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Jeep Wrangler Unlimited 2.2 CRD 4X4 Auto Freedom

Artigo
Jeep Wrangler Unlimited 2.2 CRD 4X4 Auto Freedom

Visão geral
Marca:

Jeep

Modelo:

Wrangler

Versão:

Unlimited 2.2 CRD 4X4 Auto Freedom

Ano lançamento:

2020

Segmento:

Todo-o-terreno

Nº Portas:

5

Tracção:

Integral

Motor:

2.2 Diesel

Pot. máx. (cv/rpm):

200/3500

Vel. máx. (km/h):

180

0-100 km/h (s):

9,6

Consumos (l/100 km):

6,5/7,6/9,6 (Extra-urbano/Combinado/Urbano Euro 6d_Temp)

CO2 (g/km):

202 (Combinado Euro 6d_Temp)

PVP (€):

€66 600/€68 800 (unidade testada)

Gostámos

Desempenho em TT, Mecânica evoluída, Conforto, Versatilidade de utilização, Imagem, Robustez e exclusividade

A rever

Preço, Funcionalidade condicionada por rede separadora do habitáculo

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Qualidade geral
8.0
Interior
8.0
Segurança
8.0
Motor e prestações
7.0
Desempenho dinâmico
7.0
Aptidões TT
9.0
Desempenho TT
9.0
Consumos e emissões
6.0
Conforto
8.0
Equipamento
8.0
Garantias
8.0
Preço
6.0
Se tem pressa...

O Jeep Wrangler Unlimited 2.2 CRD 4X4 Auto Freedom mantém intactos todos os atributos de um dos mais competentes todo-o-terreno do mercado, acrescentando-lhes os elementos exclusivos de uma série especial concebida com um propósito muito específico, a par de um equipamento de série enriquecido. Uma proposta, sem dúvida, deveras interessante para os adeptos que valorizam a exclusividade extra que o mesmo proporciona, assim estejam disposto a pagar o montante a tão extenso argumentário obriga

7.7
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O Wrangler Unlimited 2.2 CRD 4X4 Auto Freedom aqui em análise é mais uma daquelas propostas da marca norte-americana que ajudam a perceber que a diversificação da oferta, e a capacidade de reinventar-se, tem sido atributo determinante para que o carismático todo-o-terreno da Jeep se consiga manter em produção há nada menos do que oitenta anos, com invejável sucesso e não mais do que quatro gerações ao longo destas oito décadas (isto porque a marca norte-americana considera que a sua primeira geração foi mesmo o Willys MB original, o primeiro 4×4 de produação em série do mercado). Na gama Wrangler, esta versão Freedom, em Portugal disponível apenas na carroçaria de quatro portas (noutros mercados, como o dos EUA, também é proposto na variante de duas portas), posiciona-se entre o mais acessível Sport e o mais dotado Sahara, tanto em termos de preço como no que ao equipamento diz respeito. Mas a sua génese é mais profunda e remota, e vai para além da vertente comercial.

No mercado de origem, a primeira edição Freedom foi lançada em 2003, com o Wrangler TJ, voltando a surgir, em 2012, com o Wrangler JK, e mantendo-se em catálogo até 2018, ano em que este findou a sua produção. Regressou ao catálogo em 2020, com a actual geração do modelo, e continua a ter como objectivo principal render homenagem aqueles que prestam serviço nas forças armadas dos EUA, ao ponto de parte da receita das respectivas vendas destinar-se à USO (United Service Organizations), organização sem fins lucrativos, fundada em 1941, pelo presidente Franklin Roosevelt, que tem como missão dar apoio moral às tropas do país no exterior, e ajudar os ex-militares a reintegrarem-se na vida civil quando terminadas as suas missões, ou findo o serviço militar.

Naturalmente que desta vertente cívica pouco dependerá a opção pelo Wrangler Unlimited 2.2 CRD 4X4 Auto Freedom por parte de quem não tenha uma ligação umbilical aos EUA. Pelo que, para esses, melhor será elencar o que distingue este modelo da versão Sport, de que deriva, à mesma acrescentando alguns elementos específicos, um equipamento de série mais extenso e uma superior capacidade para evoluir fora de estrada.

