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Ao volante em Portugal dos novos Citroën C4 e ë-C4 100% ëlectric

Artigo
Ao volante em Portugal dos novos Citroën C4 e ë-C4 100% ëlectric

Depois de ter dado a conhecer, na passada Primavera, os novos C4 e ë-C4 100% ëlectric, como oportunamente noticiado pela Absolute Motors (saiba tudo aqui), a Citroën dá agora início à comercialização em Portugal do seu mais recente familiar compacto, oportunidade aproveitada também para proporcionar à imprensa um primeiro contacto com duas das mais importantes versões do modelo para o mercado nacional. Esta promete ser uma proposta determinante para a marca do double chevron, desde logo por ditar o fim de produção do C4 Cactus, inscrever-se no segmento mais importante do mercado europeu, e naquele que representa 37% das vendas em Portugal (44% das mesmas ainda a caargo de berlina), e também por assinalar a estreia da nova plataforma modular CMP do grupo PSA, já apta a receber tanto motorizações térmicas como electrificas ou totalmente eléctricas, no chamado segmento C.

Senhora de uma tradição de nada menos do que 92 anos no desenvolvimento de berlinas compactas, a Citroën decidiu apostar, no novo C4, na elegância e dinamismo de uma berlina que, para usufruir de um carácter mais marcante, e “piscando o olho” ao segmento da moda, adopta alguns elementos mais típicos dos SUV, como sejam as rodas de dimensões generosas (690 mm de diâmetro), as protecções em toda a volta da carroçaria ou a altura ao solo de 156 mm. O resultado é como que um misto de berlina convencional e coupé de quatro portas (atente-se na linha de tejadilho descendente e na acentuada inclinação do oculo traseiro), senhor de uma postura assumidamente mais elevada do que o habitual, e marcado por formas aerodinâmicas e fluídas, que nem por isso deixam de exibir elementos identitários típicos do seu construtor, como a nova assinatura luminosa em “V” por LED à frente e atrás, ou musculada e dinâmica secção posterior.

Ainda neste domínio, destaque para o desempenho aerodinâmico, ao nível do de uma berlina convencional, segundo a Citroën. E, também, para o facto de o novo C4 ser um automóvel bem mais impactante e apelativo ao vivo do que em fotografia, sendo imperiosa uma observação “in loco” para da sua aparência exterior se poder fazer uma apreciação minimamente fiável e sustentada. Não sendo despiciendo o elevado grau de personalização oferecido: nada menos do que 31 combinações possíveis, resultantes da conjugação das sete 31 conjugações: cores de carroçaria, dos cinco Pack Color exteriores e dos seis ambientes interiores disponíveis.

Com 4360 mm de comprimento, 1800 mm de largura e 1525 mm de altura, para uma distância entre eixos de 2670 mm, o novo C4 oferece uma ampla habitabilidade, que promete ser a melhor da classe no que ao espaço disponibilizado para as pernas de quem viaja atrás diz respeito. Dúvidas não restam de que assim será, embora, neste particular, o reverso da medalha seja, por um lado, a postura excessivamente vertical que os ocupantes do banco traseiro são obrigados a adoptar; e, por outro, o acesso perfectível ao mesmo, condicionado pelas dimensões reduzidas das portas traseiras, pela linha descendente do tejadilho e pelo elevado posicionamento das longarinas. Algo que já não é novo em modelos do conglomerado gaulês que fazem uso desta plataforma, que sob o respectivo piso tem que alojar a bateria da versão eléctrica.

Nota de destaque para o bom ambiente a bordo, com os novos materiais e revestimentos, a par da bem conseguida decoração, a muito contribuírem para tornar o habitáculo deveras acolhedor. E se a qualidade dos plásticos utilizados estará longe de surpreender, há que reconhecer que, nos poucos quilómetros percorridos neste primeiro contacto, a construção aparentou ser sólida o suficiente para conferir ao interior uma robustez que lhe permite estar praticamente isento de ruídos parasitas.

