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Devemos Usar Câmaras a bordo?

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Devemos Usar Câmaras a bordo?

O que são as câmaras a bordo? Uma Câmara a Bord, Blackbox ou DashCam é um equipamento especialmente desenvolvido para ser montado no interior do veículo, tipicamente no para-brisas, através de um suporte fixo através de fita adesiva. A utilização de câmaras a bordo tem sido popularizada em canais de vídeo e em redes sociais, em que são registados milhares de vídeos de sinistros rodoviários, situações onde grandes colisões são evitadas por “sorte”, e até de meteoritos que entram pela atmosfera terrestre.

As câmaras a bordo foram desenvolvidas na República da Coreia, onde os condutores as utilizam há mais de uma década. Hoje, cerca de 85% dos veículos na República da Coreia estão equipados com este tipo de sistemas. Foram desenvolvidas para fornecer aos condutores proteção em caso de algum incidente ou sinistro rodoviário e contra situações de fraude. Esquemas fraudulentos, conhecidos por “Crash for Cash” (veja o link) ou “Flash for Cash”, são cada vez mais utilizados para extorquir dinheiro a condutores incautos, que receosos dos aumentos nos seus prémios de seguro, entregam a quantia solicitada pelo provocador de um falso sinistro ou vêem-se responsabilizados pelas suas seguradoras

Muitos condutores entregam consideráveis quantias a estes “especialistas” da fraude. As câmaras a bordo podem funcionar como prova inequívoca das condições de um sinistro, sendo o vídeo a melhor testemunha para provar o que realmente ocorreu. Não pense que o caso não é sério: só no Reino Unido estima-se que este tipo de fraude represente cerca de 400 milhões de libras por ano, existem campanhas informativas, números telefónicos para a denúncia de esquemas fraudulentos e publicação dos locais mais prováveis onde se tornar uma vítima (veja o link).

As câmaras a bordo permitem aos condutores circularem na estrada com maior segurança e proteção, pois gravam em contínuo (sendo os vídeos separados em alguns minutos: um, três ou cinco) o ambiente envolvente ao veículo – dependendo da capacidade do cartão de memória SD e das opções do equipamento, podem ser gravadas desde três a nove, ou mesmo mais, horas de vídeo, antes dos antigos começarem a ser apagados, dando lugar aos mais recentes. Em termos de preços, há-os para todos os gostos, desde vinte ou trinta euros até valores acima dos quinhentos euros, sendo as suas características e capacidades obviamente distintas.

Os primeiros tipos de câmaras a bordo eram apenas constituídos por uma câmara frontal, mas muitos condutores sentiam que precisavam de outra câmara voltada para trás e montavam dois equipamentos, sendo que os equipamentos mais comuns, hoje em dia, são os sistemas duplos, sendo uma câmara montada para a frente e outra para trás (podendo a câmara traseira ser utilizada como câmara de estacionamento, o que acaba por ser muito útil, por sinal), com sincronismo automático. Existem ainda alguns sistemas com quatro câmaras instaladas, de modo a cobrir todos os ângulos do veículo, muitas vezes instalados em veículos pesados de mercadorias e autocarros.

As câmaras a bordo (que considero como tal) possuem um sistema GPS (integrado ou como acessório) que fornece informações sobre a velocidade, altitude e as coordenadas de localização do veículo. Possuem ainda um acelerómetro de três eixos (3D), registando as acelerações longitudinal, lateral e vertical do veículo. Os vídeos e toda a informação podem ser verificados na própria câmara ou em aplicações para smartphone, ou mais tarde, em software próprio no computador, em que a informação é sobreposta em mapas como os do Google Maps ou outros.

Devem ter ainda a possibilidade de funcionamento em modo Estacionamento (ou modo Parque),l em que o detetor de movimento é fundamental para poupar a bateria do veículo. Normalmente, a alimentação é feita através da ficha de isqueiro do veículo, mas pode (e deve) ser instalado um pequeno dispositivo que permite a ligação à caixa de fusíveis interna do veículo, evitando assim a ínfima possibilidade de descarregamento da bateria do veículo e tornando a montagem mais discreta. A gravação do som envolvente permite completar a informação registada em vídeo, provando por exemplo, se indicámos a mudança de direção, ou seja, se fizemos “pisca” ou não. Normalmente, os nossos veículos fazem um “TIC-TIC” quando o pisca é acionado.

E como funcionam as câmaras a bordo? Utilizar uma câmara a bordo não requer quaisquer conhecimentos técnicos. Em geral, existem quatro componentes principais que vêm com o equipamento: a câmara (ou câmaras), o cartão de memória, os cabos de ligação e de alimentação e o suporte. Basicamente, coloque o cartão de memória na câmara, monte a câmara no suporte, retire a proteção da fita adesiva e, em seguida, cole o suporte ao para-brisas. Ligue o cabo de alimentação da câmara à tomada de isqueiro ou outra ficha de 12 Volt.

