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Mercedes-Benz CLS 400 d 4Matic

Artigo
Mercedes-Benz CLS 400 d 4Matic

Visão geral
Marca:

Mercedes-Benz

Modelo:

CLS

Versão:

400 d 4Matic

Ano lançamento:

2018

Segmento:

Coupés

Nº Portas:

4

Tracção:

Integral

Motor:

3.0 Diesel

Pot. máx. (cv/rpm):

340/4400

Vel. máx. (km/h):

250

0-100 km/h (s):

5,0

Consumos (l/100 km):

4,9/5,6/6,7
(Extra urbano/Combinado/Urbano)

CO2 (g/km):

148

PVP (€):

106 786/125 786 (unidade testada)

Gostámos

Motor soberbo, Qualidade geral, Comportamento eficaz e acessível, Conforto, Linhas arrebatadoras

A rever

Preço elevado, Muitos e dispendiosos opcionais

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Qualidade geral
10
Interior
9.0
Segurança
9.0
Motor e prestações
9.0
Desempenho dinâmico
9.0
Consumos e emissões
8.0
Conforto
9.0
Equipamento
8.0
Garantias
7.0
Preço
7.0
8.5
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Pode afirmar-se que, em 2005, com o lançamento do CLS original, a Mercedes como que inventou o segmento dos coupés de luxo de quatro portas. A marca da estrela decide, agora, regressar ao tema com a terceira geração do modelo, criada a partir da plataforma do novo Classe E, mas com menos 2 mm entre eixos, aproveitando para na mesma integrar também os seus novos motores turbodiesel de seis cilindros em linha, estreados no Classe S, no que é o regresso a uma arquitectura que o construtor de Estugarda tinha abandonado há quase duas décadas, e que no caso em apreço é protagonizado pelo CLS 400 d, animado pela variante mais dotada do novel Diesel de 2,9 litros.

Pessoalmente, confesso que, na geração anterior, fui sempre mais adepto da variante carrinha, a CLS Shooting Brake, do que da berlina, configuração que a Mercedes, entretanto, decidiu abandonar. Mas também não me custa reconhecer que o novo é, sem dúvida, o mais bonito e impressionante CLS de sempre: graças às suas linhas inspiradas nas do superdesportivo AMG GT (que até conseguem disfarçar na perfeição o aumento de 51 mm do comprimento, de 9 mm da altura e de 60 mm da distância entre eixos face ao modelo anterior), exibe uma pose verdadeiramente impositiva, plena de classe e imponência, e até senhora de alguma exclusividade, com aquele toque de desportividade tão do agrado dos amantes deste género de proposta – servindo o Cx de 0,26 para ilustrar, na perfeição, o apuro alcançado no capítulo da aerodinâmica.

Não é fácil resistir ao apelo visual do novo Mercedes CLS, capaz de conjugar a distinção e a pose de uma berlina de luxo com a desportividade que lhe é transmitidas por linhas que não deixaram de beber inspiração nos superdesportivos da marca

Não é fácil resistir ao apelo visual do novo Mercedes CLS, capaz de conjugar a distinção e a pose de uma berlina de luxo com a desportividade que lhe é transmitidas por linhas que não deixaram de beber inspiração nos superdesportivos da marca

Uma vez no habitáculo, o impacto é, pelo menos, de calibre similar. A par de uma soberba qualidade de construção, materiais e acabamentos, traduzida numa extrema solidez, nota mais para a primorosa decoração (em que é impossível não reparar nas seis saídas de ventilação com um formato ao estilo de uma turbina, e cuja iluminação pode variar entre 64 cores e uma dúzia de combinações), e para a conjugação de luxo, requinte e desportividade esperada de um coupé de quatro portas deste calibre, em que um dos principais propósitos é, justamente, abranger esses dois mundos.

Referência, também, para o sofisticado sistema de infoentretenimento, ao qual não haveria a apontar reparos de maior, não fosse o facto de, depois de conduzido o novo Classe A, e conhecido o novo MBUX, parecer ali faltar qualquer coisa… E embora seja inquestionável que não há lacunas essenciais a registar, já que o mesmo oferece inúmeras funções e formas de controlo (sobretudo na sua opcional versão mais evoluída, instalada na unidade ensaiada), a verdade é que ainda não responde à já célebre frase mágica “Olá, Mercedes”, nem tem aquela mão cheia de funcionalidades adicionais – embora também seja inegável que é tão bom, ou melhor, que o oferecido pela principal concorrência.