A decoração exterior específica, alusiva aos propósito muito concreto desta série especial, será o principal factor distintivo do Jeep Wrangler Unlimited 2.2 CRD 4X4 Auto Freedom

A decoração exterior específica, alusiva aos propósito muito concreto desta série especial, será o principal factor distintivo do Jeep Wrangler Unlimited 2.2 CRD 4X4 Auto Freedom

Visualmente, e confirmando a sua postura “militarista”, referência primeira para a estrela aplicada no capot e na lateral traseira direita, em posição oposta à da portinhola de acesso ao depósito de combustível. E, ainda, para a exclusiva menção “Oscar Mike” presente no emblema existente no portão traseiro, e na chapa identificativa aplicada na face exterior do painel lateral posterior (só visível quando aberto na totalidade o portão traseiro, e aqui acompanhada da ilustração de dois Wrangler a serem largados de pára-quedas) – uma expressão militar que significa “On the Move”, e que pretende, no caso em apreço, ilustrar a capacidade do Wrangler para chegar a qualquer local e desempenhar qualquer tarefa.

Relativamente ao equipamento de série, e face ao oferecido no nível Sport, o Freedom acrescenta bancos revestidos a pele e tecido; bancos dianteiros aquecidos; sistema de som Alpine com nove altifalantes (incluindo o subwoofer montado na mala); vidros traseiros escurecidos; revestimento interior do tejadilho com isolamento acústico suplementar; e hard-top removível (cuja secção traseira, não é, propriamente, fácil de retirar, ao contrário da frontal, composta por dois painéis, cada qual com três fechos e um gancho, mas sendo esta uma operação que, a dois, acaba por efectuar-se com suficiente simplicidade, mesmo que obrigando a desmontar vários parafusos, assim como o limpa pára-brisas e o desembaciador traseiros, e a alguma destreza para manusear um elemento com consideráveis dimensões e peso). Ao mesmo tempo, foi adicionado o diferencial autoblocante traseiro, para uma superior eficácia dinâmica, nomeadamente nas aventuras pelo todo-o-terreno.

O reforço do equipamento de série, face ao da versão Sport, também não foi esquecido: bancos revestidos a pele e tecido (os dianteiros aquecidos), sistema de som Alpine, vidros traseiros escurecidos, hard-top removível e diferencial traseiro autoblocante

O reforço do equipamento de série, face ao da versão Sport, também não foi esquecido: bancos revestidos a pele e tecido (os dianteiros aquecidos), sistema de som Alpine, vidros traseiros escurecidos, hard-top removível e diferencial traseiro autoblocante

Exceptuando o acima referido, o Wrangler Unlimited 2.2 CRD 4X4 Auto Freedom continua a ser aquilo que se conhece. Nomeadamente no plano estilístico, por via de uma estética que, apesar de adaptada aos tempos modernos, mantém-se integralmente fiel às suas origens, sendo absolutamente deliciosa, em boa parte por recorrer a diversos elementos que evocam gerações do modelo de outros tempos, como as dobradiças das portas, os fechos do capot, os faróis redondos ou a grelha com sete barras verticais. Mesmo num primeiro e breve olhar, não restam dúvidas de que este só podia ser um…Wrangler!

O mesmo acontece no habitáculo, onde não faltam referências ao longo passado do modelo. Mas não significa isto que o veículo não tenha acompanhado o progresso dos tempos, sendo disso prova os materiais utilizados (na sua maioria, robustos), a apreciável qualidade de construção e o rigor dos acabamentos. O mesmo acontece com o painel de instrumentos digital configurável, muito legível e dotado de um monitor central deveras informativo, e com o evoluído sistema de infoentretenimento Uconnect, com ecrã táctil de 8,4”, extremamente completo e fácil de utilizar, proporcionando, até, inúmeras informações relativas à condução em “TT” e ao funcionamento da mecânica, nomeadamente do sistema de tracção integral.

Como o fariam prever as generosas dimensões exteriores, e não obstante o châssis de longarinas e travessas, o espaço disponibilizado aos ocupantes, inclusivamente atrás, é amplo, se bem que o banco posterior privilegie, nitidamente, a ocupação por apenas dois ocupantes, acabando o terceiro lugar por ser bem menos acolhedor. A mala, com 533 litros de capacidade, será suficiente para satisfazer a maioria das necessidades, mesmo em viagem, e só é pena que o sistema tributário português, que teima em não abdicar dos seus aberrantes anacronismos, obrigue a que esteja instalada entre a bagageira e o habitáculo uma rede que impede que se tire partido pleno do banco traseiro rebatível assimetricamente, e que, de outra forma, ampliaria o volume de carga para uns impressionantes 1044 litros. Tudo isto para que o Wrangler Unlimited possa ser considerado como uma pick-up com três ou mais lugares e, assim, usufrua de uma redução de 50% da tabela B do ISV, essencial para poder praticar um preço minimamente competitivo…