Os bancos Advanced Comfort, largos e acolhedores, do tipo poltrona, e com duas densidades de espuma (a superior com 15 mm espessura, a inferior de alta densidade), são outro ponto a reter pela comodidade que oferecem, podendo os dianteiros dispor de função de massagem nalguns níveis de equipamento, ou de aquecimento tanto à frente como atrás. Em estreia mundial, o Smart Pad Support, um engenhoso suporte retráctil directamente integrado no tablier, defronte do passageiro dianteiro, que permite fixar um tablet através de duas capas dedicadas (para Apple iPad Air 2 ou Samsung Tab A 10,5’’), ou de uma capa universal para outros modelos – merecendo, ainda, neste particular, menção a disponibilização de soluções como o volante e pára-brisas aquecidos (uma novidade na oferta da Citroën); o sistema de carregamento por indução para smartphones; a célebre câmara ConnectedCAM,; ou o sistema de infoentretenimento com ecrã táctil de 10” dotado, em função das versões, de navegação conectada TomTom Traffic, Connect Play (com ligações Android Auto e Apple CarPlay) e quatro tomadas USB (duas do tipo USB A e outras tantas do tipo USB C).

Já a bagageira conta com uma apreciável capacidade de 380 litros, passível de aumentar mediante o rebatimento do banco traseiro, disponibilizando, igualmente, um alçapão para arrumação de volumes adicionais, pelo que apenas peca por um plano de carga algo elevado. A isto há que juntar os dezasseis espaços destinados à arrumação de pequenos objectos existentes no habitáculo, que, no seu conjunto, totalizam 39 litros.

Quanto ao posto de condução, com 1,22 m de altura, é, indubitavelmente, mais elevado do que o tradicional numa berlina, mas não tanto como é hábito nos SUV, e nem por isso deixa de ser acolhedor e envolvente, além de garantir um bom domínio da estrada. Uma palavra para o novo volante multifunções, com um braço inferior de grandes dimensões, comandos das ajudas à condução no lado esquerdo, e das funções de infoentretenimento no lado direito, e novas patilhas de comando da caixa em preto brilhante.

No mercado português, a gama do novo C4 articula-se em torno de três motores e quatro níveis de equipamento: Feel, Feel Pack, Shine e Shine Pack. Estão, assim, disponíveis as motorizações a gasolina 1.2 PureTech de 100 cv (apenas com caixa manual de seis velocidades), 1.2 PureTech de 130 cv (caixa manual ou automática de oito relações) e 1.2 PureTech de 155 cv (somente caixa automática); as unidades a gasóleo 1.5 BlueHDi de 100 cv (sempre com caixa manual) e 1.5 BlueHDi de 130 cv (sempre com caixa automática); e a opção totalmente eléctrica.

No caso concreto do ë-C4 100% ëlectric, a mecânica é a já conhecida de modelos como os Peugeot e-208 e e-2008, o DS3 Crossback E-Tense ou o Opel Corsa e, com o motor a oferecer 136 cv e 260 Nm, para uma aceleração 0-100 km/h cumprida em 9,7 segundos e uma velocidade máxima limitada a 150 km/h. A bateria de iões de lítio a 400 Volt, com 50 kWh de capacidade, permitiu a homologação de uma autonomia de 350 km no ciclo WLTP, e oferece uma garantia de 8 anos ou 160 000 km para 70% da capacidade de carregamento. Os tempos de carregamento indicam 30 minutos para 80% da capacidade num posto de carregamento rápido a 100 kW (taxa de 10 km/min); 5h00m numa Wall Box de 32 A com corrente trifásica, ou 7h30m com corrente monofásica, desde que instalado o opcional carregador de bordo 11 kW;  15h00m numa tomada de 16 A; e mais de 24h00m numa tomada de corrente convencional.

Trunfo importante do novo compacto gaulês serão as vinte tecnologias de ajuda à condução que a Citroën afirma ter incorporado no C4. Aqui se incluindo o Highway Driver Assist (dispositivo de condução semiautónoma de nível 2, assenta no funcionamento combinado do cruise control adaptativo com função Stop&Go e do alerta de saída involuntária de faixa de rodagem); a travagem  autónoma de emergência com alerta de colisão, detecção de peões e travagem pós-colisão; a monitorização do ângulo morto; o Coffee Break Alert (sugere ao condutor uma pausa sempre que este cumpre duas horas de condução a velocidades superiores a 70 km/h); o sistema de leitura de sinais de trânsito com assistente de velocidade máxima; e o assistente de máximos.