O espaço habitável é generoso, ainda que, como seria de esperar, tendo em conta o formato da carroçaria, os lugares traseiros obriguem a um certo grau de compromisso, em termos de acesso como do espaço disponível em altura (o espaço para pernas é muito bom), não esquecendo que o lugar central é bem menos convidativo do que os restantes. Em jeito de compensação, a capacidade da mala é muito razoável para um coupé, pouco ficando aquém da do Classe E, e sendo bastante mais generosa do que na anterior geração. Quanto ao posto de condução, merece a classificação de soberbo: baixo, mas muito acolhedor e funcional, permite ao condutor desfrutar de uma primorosa ergonomia, com os opcionais bancos eléctricos multifuncionais, mesmo não sendo bacquets, a garantirem um bom encaixe, e estando o volante (electricamente regulável) próximo da perfeição em termos de dimensões e pega.

Qualidade de topo, habitabilidade generosa, sofisticação tecnológica e uma decoração primorosa são alguns dos maiores atributos do habitáculo do novo CLS

Qualidade de topo, habitabilidade generosa, sofisticação tecnológica e uma decoração primorosa são alguns dos maiores atributos do habitáculo do novo CLS

Uma vez em marcha, era inevitável que a primeira apreciação fosse por inteiro para o mais potente motor Diesel disponível na nova geração do CLS. Da gama fazem ainda parte o CLS 300 d (motor de quatro cilindros de 245 cv) e o CLS 350 d (derivação de 286 cv da unidade motriz do novo seis cilindros em linha), mas é no CLS 400 d em análise que o novo propulsor de 2,9 litros exibe os seus melhores predicados, nomeadamente um respeitável rendimento de 340 cv de potência conjugada com um notável binário de 700 Nm, para mais disponível em permanência entre as 1200-3200 rpm!

Sobram, pois, encómios para este regresso da Mercedes a uma das mais apreciadas e nobres arquitecturas dos motores de combustão. A começar por uma sonoridade que, mesmo no exterior, pouco tem que ver com o tradicional dos Diesel, e que, no interior, ou não se faz sentir (excelente trabalho realizado ao nível do isolamento acústico), ou o que se ouve é um rumor grave, possante, rouco e encorpado. Melhor ainda, o seu desempenho acompanha na perfeição esta “melodia”: a superior capacidade de resposta em todos os regimes, bem coadjuvada pela caixa automática de nove velocidades de resposta pronta e inteligente, e pelo sistema de tracção total 4Matic sempre associado a este motor, traduz-se em acelerações e recuperações fantásticas (5,2 segundos nos 0-100 km/h, 24,7 segundos no quilómetro de arranque), num ápice se alcançando os 250 km/h de velocidade máxima permitidos pela electrónica.

Aliás, a pujança do conjunto é tal, que o CLS 400 d parece quase indiferente às variações de relevo, e mesmo em subidas a sua capacidade de aceleração é esmagadora. Como o é a sua capacidade de tracção, mesmo quando a aderência não é perfeita, aqui se sentindo um dos benefícios da tracção integral, bem como a rapidez de funcionamento da caixa 9G-Tronic, cujo maior handicap é, mesmo no modo Sport e quando comandada manualmente através das patilhas no volante, continuar a seleccionar uma relação superior quando se atinge o regime máximo de funcionamento do motor.