A partir daqui, não precisa de se preocupar mais, entra no carro e conduz normalmente, sabendo que poderá sempre provar o que se passou em seu redor. Quando o veículo está ativo e em movimento, a câmara grava tudo o que conseguir captar para o cartão de memória. Este processo de gravação é automático, sendo iniciado e desligado com a ignição do veículo. Se o equipamento tiver modo de estacionamento, continuará a gravar.

A maioria dos sistemas grava vídeos incrementais de um, três ou cinco minutos, permitindo o rápido acesso de reprodução à situação que terá interesse para o condutor. Quando o cartão estiver cheio, a gravação cíclica começará a apagar os ficheiros mais antigos, substituindo-os pelos novos. Algumas câmaras a bordo permitem uma gestão diferente, sendo possível guardar todos os vídeos marcados como Evento (despoletados pelo acelerómetro) em detrimento dos vídeos Normais ou de Estacionamento.

Quando precisar de visualizar algum vídeo, pode fazê-lo diretamente na câmara a bordo, se esta tiver um ecrã LCD. A maioria nem tem, mas pode ligar o telemóvel em rede wi-fi com a câmara e transferir os vídeos com interesse, ou então retirar o cartão de memória, e inseri-lo no seu computador (existe software traduzido para português – veja o link) ou no telemóvel. Algumas câmaras mais recentes permitem o envio dos vídeos para um servidor (over the cloud).

Quem deve usar as câmaras a bordo? Todos… Há anos que várias forças policiais utilizam sistemas de vídeo para captar e registar esses vídeos como meio probatório em tribunal. Outras entidades, como os bombeiros, as viaturas de emergência e os transportes públicos, também têm usado essas câmaras por uma variedade de razões, mas sempre para fazer prova de alguma situação, difícil de provar de outra forma.

Mais recentemente, os condutores comuns, as famílias e várias empresas começaram a utilizar as câmaras a bordo para proteger os seus bens, gerir a logística do negócio, controlar a frota de veículos e contestar qualquer litígio com as companhias seguradoras ou em ações de responsabilidade criminal ou cível. Eu próprio, como investigador de sinistros rodoviários, já utilizei imagens de videovigilância (não de câmaras a bordo) em processos judiciais, e já usei vídeos de câmaras a bordo para ajudar a caracterizar alguns locais onde estudámos colisões gravíssimas.

Para empresas com frotas de veículos, as câmaras a bordo induzem melhorias no comportamento dos condutores, tendo como resultado direto a redução dos custos em combustível, do desgaste dos veículos e de ocorrência de sinistros. As frotas de veículos são bons candidatos a este tipo de proteção, dadas as elevadas quilometragens percorridas anualmente, com maior risco de sinistro ou fraude.

Em qualquer sinistro rodoviário, existe o risco de terceiros interpretarem incorretamente ou deliberadamente distorcerem a realidade do que se passou, o que pode ser facilmente contrariado se possuirmos o vídeo do sinistro. A prova de vídeo pode ajudar a sua seguradora a processar o seu pedido de forma mais eficiente e impedir um impasse entre a sua seguradora e a do outro condutor. Os condutores em geral, especialmente os jovens que têm prémios de seguro mais altos, poderão beneficiar financeiramente através da redução dos seus prémios, devido à utilização destes sistemas. No Reino Unido, existem várias companhias seguradoras que reduzem os prémios e até comparticipam a aquisição das câmaras a bordo dos seus segurados.

Portanto, cidadãos, condutores profissionais de veículos de mercadorias e de passageiros, taxistas, condutores da Uber e similares, condutores de carrinhas de crianças e condutores de veículos de emergência, polícias… Enfim: todos deviam equipar os veículos com câmaras a bordo.

E os benefícios das câmaras a bordo? Além do exposto, há outras razões para a utilização de câmaras a bordo, que fornecem provas irrefutáveis em vídeo quando ocorre algo errado, por exemplo, contestações de sinistros e fraudes de seguros. Há um vasto número de acontecimentos surpreendentes e interessantes que ocorrem diariamente nas estradas, e é evidente que cada vez mais veículos estão a ser equipados com câmaras, sendo que os seus condutores podem beneficiar de:
– gravação automática e contínua em vídeo e áudio de eventos
– evidência de colisão de veículo e qualquer transgressão
– fornecimento de provas irrefutáveis de vídeo à polícia, às companhias de seguros e aos Tribunais
– segurança e mecanismo de proteção contra condutores imprudentes
– promoção da segurança rodoviária, podendo contribuir para a redução do trauma na estrada
– análise da velocidade, hora, data e o local em que o condutor usou o veículo
– vigilância através da deteção de movimento ou do modo de estacionamento quando se encontra longe do veículo
_ manutenção efetiva e eficiente de frotas de veículos
– prova em qualquer atividade rodoviária (acidente, sinistro, roubo, atividade dos peões…)

Por tudo isto, é claro que devemos usar câmaras a bordo, DashCams ou como lhes queiram chamar.

Ricardo Portal
Investigador de Sinistros – icollision

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Sobre o autor
António de Sousa Pereira
Absolute Motors é um projecto de informação essencialmente dedicado à área dos motores, com particular foco nos sectores dos automóveis e das motos, mas sem prejuízo de cobrir qualquer outra área de interesse manifesto para os seus leitores.
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