o Giulia Quadrifoglio é o que se conhece, o que nada tem de criticável, ou não fosse uma das referências incontornáveis da sua categoria. O motor V6 a 90° de 2890 cc, criado pela Ferrari a partir de um dos seus V8 (ao qual suprimiu dois cilindros, aplicou dois turbocompressores e um sistema de distribuição variável, e afinou bem ao seu estilo), disponibiliza 510 cv/6500 rpm e 600 Nm de binário máximo, constante entre as 2500-5000 rpm – além de usufruir da capacidade para, sempre que possível, desligar dois dos seus cilindros, para conter os consumos. Tanto quanto os números, impressiona o seu timbre rouco e tipicamente italiano, uma sonoridade digna da marca do cavallino rampante, que marca sempre a sua presença, mas torna-se, progressivamente, mais audível e impositiva com a subida de regime e o aumento da carga sobre o acelerador, e a adopção dos modos de condução mais dinâmicos.

Modos esses que podem ser escolhidos pelo condutor através do comando rotativo do DNA, cujo software recebeu ligeira actualização. As opções “A” (All Weather) e “N” (Normal) asseguram uma condução fácil, consumos aceitáveis e, especialmente, um impressionante nível de conforto para um automóvel deste género (a suspensão com amortecimento pilotado é sempre firme, mas não deixa de absorver com apreciável eficácia as irregularidades), revelando-se ideais para uma utilização familiar, ou para quando a disposição do momento a mais não impele do que a uma condução descontraída. Por seu turno, o modo “D” (Dynamic) já proporciona uma resposta mais intensa, mas sem exigir dotes especiais para andar (muito) depressa, adoptando a máxima firmeza do amortecimento, embora podendo o utilizador optar pelo patamar imediatamente abaixo. Contudo, neste particular, o que realmente marca a diferença é o modo “Race”, exclusivo, na gama Giulia, das versões Quadrifoglio, GTA e GTAm: além de apurar toda a mecânica no sentido da máxima eficácia dinâmica, incluindo, naturalmente, a firmeza do amortecimento, também desliga o controlo electrónico de estabilidade, e sugere, adicionalmente, que o condutor faça uso do modo manual da transmissão, e das patilhas de comando da mesma, para retirar o máximo partido do veículo.

O arranque do motor é efectuado quando se pressiona o botão existente para o efeito no volante, sendo o seu despertar acompanhado daquela sonoridade ímpar que deixa antever momentos de verdadeiro prazer ao volante. Nos modos de condução “A” e “N”, a reposta do V6 é deveras linear e progressiva na entrega de potência, tal como a actuação da caixa automática ZF de oito velocidades é sempre rápida, mas suave. Passando aos modos “D” e “Race”, volta a sentir-se o “dedo” do construtor de Maranello, dado que, neste capítulo, tudo tem a ver com a sua filosofia de produto, da performance do motor (patente numa resposta bem mais substantiva) e da transmissão, à própria afinação do châssis, em perfeita consonância com o grupo motopropulsor.

Também não restam dúvidas de que o modo mais extremo é o que maior prazer proporciona, desde que entregue o Giulia Quadrifoglio a mãos conhecedoras e minimamente experientes. O 2.9-V6 biturbo é simplesmente soberbo, com a sua sensibilidade ao acelerador a aumentar na mesma proporção que a melodia emitida pelo escape, tudo de traduzindo numa resposta explosiva, que impele todo o conjunto para a frente à mínima variação da pressão sobre o pedal da direita.

Quando seleccionados os modos de condução mais dinâmicos, à mínima pressão sobre o acelerador, o 2.9-V6 biturbo, com 510 cv e 600 Nm, responde de forma pronta e fulgurante, impelindo com decisão o Giulia Quadrifoglio para diante… e para velocidades proibitivas!

Quando seleccionados os modos de condução mais dinâmicos, à mínima pressão sobre o acelerador, o 2.9-V6 biturbo, com 510 cv e 600 Nm, responde de forma pronta e fulgurante, impelindo com decisão o Giulia Quadrifoglio para diante… e para velocidades proibitivas!