O regresso da Mercedes aos Diesel de seis cilindros em linha é feito ao melhor nível, numa unidade que, na sua derivação mais potente, brilha pelo equilíbrio, pela suavidade, pelo fulgor e pelo apetite comedido. Nem parecendo um motor a gasóleo…

O regresso da Mercedes aos Diesel de seis cilindros em linha é feito ao melhor nível, numa unidade que, na sua derivação mais potente, brilha pelo equilíbrio, pela suavidade, pelo fulgor e pelo apetite comedido. Nem parecendo um motor a gasóleo…

Como se tudo isto não fosse suficiente, o CLS 400 d consegue ainda oferecer consumos que não deixarão de muito satisfazer os seus utilizadores. Excelentes em estrada e auto-estrada, sobretudo se se cumprirem os limites de velocidades legalmente impostos, em cidade também não assustam face às características do veículo. Por isso, numa condução descontraída, sem preocupações de maior com o pedal da direita, a média tenderá a ficar um pouco acima dos 8,0 l/100 km; e mesmo quando se pretende retirar do motor tudo o que este tem para dar, sem quaisquer reservas, os valores ainda assim ficarão, as mais das vezes, aquém dos 14,0 l/100 km, o que também não deixa de ser notável.

A avaliação do desempenho dinâmico do “nosso” CLS 400 d dependeu bastante dos vários opcionais que no mesmo estavam instalados, com destaque para as jantes de 20” (revestidas por pneus 245/35 na frente, e 275/30 atrás) e para a suspensão pneumática. Com esta configuração, é difícil resistir aos encantos do modelo, cujo maior atributo será, porventura, a facilidade com que deixa conduzir (muito…) depressa, não obstante os seus quase cinco metros de comprimento e quase duas toneladas de peso (certamente superadas na unidade testada, com todos os extras com que contava).

A verdade é que o controlo dos movimentos da carroçaria é muito bom, a frente acaba por ser rápida e precisa na inscrição em curva, tudo concorrendo para uma enorme estabilidade e compostura em todas as circunstâncias, a que há que juntar um sistema de travagem poderoso e competente, ainda que carente de uma maior resistência à fadiga em troços mais sinuosos cumpridos a ritmos a que, reconheça-se, pouco deverão ser aqueles que sujeitarão o seu CLS. Quando se abusa do acelerador, ou sobre pisos de menor aderência, fica patente a validade do sistema 4Matic, cuja repartição estática é de 45% para a frente e de 55% para trás, quando não há perdas de tracção envia o binário, preferencialmente, para o eixo posterior, mas não deixa de dar vida às rodas dianteiras quando o CLS aflora os limites da física.

Dinamicamente, o CLS 400 d cumpre com tudo o que dele se espera, combinando uma condução acessível, um conforto soberbo e refinado, uma grande eficácia e aquele toque extra de desportividade que se espera de um coupé

Dinamicamente, o CLS 400 d cumpre com tudo o que dele se espera, combinando uma condução acessível, um conforto soberbo e refinado, uma grande eficácia e aquele toque extra de desportividade que se espera de um coupé

Os mais exigentes, ou arrojados, notarão, igualmente, que, pese embora a massiva aderência garantida pelo equipamento pneumático raramente permita grandes perdas de tracção, o facto é que a agilidade chega a ser surpreendente, em especial no modo mais permissivo do controlo de estabilidade (que nunca pode ser desligado por completo), quando se desequilibra a traseira através da acção da direção e/ou do travão, já que não é preciso muito para o eixo posterior descolar um pouco, por forma a para ajudar na descrição da trajectória. E se a omnipresente electrónica impede maiores acrobacias (embora, mesmo que o ESP desligasse por completo, dificilmente a combinação pneus/motor permitiria andar em drift), a verdade é que este é um acréscimo de agilidade de que muitos conseguirão usufruir sem terem que ser sobredotados ao volante, apenas mais atentos às reacções do veículo, cujo controlo facilmente se garante através de uma direcção bastante rápida, directa, precisa e comunicativa, mas que nem por isso condiciona o agrado de utilização quando se adoptam ritmos mais suaves.

E suavidade é o que também não falta a bordo, graças ao excelente conforto oferecido pela suspensão, em especial no modo Confort, capaz de absorver a maioria das irregularidades, e por elas passar, com desprezo quase absoluto, mesmo com pneus de perfil tão baixo – em auto-estrada, então, o CLS 400 d parece quase um tapete rolante. Já no modo de funcionamento mais desportivo, a tranquilidade dos ocupantes poderá ser perturbada por pisos de empedrado, tampas desniveladas e outras irregularidades semelhantes, como não é de espantar.

