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Vista de África e de fora do meio

Artigo
Vista de África e de fora do meio

Nestes últimos dias, e antes de uma reunião convocada por sua Exa. O Ministro da Juventude e Desportos de Angola com as Federações e demais agentes desportivos, para se discutir a sempre desejada participação de atletas em provas internacionais, todos comentavam um acidente ocorrido há pouco com alguém conhecido no meio, tendo resultado no seu falecimento. Um acidente mortal é sempre um acontecimento doloroso para os familiares e amigos, mas não é esse o assunto desta crónica, antes as surpreendentes narrativas que foram surgindo nessa ocasião, a propósito de “feitos” aparentemente milagrosos decorrentes de situações inesperadas (ou talvez nem tanto) com que nos deparamos em viagens em África.

Recordo o meu amigo José Carlos Madaleno, também cronista neste espaço, que relata como um dos maiores sustos que terá tido como condutor foi no norte do Quénia, quando atravessávamos uma reserva natural de moto e de noite, numa estrada bastante enlameada e, vinda do nada e em grande velocidade, uma girafa cruzou a pista 2m (!) à sua frente. Há uns tempos atrás, tornou-se viral por estas latitudes da Africa Austral um vídeo publicado na internet de um praticante de BTT que foi atropelado por um grande antílope da família do Gnu (boi-cavalo) em galope e com quem teve o azar de se cruzar numa prova na Africa do Sul. De facto, se no nosso dia-a-dia tivéssemos o costume – comum na Rússia – de filmar todas as nossas deslocações de carro, moto, barco ou avião, teríamos uma colecção impressionante de ocorrências “impossíveis”.

Ora vem o tema a propósito dos cuidados adicionais a ter quando se conduz em zonas que desconhecemos e, particularmente, quando nos deslocamos em locais remotos. É comum cruzar-me com situações em que paramos para ajudar alguém na estrada, como é usual (ainda) entre nós, e nos deparamos com um estrangeiro em apuros por lhe ter acontecido algo inesperado, numa zona sem cobertura telefónica, ao cair da noite, sem água ou mantimentos.

As estradas principais em Angola estão cada dia melhores, bem como na maioria dos casos nos países vizinhos. Mas isso não invalida que o ambiente em que vivemos, quer pela presença de animais selvagens, que tanto admiramos, quer pelas fortes chuvas que por vezes se abatem como se o mundo se tivesse de repente transformado no filme “A tempestade perfeita”, ocasione situações diferentes – não inesperadas, potencialmente perigosas. Uma grande ponte pode desaparecer em minutos, como vi acontecer à ponte sobre o rio Giraúl entre Lubango e o Namibe; uma pequena fissura transforma-se numa ravina intransponível; e um  aeródromo torna-se num lago– como é comum por exemplo no Okavango (Botswana).

Não é pelo facto de se conduzirem viaturas com motores cada vez mais potentes, com impressionantes sistemas de segurança passiva e activa, em estradas recentemente alcatroadas e com o melhor GPS do mundo, que vamos conseguir eliminar, principalmente em África, o principal factor passível de evitar os acidentes, particularmente em situações “menos esperadas” – o condutor e a sua experiência.

Malembe Malembe, Pole Pole… devagar se vai ao longe.

Nuno Gomes
Pró-reitor da UnIA

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