A habitabilidade é generosa, inclusive atrás, embora a configuração do banco posterior privilegie a ocupação por dois ocupantes

A habitabilidade é generosa, inclusive atrás, embora a configuração do banco posterior privilegie a ocupação por dois ocupantes

Os bancos, por seu turno, não só proporcionam um elevado conforto, como conseguem oferecer um razoável apoio lateral, seja no fora de estrada ou quando se adoptam ritmos mais dinâmicos. Ao mesmo tempo, e apesar dos inúmeros comandos dispostos em redor do condutor, o acesso aos mesmos é sempre fácil, e a ergonomia muito correcta, com o posto de condução elevado e dominador, mas acolhedor, a permitir controlar facilmente toda o meio envolvente.

Passando ao motor, sob o capot está instalado o conhecido quatro cilindros turbodiesel 2.2 CRD, com 200 cv de potência e um binário máximo de 450 Nm às 2000 rpm, unidade capaz de garantir prestações bastante aceitáveis para um veículo com esta vocação, quase cinco metros de comprimento e mais de duas toneladas de peso, chegando a surpreender a forma como leva o Wrangler Unlimited até aos 180 km/h estabelecidos como velocidade máxima. Os valores registados nas acelerações e reprises também convencem, assim como os consumos, sejam a velocidades estabilizadas, em cidade ou em condições de utilização mais extremas: se a média tenderá a rondar os 10,5 l/100 km numa toada “civilizada”, mas despreocupada, em condução mais intensa aproxima-se dos 12,5 l/100 km, aflorando os 15,0 l/100 km quando da mecânica se pretende extrair todo o potencial, ou numa condução verdadeiramente exigente no fora de estrada, com recurso frequente às “redutoras”.

A par dos números, esta unidade motriz tem, ainda, a seu favor um elevado agrado de utilização, para o qual contribuem, sem dúvida, a franca resposta logo desde os baixos regimes, e a rápida caixa automática de oito velocidades, que, nas solicitações mais exigentes, até pode denotar algumas hesitações, mas sendo estas facilmente contornadas mediante o recurso ao seu comando manual em sequência, oferecido pela respectiva alavanca de comando. O funcionamento suficientemente suave e silencioso deste propulsor é outro factor a ter em conta, garantindo que este não perturba excessivamente os ocupantes, a não ser em solicitação mais extremas, argumento de peso num automóvel repleto de elementos que não favorecem o isolamento térmico ou acústico do habitáculo, que conta com formas pouco aerodinâmicas, e está equipado com pneus em que o baixo ruído de rolamento não foi prioritário aquando do seu desenvolvimento.

Conduzir o Wrangler Unlimited 2.2 CRD 4X4 Auto Freedom não acarretará surpresas de maior aos conhecedores deste género de proposta, o que nada tem de criticável, não só oferecendo um excelente conforto de marcha, mesmo em pisos mais degradados, absorvendo com grande competência até as maiores irregularidades, como o comportamento em estrada revela-se muito são para um verdadeiro “TT”. Apesar do elevado de peso, da suspensão por eixo rígido à frente e atrás (macia e de curso longo, a permitir um acentuado adornar da carroçaria em curva) e dos pneus A/T (que não têm como principal predicado a eficácia sobre alcatrão, especialmente quando este está molhado), acaba por exibir uma excelente atitude, curvando razoavelmente bem, também graças a um controlo eficiente dos movimentos da carroçaria. E se é um facto que, nos limites, é evidente a tendência para a subviragem, ou mesmo para escorregar às quatro rodas, em particular quando a tal é induzido pelo condutor, registe-se que todas as suas reacções são sempre previsíveis e fáceis de controlar, havendo apenas que lidar com a direcção por esferas recirculantes, algo vaga, em especial no seu ponto central, como é típico desta robusta solução.