Ao mesmo tempo, a caixa impressiona pela rapidez e fluidez (pena continuar a faltar-lhe a função Launch-Control…); e a fabulosa direcção, directa, rápida e precisa como poucas, em conjunto com a primorosa afinação da suspensão, são fulcrais para a sensação transmitida, e confirmada na prática, de que o Giulia Quadrifoglio obedece à mínima solicitação do condutor com a máxima precisão e rapidez. Nota mais, igualmente, para a actuação do diferencial autoblocante traseiro e do sistema de vectorização de binário, este último controlado, tal como as restantes funções dos modos de condução, e splitter dianteiro activo, pelo sistema Chassis Domain Control, desenvolvido em conjunto com a Magneti Marelli.

Mas há mais! Graças aos vários elementos em alumínio (guarda-lamas dianteiros e maior parte dos componentes da transmissão) e em fibra de carbono (capot, tejadilho, veio de transmissão e alguns apêndices), o peso do Giulia Quadrifoglio não só fica aquém dos 1700 kg (relação peso/potência de somente 3,32 kg/cv), como é repartido em partes iguais pelos dois eixos. Mais um trunfo essencial para a extrema eficácia dinâmica, que faz o veículo parecer mais leve do que é na realidade, tanto mais que o controlo dos movimentos da carroçaria é absolutamente perfeito.

Como perfeita é a inscrição em curva, assim como o domínio das derivas de traseira é tão fácil quanto instintivo, podendo-se, até, provocar ainda mais o eixo posterior para usufruir de uns emocionantes power slides. É um facto que, com o modo Race seleccionado, o Giulia Quadrifoglio é um portento que impõe respeito e exige as necessárias cautelas, mas recompensa como nenhum outro modelo neste segmento os mais dotados, oferecendo um comportamento quase infalível, e uma agilidade desconhecida de qualquer rival, assumindo um carácter mais próprio de um verdadeiro desportivo do que de um familiar de pretensões desportivas. Nota, ainda, para o muito competente sistema de travagem, com pinças Brembo em alumínio, embora os adeptos de uma condução verdadeiramente intensa devam, se possível, ponderar a aquisição do opcional sistema de travagem com sobredimensionados discos carbocerâmicos (€7600), o ideal quando o objectivo é retirar do Giulia Quadrifoglio todo o (imenso) potencial.

Pelo imediatismo da resposta a qualquer solicitação do condutor, pela precisão e agilidade, e pela extrema eficácia, o Giulia Quadrifolgio mantém-se como referência incontornável na sua categoria, ilustrando de forma perfeita a muito peculiar forma italiana de encarar um desportivo

Pelo imediatismo da resposta a qualquer solicitação do condutor, pela precisão e agilidade, e pela extrema eficácia, o Giulia Quadrifolgio mantém-se como referência incontornável na sua categoria, ilustrando de forma perfeita a muito peculiar forma italiana de encarar um desportivo

É que convém não esquecer que este é um automóvel que, em condições reais de utilização, necessita de menos de menos de 4,0 segundos para cumprir os 0-100 km/h, e facilmente supera os 300 km/h de velocidade máxima. Já no domínio dos consumos, os valores obtidos em cidade e a velocidades estabilizadas são razoáveis, os registados numa condução realmente empenhada não é difícil que se situem entre os 25-30,0 l/100 km. O que não se estranha tendo em conta os seus predicados.

Por fim, o preço. À partida, ter-se-á que reconhecer que €112 500 não é um valor ao alcance de muitos. Mas não é menos verdade que o Giulia Quadrifoglio também não é para todos, e que esta verba não deixa de ser competitiva face ao praticado pela concorrência, para mais tratando-se esta de uma proposta verdadeiramente a ter em conta na sua classe por quem é verdadeiro amante da condução desportiva. Já o equipamento de série é generoso, mas não deixa de ser estranho, neste patamar, não existirem, nem como opção, faróis por LED (bi-Xénon de série), e que vários dos novos dispositivos de segurança e assistência à condução tenham sido relegados para a lista de opções.

