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Ao volante do novo Toyota RAV4 Plug-in Hybrid. Desde €54 990

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Ao volante do novo Toyota RAV4 Plug-in Hybrid. Desde €54 990

Pode ser já adquirido em Portugal o novo Toyota RAV4 Plug-in Hybrid, a versão mais evoluída, sofisticada e potente da quarta geração do SUV mais vendido em todo o mundo. A sua chegada ao mercado nacional serviu, ainda, de pretexto para um primeiro contacto da imprensa com aquele que o maior construtor do mundo anuncia ser o seu porta-estandarte entre os modelos animados por motorizações híbridas, e no qual a marca aplicou todo o seu know-how nesta matéria, daí resultando uma notável combinação de potência e eficiência ambiental: 306 cv de potência; emissões de CO2 de 22 g/km, e consumo de 1,0 l/100 km, no ciclo combinado segundo a norma WLTP.

Face à versão híbrida convencional, já ensaiada pela Absolute Motors (saiba tudo aqui), também assente na plataforma modular global GA-K, o que melhor distingue o novo RAV4 Plug-in Hybrid é o grupo motopropulsor e aquilo que lhe está mais directamente relacionado. O motor térmico Dynamic Force de quatro cilindros, 2487 cc e ciclo Atkinson, com distribuição variável VVT-i, e injecção directa e indirecta de gasolina, é, basicamente, o mesmo, embora debitando aqui 185 cv/6000 rpm e 227 Nm/3200 rpm (178 cv/5700 rpm e 221 Nm/3600-5200 rpm no Rav4 Hybrid).

Já a componente eléctrica regista uma evolução significativa, mesmo que mantendo o motor eléctrico traseiro de 54 cv e 121 Nm que assegura a tracção integral inteligente AWD-i. Desde logo porque o motor eléctrico dianteiro oferece, neste caso, 182 cv e 270 Nm (120 cv e 202 Nm na versão híbrida convencional), o que permite que a potência combinada passe de 218 cv para uns bem mais expressivos 306 cv, com os 0-100 km/h a serem cumpridos em 6,0 segundos, para uma velocidade máxima de 180 km/h. Ao mesmo tempo, a bateria de iões de lítio, com 18 kWh de capacidade, anuncia uma autonomia de até 75 km no ciclo combinado (98 km em condução urbana), podendo ser recarregada em 2h30m numa ligação de 230 V a 32 A, em 5h00 numa ligação a 16 A, e em 7h30m numa ligação a 10 A, graças ao carregador de bordo de 6,6 kW.

Conceptualmente, o sistema híbrido plug-in é similar ao conhecido do Prius, mas melhorado, por contar com um conversor DC-DC mais pequeno, silencioso e eficiente, e com um melhor desempenho em termos de refrigeração. A respectiva colocação sob o banco traseiro ajuda a explicar a redução da capacidade da bagageira de 580 litros para 520 litros, imposta por uma plataforma de carga 35 mm mais elevada.

Na prática, e assim a carga da bateria o permita, o RAV4 Plug-in Hybrid arranca sempre no modo totalmente eléctrico EV (utilizável até aos 135 km/h, e no qual os 0-100 km/h cumprem-se em 10,0 segundos), podendo o utilizador optar pelos modos HV (para poupar a carga da bateria), Auto EV/HV (o sistema alterna automaticamente entre o que for mais eficiente a cada momento) e Charge, este para carregar a bateria em andamento, por exemplo, para quando se antecipa a obrigatoriedade posterior de circular em modo EV. Quanto aos modos de condução, estão disponíveis as opções Eco, Normal, Sport e Trail (para maior eficácia no fora de estrada, trava a roda que mais perca motricidade, enviando maior quantidade de binário para as que disponham de maior tracção), e ainda o modo Sport da transmissão.

Uma vez ao volante, a primeira nota vai para a autonomia: mesmo que a duração da experiência não o tenha permitido confirmar em absoluto, tudo indica que os dados anunciados pela Toyota são perfeitamente confirmados em condições reais de utilização, e até um pouco melhoráveis caso se pratique uma condução especialmente cuidada e faça bom uso das patilhas no volante, destinadas a gerir a intensidade da regeneração de energia em desaceleração. Fica, ainda, a nota de que o modo 100% eléctrico acaba por estar disponível até cerca dos 140 km/h em piso plano, e que conduzir em permanência à velocidade máxima neste mesmo modo acabará por condicionar a autonomia a um pouco menos de 60 km/h.