Para o primeiro contacto dinâmico com a sua novel criação, a filial lusa da Citroën disponibilizou aos jornalistas duas das mais importantes versões para o mercado nacional: o “inevitável” ë-C4 100% ëlectric e o C4 1.2 PureTech de 130 cv e caixa automática. Comum a ambos, e digno de elogios, desde logo, o grande conforto de marcha proporcionado, em boa parte a cargo dos batentes hidráulicos progressivos instalados nas suspensões, um para extensão e outro para compressão, solução exclusiva da casa francesa e cuja valia voltou a revelar-se inequívoca.

Igualmente convincente, nas duas variantes, a eficácia em termos de comportamento. Graças a um châssis bastante equilibrado, o modelo oferece uma condução tão fácil quanto agradável, primando por uma direcção directa e precisa, pela forma fiel como se processa a inscrição em curva, pela previsibilidade e honestidade de reacções. E mesmo a ritmos mais acelerados, quando se enfrentam traçados mais sinuosos, o modelo cumpre com brio a sua tarefa, inclusive na versão eléctrica, ainda que esta, pelo seu peso superior em cerca de 250 kg, e pela distribuição menos favorável do mesmo, não seja tão acutilante e eficiente quanto a sua congénere.

Relativamente aos motores, não há novidades a registar face ao que já se conhece da sua aplicação noutros modelos do grupo francês. A unidade a gasolina continua a oferecer um funcionamento suave e relativamente silencioso, não sendo desagradável a sua sonoridade quando esta se faz sentir nas situações de carga mais intensa ou a regimes mais elevados, e a conjugar uma resposta pronta na maioria das situações com uma apreciável facilidade em subir de rotação e consumos, as mais das vezes, comedidos. A transmissão automática de oito relações é o garante, por seu turno, de passagens de caixa suaves e uma correcta seleção ideal na generalidade das circunstâncias, sendo o comando manual sequencial um auxiliar importante quando se pretende imprimir ritmos mais acelerados. Pelo seu lado, a motorização eléctrica também prima, como é da praxe, pela intensidade na resposta às solicitações do pedal da direita, em especial no início das acelerações, o que torna a condução em meio urbano e suburbano deveras agradável, sendo que superar os 300 km de autonomia também não parece ser algo complicado.

Dotado de um leque de argumentos capaz de lhe assegurar um lugar de destaque na sua classe, o novo C4 conta ainda com um competitivo posicionamento comercial para alcançar tal objectivo. Os preços são de €23 607 para o C4 1.2 PureTech de 100 cv e caixa manual com o nível de equipamento Feel; o C4 1.2 PureTech de 130 cv com caixa manual custa €24 908 no nível Feel, €26 308 no nível Feel Pack e €27 908 no nível Shine; pelo C4 1.2 PureTech 130 cv com caixa automática são pedidos €28 108 no nível Feel Pack, €29 708 no nível Shine, e €31 108 no nível Shine Pack; com o C4 1.2 Pure Tech 155 cv com caixa automática a orçar em 33 107 no nível Shine Pack.

Quanto ao C4 1.5 BlueHDi 100 cv com caixa manual são pedidos €27 707 no nível Feel, €29 107 no nível Feel Pack e €30 707 no nível Shine; orçando o C4 1.5 BlueHDi 130 cv com caixa automática em €30 508 no nível Feel, €31 908 no nível Feel Pack, €33 508 no nível Shine e €34 908 no nível Shine Pack.  Por fim, no caso da variante eléctrica, cumpre destacar que nos respectivos preços está incluída, em exclusivo para os clientes particulares, e tal como ocorre com o novo C5 Aircross Hybrid, a oferta de uma Wallbox de carregamento monofásica de 7,4 kW, sendo o novo ë-C4 100% ëlectric proposto por €37 607 no nível Feel, por €38 607 no nível Feel Pack, por €40 007 no nível Shine, e por €41 407 no nível Shine Pack.

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Sobre o autor
António de Sousa Pereira
Absolute Motors é um projecto de informação essencialmente dedicado à área dos motores, com particular foco nos sectores dos automóveis e das motos, mas sem prejuízo de cobrir qualquer outra área de interesse manifesto para os seus leitores.
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