Refira-se, a propósito, que a unidade testada contava com €11400 extras, mas sem que nenhum influencie diretamente a condução, mas apenas a segurança, a estética e o conforto a bordo. Por isso, quem possa dispor de tal montante adicional, e tenha o foco na eficácia, tem como alternativa optar pelo Pack Driver Assistance Plus, pelo acréscimo de segurança que proporciona, e, insista-se, pelos muito recomendáveis travões carbocerâmicos.

Airbag para condutor e passageiro
Airbags laterais dianteiros
Airbags de cortina
Controlo electrónico de estabilidade
Cintos dianteiros com pré-tensores e limitadores de esforço
Fixações Isofix
Sistema de travagem autónoma de emergência com alerta de colisão frontal e reconhecimento de peões
Alerta de saída involuntária da faixa de rodagem
Travão de estacionamento eléctrico
Ar condicionado automático bizona
Computador de bordo
Cruise-control+limitador de velocidade
Revestimentos interiores em pele
Bancos dianteiros com regulação em altura/apoio lombar
Bancos desportivos em pele/Alcantara
Banco traseiro rebatível 40/20/40 com vão porta-skis
Selector de modos de condução Alfa DNA com modo Race
Volante desportivo em pele/Alcantara regulável em altura+profundidade
Volante multifunções
Direcção com assistência eléctrica variável
Chave electrónica (acesso sem chave)
Sistema de infoentretnimento Connect 3D com rádio digital DAB/leitor de mp3+ecrã táctil de 8,8"+entradas USB/Aux
Sistema de navegação
Mãos-livres Bluetooth
Sistema de carregamento por indução para smartphones
Vidros eléctricos dianteiros+traseiros
Retrovisores exteriores eléctricos+aquecidos+rebatíveis electricamente+electrocromáticos
Retrovisor interior electrocromático
Sensor de luz+chuva
Sensores de estacionamento dianteiros+traseiros
Câmara de estacionamento traseira
Aplicações interiores em carbono
Faróis bi-Xénon adaptativos+lava-faróis
Faróis de nevoeiro
Assistente de máximos
Pedaleira em alumínio
Molduras das janelas em preto brilhante
Jantes de liga leve de 19”
Pinças de travão Brembo em cinzento
Sistema de monitorização da pressão dos pneus

Pintura de tripla camada Vermelho Competizione (€2500)
Pack Driver Assistance Plus Quadrifoglio (€2000 – inclui: sistema de monitorização activa do ângulo morto; alerta de saída involuntária de  faixa de rodagem Plus; sistema de leitura de sinais de trânsito com assistente de velocidade máxima; alerta de fadiga do condutor; cruise control adaptativo com função Stop&Go e assistente aos engarrafamentos e em auto-estrada)
Pack Power Seats Pele/Alcantara (€4500 – inclui: bancos dianteiros aquecidos, regulação eclétrica do apoio lateral, banco do condutor com regulação elétrica e memória, volante aquecido)
Pack Convenience Quadrifoglio (puxadores exteriores das portas iluminados, acesso+arranque sem chave, compartimento de arrumação no banco do condutor)
Bancos traseiros aquecidos (€450)
Sistema de som Harman Kardon (€1300)
Pespontos interiores Quadrifoglio (€720)
Volante desportivo em pele/Alcantara com inserções em fibra de carbono (€500)
Jantes de liga leve de 19” Quadrifoglio escurecidas (€800)
Pinças de travão Brembo em vermelho (€250)
Vidros traseiros escurecidos
Tomada de corrente de 12 Volt (€100)

Qual é a sua reação?
Excelente
0%
Adoro
0%
Gosto
0%
Razoavel
0%
Não gosto
0%
Sobre o autor
António de Sousa Pereira
Absolute Motors é um projecto de informação essencialmente dedicado à área dos motores, com particular foco nos sectores dos automóveis e das motos, mas sem prejuízo de cobrir qualquer outra área de interesse manifesto para os seus leitores.
Comentários
Deixe uma resposta

Deixe uma resposta

20 − 12 =

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.