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NIO EP9: Nürburgring tem novo recordista eléctrico com 1360 cv

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NIO EP9: Nürburgring tem novo recordista eléctrico com 1360 cv

É impressionante o ritmo a que, na China, surgem as empresas que se anunciam como fabricantes de modelos eléctricos, apoiadas e/ou financiadas pelas grandes companhias tecnológicas locais, nomeadamente da área da Internet. E quase todas elas têm um denominador comum: a ambição de lançar um superdesportivo exclusivamente movido a energia eléctrica, mas capaz de competir com os mais reputados modelos do género oriundos dos fabricantes ditos “tradicionais”.

Uma delas é a NextEV, fundada em 2014 em Xangai, com o apoio financeiro de dois sites da área automóvel, e ainda do portal de comércio electrónico JD.com. O seu primeiro modelo foi apresentado na Saatchi Gallery, em Londres, sob uma marca, também ela, inédita: a NIO. E desde logo o EP9, que incorpora muita da tecnologia aplicada pela NextEV na Fórmula E, e em cujo desenvolvimento participaram activamente os seus pilotos Nelson Piquet Jr. e Oliver Turvey, se anuncia como o eléctrico mais rápido do mundo.

Prova disso mesmo, o facto de ser já o detentor do melhor tempo, na sua categoria, no mítico Nordschleife, o interminável circuito longo de Nürburgring, ao cumprir uma volta ao “Inferno Verde” em 7 minutos, 52 segundos e 120 milésimos. Feito idêntico foi alcançado na pista de Paul Ricard, onde o EP9 registou um tempo de 1’52”780.

Ainda no domínio dos números, mais alguns elementos a reter: a par de uma velocidade máxima de 313 km/h, o EP9 promete cumprir os 0-100 km/h em 2,7 segundos (ainda assim, um décimo de segundo mais lento do que o Tesla Model S P100D…), os 0-200 km/h em 7,1 segundos e os 0-300 km/h em 15,9 segundos. Em boa parte porque o rendimento combinado dos seus quatro motores eléctricos atinge um total de 1 MW (1360 cv) de potência, sendo o binário máximo entregue às rodas de 6634 Nm, constante entre as 0-7500 rpm.

Está, assim, cumprida uma das principais promessas do construtor chinês: o seu hiperdesportivo ser capaz de oferecer prestações equivalentes às dos supercarros híbridos de referência do momento, como o La Ferrari ou o McLaren P1. Outra é o EP9 constituir uma nova abordagem, em termos conceptuais, para poder lidar com as exigências físicas impostas por forças da ordem dos 3 g, e, ao mesmo tempo, possuir a solidez estrutural e a eficiência aerodinâmica que lhe permitam atingir tão elevadas velocidades.

Para tal, o modelo conta com uma carroçaria e um châssis monocoque em fibra de carbono, que anuncia uma rigidez torsional de nada menos do que 30 000 Nm/° e foi concebido para estar de acordo com os regulamentos da classe LMP1 em termos de segurança. Ao passo que o pacote aerodinâmico inclui um difusor a todo o comprimento do fundo do veículo, um splitter dianteiro regulável, vários apêndices fixos e uma asa traseira activa com três posições – tudo concorrendo para uma downforce de 2450 kg a 240 km/h, que a NIO afirma ser duas vezes superior à de um monolugar de Fórmula 1 actual.

Passemos às ligações ao solo. As suspensões activas estão dotadas de amortecedores reguláveis em quatro vias e de um actuador hidráulico responsável por manter constante a altura ao solo. As jantes, desenvolvidas especificamente para o EP9, são de 13Jx19” ou de 10 1/2JX21”, em ambos os casos com inserções em fibra de carbono, podendo montar pneus de competição de medida 320/705R19, ou convencionais de medida 295/35R21.

Graças a estes atributos, a NIO garante que o EP9 está apto a gerar forças da ordem dos 3 g em curva como em travagem, normalmente só experimentadas por pilotos de caças de combate. Em curva, a 230 km/h, quem seguir a bordo do modelo experimentará uma aceleração lateral 2,53 vezes superior à aceleração da gravidade, em travagem a aceleração longitudinal pode chegar a ser de 3,30 g. Aqui, será oportuno referir que os travões de competição específicos do EP9, desenvolvidos em conjunto com a Alcon, contam pinças de seis pistões e discos carbocerâmicos de 408 mm de diâmetro em ambos os eixos (os dianteiros com 40 mm de espessura, os traseiros com 36 mm de espessura).

Quanto ao sistema de propulsão, é composto por quatro motores-geradores, cada qual com 1480 Nm e dotado de uma caixa de velocidades de relação única, e todos geridos electronicamente, estando assim garantida a vectorização do binário. A alimentá-los estão dois conjuntos de baterias de iões de lítio a 777 Volt com refrigeração líquida indirecta, aptos a oferecer uma autonomia de 427 quilómetros. Estando esta esgotada, existem duas possibilidades: recarregar as baterias em 45 minutos, ou subsituí-las por outras já carregadas, operação que não demora mais do que oito minutos.

Mais difícil de contornar, quando esta é a tecnologia empregue, é o factor peso: apesar de toda os materiais leves  utilizados na sua construção, o superdesportivo eléctrico chinês não consegu ficar aquém dos 1735 kg na balança, acusando alguma “obesidade” face a outros modelos com a mesma vocação, equipados, total ou parcialmente, com motores convencionais. Só para nos cingirmos aos “rivais” mencionados pelo seu construtor, a diferença para o La Ferrari e para o McLaren P1 é de cerca de 200 kg e 300 kg, respectivamente.

No cockpit, referência para as bacquets construídas numa pela única de firba de carbono, revestidas parcialmente a pele com costuras contrastantes. Defronte do condutor estão montados quatro ecrãs digitais que fornecem as mais variadas informações, um deles ao centro do volante de formato rectangular, inspirado nos dos Fórmula 1.

Quanto a preços, nada foi revelado, mas tudo aponta para que cada EP9 custe qualquer coisa como um milhão de euros. A produção estará limitada a seis exemplares, todos destinados a investidores da empresa, que os utilizarão em track days e outros eventos como forma de promover a NIO antes do lançamento do seu primeiro modelo eléctrico de produção em grande série, aprazado para 2017 e previsto não só para a China, como para os EUA e para a Europa. A ver vamos o que daí resultará, quando o que se sabe, efectivamente, é que, neste domínio, o que a NextEV assinou foi um contrato com a empresa de capitais estatais Jianghuai Automobile Co., para a montagem de automóveis eléctricos… de preço acessível!

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Sobre o autor
António de Sousa Pereira
Absolute Motors é um projecto de informação essencialmente dedicado à área dos motores, com particular foco nos sectores dos automóveis e das motos, mas sem prejuízo de cobrir qualquer outra área de interesse manifesto para os seus leitores.
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