Tudo contabilizado, o novo CLS 400 d revelou-se, inquestionavelmente, um excelente automóvel, que facilmente encanta, mas cujo encanto, exterior, interior e dinâmico, varia na razão directa do investimento efectuado em opcionais que estão, na sua maioria, longe de ser baratos. No caso da unidade testada, a uma factura que, na versão base, já não é pequena, superando a centena de milhar de euros, há que adicionar praticamente 20 mil euros…

Mas os resultados podem ser fascinantes, sendo altamente recomendada a suspensão pneumática, a que melhor assegura a conjugação desses dois atributos aparentemente inconciliáveis, conforto e eficácia dinâmica – embora, quem não queria dispender €2350, pode sempre, por €1250, escolher a suspensão Dyamic Body Control, rebaixada 15 mm e dotada de amortecimento pilotado. Este é, pois, um automóvel que, assim se possa pagar, pode contar com praticamente todos mimos possíveis em termos de tecnologia. Incluindo o excelente sistema condução semi-autónoma que até faz ultrapassagens sozinho, porventura a melhor solução do mercado da actualidade neste particular.

Airbag para condutor e passageiro (desligável)
Airbags laterais dianteiros
Airbags de cortina
Airbags pélvicos dianteiros
Airbag para os joelhos do condutor
Encostos de cabeça activos
Controlo electrónico de estabilidade
Sistema Pre-Safe
Cintos dianteiros com pré-tensores+limitadores de esforço
Fixações Isofix
Attention Assist
Adaptive Brake com secagem de travões e assistente de subidas
Collision Prevention Assist Plus
Sistema de chamada de emergência
Travão de estacionamento eléctrico
Ar condicionado automático bizona
Computador de bordo
Cruise control+limitador de velocidade
Bancos dianteiros parcialmente eléctricos+aquecidos
Bancos em pele
Bancos traseiros rebatíveis assimetricamente
Apoio braços traseiro com compartimento de arrumação
Aplicações em madeira
Volante regulável em altura+profundidade
Volante desportivo em pele multifunções
Painel de instrumentos digital configurável
Rádio Audio 20 USB com ecrã de 12,4″+2 entradas USB
Mãos-livres Bluetooth (telefone+áudio)
Sistema de navegação Garmin Map Pilot com informação de tráfego em tempo real
Vidros eléctricos FR/TR
Retrovisores eléctricos+aquecidos+rebatíveis electricamente
Retrovisor interior+exterior esquerdo electrocromáticos
Sensores de luz+chuva
Faróis por LED
Pack Parking (sensores de estacionamento FR/TR+câmara de marcha-atrás)
Sistema de estacionamento activo
Jantes de liga leve de 18″
Sistema de monitorização da pressão dos pneus
Kit de reparação de pneus
Kit de primeiros socorros

Pintura exterior mate (€3450)
Linha de design Exterior AMG (€2550 – inclui: Pack Estético AMG+jantes em liga de 20"+Linha de Design Interior AMG [inclui: bancos em pele+volante desportivo multifunções em pele+tapetes AMG])
Pack de Assistência à Condução Plus (€2550 – inclui: Distronic Plus com assistente de direcção+Assistência Activa à Mudança de Faixa+Pre-Safe Impulse Side+Assistente de Limite de Velocidade+Controlo Automático de Velocidade)
Pack Premium Plus (€5550 – inclui: cockpit panorâmico+bancos dianteiros aquecidos+câmara panoarâmicca 360°+pré-instalação para sistema de estacionamento remoto+bancos dianteiros eléctricos com três memórias+Command Online+faróis Multibeam LED com assistente de máximos+acesso/arranque sem chave+abertura/fecho remotos da tampa da mala+tecto de abrir eléctrico+sistema de som Burmester Surround)
Pack Night (€600)
Pack Estacionamento Remoto (€100)
Suspensão penumática Airmatic (€2350)
Jantes em liga multiraiadas (€1150)
Telefonia multifunções (€650)
Acabamentos interiores Metal-wave (€100)

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Sobre o autor
António de Sousa Pereira
Absolute Motors é um projecto de informação essencialmente dedicado à área dos motores, com particular foco nos sectores dos automóveis e das motos, mas sem prejuízo de cobrir qualquer outra área de interesse manifesto para os seus leitores.
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