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Estações náuticas para quando? Muita fala e pouca acção

Artigo
Estações náuticas para quando? Muita fala e pouca acção

A discussão da necessidade de implementação de estações náuticas em Portugal, para que o desenvolvimento sustentado e organizado do usufruto da náutica pudesse ser uma realidade é já uma “conversa” que remonta a 2008.

Em 2010, em Espanha, já estavam a funcionar em pleno 28 estações náuticas, distribuídas por todo o território. Em França existiam perto de quatro dezenas. Já foi inclusivamente formada uma rede de estações náuticas que se quer europeia e que é liderada por França e Espanha. Nessa rede que circunda a costa europeia, desde a Normandia até ao Mónaco, passando por Barcelona e alguns portos Marroquinos, há uma interrupção de 900 km, na sinalização dos locais das estações náuticas. Esses 900 km correspondem exactamente à costa portuguesa (ver mapa neste link: http://www.nautical-tourism.eu/station.htm?ob=station).

Entretanto, em Portugal, já se realizaram mais de uma dezena de encontros e “congressos” sobre o assunto, mas o facto é que o trabalho que se tem vindo a realizar é muitíssimo escasso, diria mesmo residual.

Encontramos aqui e além alguns esforços individuais, de alguns territórios e autarquias, para a criação de estações náuticas, mas mesmo essas parece que não incorporaram o conceito de Estação Náutica.

Não me vou alongar em descrições sobre esse conceito, pois qualquer primeiro resultado no Google sobre o assunto nos explica o que esse conceito abarca. Penso que bastará dizer que, embora mal comparado, é o mesmo conceito das estações de ski; em que numa única chamada telefónica, ou pesquisa no site de uma estação, poderemos programar a nossa estadia, as actividades que queremos desenvolver, temos informação dos preços de aluguer de material, oferta de inúmeros locais para comer e pernoitar, etc. Por outro lado a existência destas estações náuticas (à imagem das de ski) criam formas e formatos de trabalho que transmitem segurança no consumidor que sabe de antemão o seu programa e pode, em conformidade com o seu orçamento, criar o seu programa de actividades.

Dou um exemplo. Como nauta também já fui infectado com a febre do paddleboard – uma excelente forma de caminhar sobre as águas, vos garanto! – e este Verão, para não ter de transportar o meu paddle pensei em alugar um quando chegasse ao meu destino, no Algarve. Não o fiz, pois o preço do aluguer diário de um paddleboard era o mesmo do que uma auto caravana em época média. Algo está muito errado nesta forma de pensar o negócio. Em vez de uma promoção de aluguer a preços razoáveis, de um objecto de recriação náutica com um potencial extraordinário, a todas as pessoas que por ali passavam e que se mostravam interessadas, prefere-se afastar o cliente de impulso imediato, ficando-se a aguardar pelo cliente com grande potencial de compra, muitas vezes já conhecedor da modalidade e que tarda sempre em aparecer, pois esse preferirá (eventualmente) outra modalidade nas férias. Assim, em vez de se capitalizar com muitos alugueres de baixo valor e “infectar” o cliente na prática e um eventual regresso no dia seguinte, fica-se sentado à espera de alguém que esteja disposto a gastar o valor correspondente a 10% do preço de um paddleboard. Para mim isto não é uma forma muito inteligente de fazer negócio.

Voltando às estações náuticas. Se estas começarem a ser implementadas, não só este tipo de abusos de preços cobrados tende a desaparecer, pois deverá forçosamente existir uma regulamentação dos valores em rede, como a oferta de serviços e “objectos flutuantes” para o usufruto de nautas e iniciados será de muito mais fácil acesso, podendo assim qualquer família programar as suas férias náuticas.

Bons ventos, boas marés e boas passeatas náuticas.

Vasco Macide
Editor Náutico da Absolute Motors

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