A capacidade para chegar a praticamente qualquer local continua a ser um dos trunfos determinantes do Wrangler

A capacidade para chegar a praticamente qualquer local continua a ser um dos trunfos determinantes do Wrangler

Mas é sobre as superfícies que não o asfalto que qualquer Wrangler se torna numa proposta muito especial, impondo argumentos como a construção robusta, os resistentes eixos rígidos, a generosa altura ao solo, os favoráveis ângulos característicos ou a tracção integral, Neste caso, a cargo do sistema Command-Trac, complementado pelo diferencial traseiro autoblocante, solução que permite alternar entre a tracção às duas e às quatro rodas em andamento, até aos 75 km/h, e disponibiliza ao utilizador quatro modos de operação: 2H (tracção apenas traseira); 4H Auto (gestão automática da repartição do binário entre os eixos, permitindo circular no modo 4×4 a qualquer velocidade, sobre qualquer tipo de piso); 4H Part time (repartição fixa do binário entre os dois eixos); 4L (repartição fixa do binário entre os eixos em conjunto com o acionamento das “redutoras”, contando a caixa de transferências com uma relação de 2,72:1).

São estes trunfos que fazem com que o Wrangler Unlimited 2.2 CRD 4X4 Auto Freedom se imponha como poucos no fora de estrada, superando com aparente simplicidade a maioria dos obstáculos que se lhe deparem, e tendendo o seu potencial a ser mais cerceado pela coragem de quem segue ao volante, de se imiscuir por traçados realmente radicais, do que pela sua capacidade para os superar – mesmo sem contar com as barras estabilizadoras desconectáveis, nem com o sistema de tracção total Rock-Trac (caixa de transferências com uma relação de 2,72:1, e diferenciais traseiro e central totalmente bloqueáveis) do mais extremo e sobredotado Wrangler Rubicon (saiba mais aqui). Altamente recomendada aos mais experimentados, a sempre emocionante experiência de uma condução mais “acrobática” que o Wrangler consegue proporcionar nos largos troços com pisos de menor aderência, quando se circula no modo 4×2 com o controlo de estabilidade totalmente desligado.

Mantendo intocados todos os trunfos de um dos mais competentes todo-o-terreno do mercado, o novo assume-se, pois, como uma proposta por demais interessante para quem procura um veículo deste género e dá valor à exclusividade extra de uma série especial concebida com um propósito muito específico, mesmo que diminuta seja a ligação deste com a realidade de outro país que não aquele de que é originário. O preço, esse, continua a comprovar que tanto argumentário tem que se pagar, pois é inequívoco que os €66 600 pedidos pelo modelo não estão ao alcance de qualquer bolsa. Algo que também já não é novo.

A forma como se integra, de forma elegante, em qualquer paisagem é outro dos argumentos do carismático modelo da Jeep

A forma como se integra, de forma elegante, em qualquer paisagem é outro dos argumentos do carismático modelo da Jeep

Airbag para condutor e passageiro (desligável)
Airbags laterais dianteiros
Controlo electrónico de estabilidade
Controlo electrónico de descidas (HDC)
Cintos dianteiros com pré-tensores
Ar condicionado automático bizona
Computador de bordo
Cruise-control+limitador de velocidade
Bancos em pele+tecido
Banco do condutor com regulação em altura+lombar
Bancos dianteiros aquecidos
Banco traseiro rebatível 6o/40
Volante em pele multifunções regulável em altura/alcance
Vidros dianteiros+traseiros eléctricos
Rádio com ecrá táctil de 7"/leitor de mp3/tomadas USB+Aux
Sistema de som Alpine com nove altifalantes
Mãos-livres Bluetooth
Retrovisores exteriores eléctricos+aquecidos
Retrovisor interior electrocromático
Vidros traseiros escurecidos
Acesso+arranque sem chave
Assistente de máximos
Faróis de nevoeiro
Sensor de luz
Sensores de estacionamento traseiros
Câmara de estacionamento traseira
Jantes de liga leve de 17”
Sistema de monitorização da pressão dos pneus
Pneu sobressalente de dimensões normais
Hard-top desmontável
Pack Confort & Convenience (Revestimento Interior do hard-top com isolamento acústico suplementar)
Tomadas de 12 Volt na consola central+bagageira

Pintura metalizada (€1100)
Safety Pack (€1000 – inclui: cruise control adaptativo, travagem autónoma de emergência com alerta de colisão frontal)
Tapetes todo-o-terreno Mopar (€100)

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Sobre o autor
António de Sousa Pereira
Absolute Motors é um projecto de informação essencialmente dedicado à área dos motores, com particular foco nos sectores dos automóveis e das motos, mas sem prejuízo de cobrir qualquer outra área de interesse manifesto para os seus leitores.
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