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A diferença entre o Porto e Lisboa

Artigo
A diferença entre o Porto e Lisboa

Este ano, a cidade do Porto, adoptando uma prática comum, com mais de uma década, noutras grandes urbes europeias, passou a autorizar a circulação das motos na “faixa do Bus”. Esta medida revela uma abertura – de espírito e de preocupação com as populações – em tudo inversa à postura indiferente e sobranceira da capital.

Depois de anos de tentativas diversas, empreendidas por várias entidades relacionadas com a utilização da moto enquanto veículo de transporte e lazer, a Câmara Municipal de Lisboa ignorou, de forma arrogante por persistir na recusa, as diligências efectuadas no sentido de explicar à classe política e aos tecnocratas da edilidade a necessidade e a importância de permitir a circulação em legalidade dos motociclos nas faixas reservadas aos transportes públicos. Ao contrário do que muitos pensam, permitir que as motos circulem no Bus não é instaurar um caos de circulação, é antes aliviar a tensão existente na relação entre veículos que se movem com uma agilidade totalmente oposta, como são o automóvel e a moto, e, assim, melhorar todo o ambiente rodoviário aumentando os indíces de segurança. Mas a isso a CML diz nada. Aliás, tem um passado de experiências fracassadas (como foram os pilaretes e divisórias da Rua da Junqueira… que ainda lá estão) e total ignorância às necessidades dos motociclistas. Não para melhorar a vida aos motociclistas, mas principalmente para melhorar a vida a todos os outros utentes das vias.

Felizmente tem havido, na esmagadora maioria das vezes, um bom senso por parte das autoridades que “olham para o lado” à circulação das motos na faixa do Bus. Mas, obviamente, não é isso que se pretende. O que se quer é o reconhecimento de uma necessidade e a sua instauração legal. Como há muito o fizeram Londres, Paris, Roma ou Madrid.

Sabemos que as atenções da CML em matéria de circulação rodoviária, acessos e transportes está voltada para outros campos, mas aí já não estamos a falar de política, antes de relações públicas, à imagem e semelhança do “candidato a Primeiro Ministro” que, nas horas vagas, passa pelo gabinete do Presidente da Câmara.

O Porto, cidade tantas vezes secundarizada nas opções políticas e na distribuição do “bolo” do Estado, acabou por – ironicamente – dar uma lição a todo o país ao ser a primeira a adoptar a medida. É certo que não é descartável o importante papel que o Moto Clube do Porto teve no processo, mas ainda assim, e talvez por isso, ficou bem marcada a diferença de atitude, vontade e atenção ao cidadão entre as duas municipalidades mais importantes do país.

Vitor Sousa
Assesor de Comunicação

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Sobre o autor
Vitor de Sousa