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A oportunidade perdida

Artigo
A oportunidade perdida

Teve lugar recentemente, em Lisboa, a confer√™ncia internacional ‚ÄúCycle Cities‚ÄĚ, dedicada √†s capitais europeias cicl√°veis, iniciativa a que a edilidade alfacinha aderiu com entusiasmo. Entidades nacionais e estrangeiras apresentaram, suportadas em estudos, mapas e estat√≠sticas, a necessidade inquestion√°vel e inevit√°vel de converter as grandes urbes em cidades menos polu√≠das e mais amigas da popula√ß√£o. Inten√ß√Ķes louv√°veis e que dever√£o merecer de todos n√≥s o maior apoio.

Na mesma ocasi√£o, e porque era disso que se tratava, a bicicleta foi apontada como parte da solu√ß√£o para atingir aqueles fins, sendo referida a sua utilidade como solu√ß√£o de transporte individual. Temos assistido nos √ļltimos tempos a uma ‚Äúofensiva‚ÄĚ bem coordenada e suportada em mal escondidas ambi√ß√Ķes pol√≠ticas ‚Äď o voto √© f√°cil ‚Äď do lobi ciclista apostado em fazer deste ve√≠culo a grande solu√ß√£o para todos os males do circula√ß√£o e da mobilidade em, e para, as grandes urbes.

Curiosamente, ou nem por isso, dadas as raz√Ķes meramente eleitoralistas, e populistas, apesar das in√ļmeras e evidentes incapacidades da bicicleta para ser esse ve√≠culo milagroso, est√° a tornar-se feroz a ofensiva dos seus (nalguns casos, fan√°ticos) defensores que, movimentando-se nos locais certos e carregando os bot√Ķes adequados, pedalam alegremente para fazer vingar a sua l√≥gica.

Eu, também enquanto ciclista e adepto de um estilo de vida em que a mesma seja algo mais presente, acredito que a bicicleta é parte da solução, mas não é a solução. A solução para o transporte individual urbano e interurbano é a moto e, mais especificamente, pela sua morfologia e capacidades práticas, a scooter. Defendo-o há anos. Escrevo-o há anos.

Infelizmente, as motos não têm (e os motociclistas tão pouco) um lóbi suficientemente forte para se fazerem ouvir. As marcas (distribuidores e retalho) raramente conseguem falar a uma voz no seio da ACAP e a federação motociclística é rizível no que à vertente da constituição de lobi diz respeito. O recente exemplo da municipalidade do Porto, que abriu às motos os corredores BUS (medida que tem mais de uma década em cidades como Madrid ou Barcelona) deixa algumas esperanças. Em Lisboa, reina a total indiferença perante a possibilidade de usar a moto como solução para os problemas. A recente nomeação de um ciclista, entusiasta e convicto, para chefiar o departamento de mobilidade de Lisboa (pelouro que o Presidente Costa supervisiona directamente) não augura, neste aspecto, nada de bom.

Quando, por ac√ß√£o do deputado Miguel Tiago do PCP, a ‚Äú Lei das 125‚ÄĚ foi aprovada, criou-se uma oportunidade √ļnica para o sector fazer valer os seus pontos de vista e tentar impor um di√°logo mais alargado no sentido de ‚Äúvender‚ÄĚ a moto como solu√ß√£o de mobilidade (real e n√£o apenas filos√≥fica). Nada se fez. A oportunidade perdeu-se.

Um estudo recente, realizado entre 2001 e 2011, revela que 360.000 pessoas entram diariamente em Lisboa. Apenas 0,9% o fazem de moto. Hoje, o n√ļmero ser√° um ligeitramente maior, devido ao cresicmento das 125 cc, mas revela bem o atraso em que estamos. Conseguiremos recuperar?

Vitor Sousa
Assessor de comunicação

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Vitor de Sousa
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