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Energia e Clima: combustíveis fósseis são parte da solução

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Energia e Clima: combustíveis fósseis são parte da solução

Aproxima-se a 21ª reunião da “Conference of parties” das Nações Unidas para as alterações climáticas que se realiza em Paris no próximo mês de Dezembro. Trata-se de uma oportunidade única de conseguir acordos globais que tenham em conta a necessidade de limitar a emissão de gases com efeito de estufa a níveis que impeçam que as alterações climáticas atinjam níveis incomportáveis para o planeta e os seus habitantes.

Quando se fala neste tema há uma tendência generalizada de excluir os combustíveis de origem fóssil desta discussão. Os mais fundamentalistas vão mesmo ao ponto de considerar que a sua utilização está condenada, pelo que se deve apostar tudo nas alternativas. Sem pôr em causa a necessidade de descarbonizar a economia e a da utilização racional e eficiente da energia, achamos que essa aproximação não é a mais correta. Na realidade, apesar de felizmente se assistir cada vez mais ao abandono da correlação entre o crescimento económico e o consumo energético, não há no imediato, nem nas décadas mais próximas, soluções consistentes para produzir toda a energia que o mundo em crescimento precisa, sem recorrer às energias fósseis, que atualmente representam cerca de 85 % do consumo mundial de energia primária.

Quero com isto dizer que estamos condenados a continuar a ver crescer as emissões de gases com efeito de estufa, com o consequente impacto no clima, e outras emissões com impacto na qualidade do ar e na saúde e qualidade de vida das pessoas? Nada disso. Para além de se continuar a apostar nas energias renováveis, criando condições para que o seu custo seja competitivo, evitando distorções na economia como os que aconteceram no passado, há que continuar a incentivar a procura de formas mais racionais e eficientes de utilização das fósseis. Pensar que se pode solucionar o problema sem a contribuição das fontes que garantem cerca de 85% da energia consumida no mundo, além de utópico, pode levar a bloqueios do crescimento económico e da legítima aspiração de camadas crescentes da população mundial, em particular nos países em desenvolvimento, em acederem a padrões de qualidade de vida vigentes nos países mais desenvolvidos. Há que ser pragmático e chamar esses atores para serem parte da solução e não serem encarados e tratados exclusivamente como só fazendo parte do problema.

E nenhuma fonte de energia deve ser excluída à partida. Todas serão necessárias para garantir um cabaz energético cada vez mais diversificado, aumentando a segurança do abastecimento e aumentando a concorrência, incentivando a inovação com benefício para todos. O carvão, por exemplo, se acompanhado de técnicas de captura e sequestro poderá, eventualmente, continuar a satisfazer uma parte importante na produção de eletricidade, particularmente nos países em desenvolvimento. O petróleo, com uma importância fundamental nos transportes, pode continuar a beneficiar da melhoria dos produtos petrolíferos, quer combustíveis quer lubrificantes, que aliados ao aperfeiçoamento dos motores de combustão interna levarão a consumos e emissões cada vez menores. O Gás Natural, cuja grande utilização é na produção de eletricidade, tem contribuído e continuará a contribuir de forma decisiva na redução de emissões neste sector. Mesmo a energia nuclear, que sofreu um abrandamento no seguimento do desastre de Fukushima, tem um papel a desempenhar na produção de eletricidade. E, finalmente, mas com uma importância crescente, o desenvolvimento das renováveis, em que a energia solar, quer térmica quer fotovoltaica, terão um papel cada vez mais relevante. A hidroeletricidade e a eólica há muito que atingiram níveis de custo eficiência que deverão permitir-lhes concorrer sem necessidade de subsídios e suporte que oneram o preço da energia e minam a competitividade da economia.

Uma nota final para reiterar a necessidade de se conseguir em Paris, um acordo realista e comprometendo todos os grandes blocos económicos, de modo a resolver globalmente o que são problemas globais. A Europa, em meu entender, sem abandonar o papel de liderança nesta matéria, não deve insistir em definir unilateralmente metas regionais, que apenas servem para deslocalizar atividades, resultando no enfraquecimento da economia europeia, sem com isso resolver o problema global das alterações climáticas.

António Comprido
Secretário-geral da APETRO

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