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Disse Diesel?

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Disse Diesel?

Nestes tempos de dúvidas e de incertezas em que uma espécie de maldição parece ter caído sobre nós, sujeitos a duros anos de provações e sacrifícios para equilibrar um país gerido por gente que afinal não se lembra, nem sabia – a não ser decerto daquilo que foram ganhando à nossa custa – sabe sempre bem encontrar uma estatística em que estejamos à frente dos outros, que nos faça sentir que somos os primeiros, mesmo que não por boas razões!

Dei comigo a pensar assim quando num estudo recente reparei que não há nenhum mercado na Europa em que a percentagem de veículos a gasóleo seja superior à que se verifica no nosso. Eia valentes – são mais caros, poluem mais, justificam-se em países onde as distâncias sejam enormes, mas indiferentes a isso tudo eles ai estão, de todas as marcas e feitios, a representar mais de 70% das vendas do parque automóvel nacional.

Ora acontece que a mudança do século trouxe também uma mudança de mentalidades e preocupações legislativas na Europa acerca do ambiente e da qualidade do ar, normas Euro que começaram na 1 e já vão na 6 e que tiveram que ir sendo plasmadas no nosso ordenamento jurídico.

Se olharmos este gráfico com atenção podemos observar o quanto se evoluiu na redução dos níveis de poluição – assim como se o volume total de poluentes no ar fosse há 20 anos do tamanho de um autocarro de passageiros e hoje do tamanho de um tuc-tuc… Estas imposições de redução drástica da poluição e de consequente aumento drástico da qualidade do ar, sobretudo nas cidades onde a concentração de veículos é tremenda, trouxeram uma enorme dor de cabeça aos construtores de motores, principalmente os movidos a gasóleo, já que, para acompanhar os diferentes Euro valores, foi necessário investir em equipamentos que os tornam extremamente dispendiosos.

Ao mesmo tempo foram sendo desenvolvidas soluções híbridas que se destinam a respeitar a legislação mas que vão forçosamente situar-se na linha da frente das opções do consumidor, tanto mais que muitas cidades europeias anunciaram já restrições graves à circulação de motores anteriores à norma Euro 3 e o cerco vai continuar, levando à proibição absoluta de entrarem nas cidades a grande maioria dos veículos com motores diesel – até porque sendo uma das razões da compra a sua durabilidade, a tendência é para que sejam veículos menos recentes e portanto mais poluidores.

A presidente da câmara de Paris pôs já como meta para isso o ano de 2020, perante a perplexidade dos três construtoras franceses que produzem milhares e milhares de motores a gasóleo, para eles e para terceiros. Na Alemanha a BMW já anunciou que se juntou à Toyota para desenvolver modelos híbridos a gasolina – não fossem os japoneses líderes, com muitos anos de avanço, dessa tecnologia – e o caminho vai ser esse. Veja-se que a marca de luxo da Toyota, a Lexus, já aboliu os motores diesel em toda a sua gama! E se tudo isto tivesse acontecido uma meia dúzia de anos atrás, teríamos sido poupados a ver motores a gasóleo em veículos ostentando o emblema da Porsche…

Pedro Mariano

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Pedro Mariano
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