Garantida que estava a eficiência do RAV4 Plug-in Hybrid em termos de consumos, era tempo de avaliar as competências do mais potente dos híbridos da Toyota no capítulo das prestações. As acelerações são sempre intensas e lineares, garantindo arranques e recuperações céleres, e, mesmo em piso plano, o velocímetro aflora os 198 km/h quando se retira o máximo potencial da mecânica, o que não deixa de constituir uma diferença significativa face ao anunciado pela Toyota – mas sempre é melhor a mais do que a menos… É, igualmente, notório que o isolamento acústico adicional garante um ambiente a bordo mais refinado, ainda que não seja suficiente para impedir que o motor faça sentir a sua presença sempre que a carga sobre o acelerador é mais elevada, dado que, como é típico desta solução, a transmissão de variação contínua de imediato o leva para a red line quando tal acontece, o que contrasta de forma evidente com o silêncio quase absoluto garantido pelo modo EV, ou quando as solicitações são menos intensas.

Em termos de comportamento, o RAV4 Plug-in Hybrid continua a ser um automóvel bastante equilibrado, seguro e previsível, fácil e agradável de conduzir, até porque o diferencial de peso da ordem dos 300 kg relativamente à versão híbrida “normal” é parcialmente compensado por um centro de gravidade ainda mais baixo. Não obstante, nos limites, e tanto mais notória quanto menor for aderência do piso, existe uma certa tendência para a frente alargar prematuramente a trajectória em curva até à entrada em funcionamento da electrónica e do motor eléctrico traseiro, devendo, por isso, ser prestada maior atenção a esta característica caso se opte por conduzir com o controlo de estabilidade desligado.

De resto, somente alguns detalhes distinguem o RAV4 Plug-in Hybrid dos outros membros da sua gama. No exterior, o acabamento a imitar metal na moldura inferior dianteira e sobre a placa traseira; as inserções cromadas escuras nos grupos ópticos; o acabamento escurecido da grelha frontal; a placa de protecção traseira pintada de preto; e as novas jantes de 18” e jantes 19”, com pneus mais largos nas versões de topo. Quanto ao interior, menção para os bancos desportivos; para o sistema de infoentretenimento com ecrã de 9”; para o head-up display (de série nos níveis de equipamento mais generosos); e para instrumentação específica (o indicador de temperatura do líquido de refrigeração foi substituído por um mostrador do nível da bateria, e vários conteúdos relacionados com a motorização híbrida plug-in foram acrescentados ao ecrã de informação).

No mercado português, o novo RAV4 Plug-in Hybrid é disponibilizado em quatro níveis de acabamento. O Comfort, proposto por €54 990, inclui já elementos como ar condicionado automático, câmara de estacionamento traseira; banco do condutor com regulação eléctrica da altura e do apoio lombar; faróis por LED; retrovisor interior electrocromático; portão traseiro eléctrico; barras de tejadilho; sensores de estacionamento; acesso e arranque sem chave; e jantes em liga de 18” maquinadas.

Por €57 690, a variante Square Collection adiciona bancos em pele sintética; jantes de 19” maquinadas; monitorização do ângulo morto; bandos dianteiros e traseiros aquecidos; carregamento por indução para smartphones; alerta de tráfego cruzado pela traseira; as patilhas no volante; e tejadilho Night Sky. Ao passo que o nível Premium, orçado em €60 990, distingue-se por oferecer ainda câmara panorâmica de 360°; retrovisor interior digital; head-up display; sistema de navegação; sistema de som JBL; tecto de abrir eléctrico panorâmico; jantes de 18” maquinadas; e bancos em pele sintética. A tudo isto, a versão Lounge, que exige o dispêndio de €61900, acrescenta sensores de estacionamento inteligentes; e jantes de 19” maquinadas. Em qualquer dos casos, a pintura metalizada custa €600, e a pintura especial €850.

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Sobre o autor
António de Sousa Pereira
Absolute Motors é um projecto de informação essencialmente dedicado à área dos motores, com particular foco nos sectores dos automóveis e das motos, mas sem prejuízo de cobrir qualquer outra área de interesse manifesto para os seus leitores.
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